RJ em Foco

Furto de quase 500 km de cabos de semáforo no Rio já causou prejuízo de R$ 27 milhões em cinco anos

Má medida, Prefeitura do Rio lançou o Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos

Agência O Globo - 01/09/2026
Furto de quase 500 km de cabos de semáforo no Rio já causou prejuízo de R$ 27 milhões em cinco anos
Furto de quase 500 km de cabos de semáforo no Rio já causou prejuízo de R$ 27 milhões em cinco anos - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Desde 2021, quase 500 km de cabos de semáforo e 488 controladores (responsáveis pela operação desses equipamentos) foram furtados na cidade do Rio. A busca por soluções no combate a este tipo de crime, que já causou um prejuízo de R$ 27 milhões em cinco anos, motivou a prefeitura a criar o Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos. Anunciado nesta terça-feira, o grupo é composto por órgãos municipais, estaduais e por concessionárias.

Entre as propostas do grupo estão: identificar locais, horários e padrões dos furtos; mapear pontos recorrentes de ocorrências; identificar ferros-velhos e estabelecimentos que compram, armazenam e comercializam cabos e outros materiais furtados; e recolher o material furtado. As ações serão integradas pelas polícias Civil e Militar, Secretaria Municipal de Ordem Pública, Guarda Municipal, CET-Rio e Light.

— O furto e a receptação de cabos são um fenômeno que se intensifica desde a pandemia. Vivemos uma epidemia desse crime, que impacta a operação de toda a cidade, incluindo semáforos, a distribuição de energia e os serviços de telefonia. Os ferros-velhos dão sustentação a essa cadeia, porque compram esses produtos em escala — explicou o prefeito Eduardo Cavaliere, que mandou um recado: — Criminosos, não percam seu tempo com esse tipo de crime, porque, a partir de agora, vocês vão ser pegos por algo que não tem valor econômico.

Dois terrenos no bairro Sampaio, no Grande Méier, a área mais afetada, já estão em processo de desapropriação e receberão nova destinação. Outra solução será a substituição dos cabos de postes e semáforos por outros com materiais sem valor comercial, como aço com cobre no caso dos sinais de trânsito. Líderes no ranking, o Grande Méier e a Grande Tijuca, que serão alvos da primeira etapa, representam 25% das ocorrências desde 2021, com os pontos mais críticos se concentrando na Rua 24 de Maio, na Avenida Marechal Rondon e no Boulevard 28 de Setembro.

De acordo com a prefeitura, desde 2021, foram 457 km de cabos de semáforo e 488 controladores furtados, um prejuízo que soma R$ 27 milhões. Em 2024, a cidade registrou 82 km de cabos furtados, contra 107 km em 2025, um aumento de 30,7%. Até agosto de 2026, foram 74,5 km, além de 39 controladores de semáforo furtados, o que gerou um prejuízo de R$ 3,2 milhões ao município.

Líder do ranking, a Grande Méier teve 125.586 furtos de cabos desde 2021. A lista segue com Grande Tijuca (116.352), Barra/Jacarepaguá (56.290), São Cristóvão (46.063), Zona Norte (45.283), Centro (44.042), Zona Oeste (18.539) e Zona Sul (5.610).

— O maior índice de furtos acontece na Rua Radial Waldir Amaral com a 28 de Setembro, onde já registramos 87 furtos nesse mesmo semáforo ou um a cada três dias. Diante da situação, temos adotado medidas para dificultar a ação dos criminosos. Estamos colocando os controladores numa parte mais elevada e instalando garras anti-furtos. Também estamos enterrando os cabos, que estão sendo substituídos por um material na cor laranja e composto de aço e cobre, que não tem valor comercial por não ser 100% de cobre como o atual. Essas medidas contra os roubos, por outro lado, atrapalham nossa manutenção. Para trocar um controlador, por exemplo, em vez de usar um carro comum, teremos que usar um caminhão, por estar em um ponto mais alto — explica Marize da Silva Queiroz Ribeiro, diretora-presidente da CET-Rio.

Nesta primeira etapa, a meta é concluir a substituição de 14 km de cabos semafóricos em 54 cruzamentos de Grande Méier e Grande Tijuca em até seis semanas. Com a medida, a expectativa do município é reduzir a incidência de furtos em 75%.

Quando o assunto são postes de luz na cidade, operados pela Rioluz e responsáveis pela iluminação pública, o Rio registrou 94,8 mil ocorrências entre 2021 e agosto de 2026, o equivalente a 1.816 quilômetros. No período, o prejuízo chega a R$ 42 milhões. Somados os valores que Rioluz e CET-Rio precisaram investir para a manutenção desses equipamentos, as despesas do município com o problema chegam a R$ 69 milhões. Entre as medidas para reforçar a proteção dos postes estão a substituição de cabeamento por alumínio.

Nesse contexto, a energia elétrica das casas também é impactada. Entre janeiro e julho deste ano, 780 furtos foram registrados — entre três e quatro ocorrências por dia —, cerca de 80 km de cabos subtraídos e uma estimativa de R$ 10,4 milhões de prejuízos. A maior incidência é no Centro e na Zona Sul, sobretudo em Copacabana.