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Super Alvinho: mãe planeja deixar abrigo para filho retomar estudos

História do pequeno gênio sensibiliza e gera doações para seus estudos e aluguel

Agência O Globo - 01/09/2026
Super Alvinho: mãe planeja deixar abrigo para filho retomar estudos
Super Alvinho

A rede de solidariedade que se formou em torno do menino Adriano Álvaro Melo, o Alvinho, de 10 anos, desde que o drama dele e de sua mãe Priscila de Melo, de 42, foi mostrado pelo GLOBO, faz com que os dois comecem a sonhar com dias melhores. Mãe e filho, que perderam a casa e estão morando em abrigos desde o começo do ano, já começam a fazer planos para o futuro. A história sensibilizou as pessoas que não param de fazer doações, além de promessas de ajuda para o menino nos estudos e com pagamento do aluguel.

O projeto mais imediato dos dois é voltar para Cabo Frio, na Região dos Lagos, para que o menino consiga retomar os estudos numa escola particular da cidade, onde foi matriculado no começo do ano, após obter uma bolsa integral. O garoto perdeu o benefício quando a mãe, diagnosticada com tuberculose resistente a medicamentos, teve de retornar ao Rio para tratar da doença na Fundação Oswaldo Cruz. A bolsa havia sido conseguida por intermédio da direção da casa de atendimento temporário e de emergência para pessoas em situação de rua, abandono ou vulnerabilidade social, onde os dois se encontravam no município da região dos Lagos.

—Quero voltar pelo menos para ele concluir o ano letivo, já que teve de abandonar os estudos de maneira abrupta, quando estava indo bem. Tem também a questão da dificuldade de adaptação. Lá ele já estava acostumado aos professores e aos colegas, dos quais diz sentir saudades. Depois a gente pensa o que fazer no ano que vem — diz a mãe.

Priscila contou que já fez contato com a direção da escola para avaliar a possibilidade de retomada da bolsa, mas disse que, independentemente do benefício, com as doações recebidas até agora, avalia que consegue se manter na cidade pelo menos até o final do ano e bancar as mensalidades. As ofertas de ajuda têm vindo de toda parte, inclusive do exterior. Somente as doações em dinheiro, em pouco mais de 24 horas, atingiram cerca de R$ 55 mil, por meio de PIX (19252032711, Banco do Brasil).

Paralelamente ao plano de deixar o abrigo e voltar para Cabo Frio, Priscila avalia outras ofertas recebidas. Ela conta, por exemplo, que foi procurada por uma pessoa que se identificou como diretor de uma grande rede de ensino carioca, que teria manifestado interesse em ajudar o menino, após ler a história dele no jornal. Outra pessoa teria prometido se comprometer com o pagamento do aluguel dos dois por pelo menos um ano. Priscila também foi procurada pela Mensa Brasil, uma associação sem fins lucrativos chamada de "clube internacional de gênios".

A mobilização em torno do filho surpreendeu Priscila, que não esperava receber tanta oferta de ajuda. Desde que a matéria do GLOBO foi publicada, ela não faz outra coisa a não ser dar entrevistas e atender ligações com manifestações de apoio.

—Estou impressionada. Não esperava que fosse receber tanta ajuda. Já dá esperança de reconstruir a minha vida e do meu filho. O que mais me surpreendeu foi essa mobilização das pessoas e a vontade de ajudar em um cenário em que há muita desconfiança e medo de cair em golpes. Ver que as pessoas estão confiando em mim e dispostas a nos ajudar é animador — afirma.

Após a divulgação da história do menino, a mãe também se surpreendeu com o aumento da procura por um livro lançado pelo garoto quando ele tinha cinco anos, ainda durante a pandemia. A publicação, lançada numa plataforma de autopublicação na internet, com o título de "Livro do Àlvaro de Melo", mostra de maneira lúdica sua trajetória de construção do conhecimento e aprendizado desde os primeiros anos de vida. O preço sugerido é de R$ 10, mas, segundo Priscila, a maioria tem optado por contribuir com valor bem acima. Em apenas um dia, ela recebeu mais de trinta pedidos.