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Aos 121 anos, moradora de Itaperuna é reconhecida oficialmente como a mulher mais velha do Brasil
A supercentenária fluminense nasceu em 10 de março de 1905, antes do voo do 14 Bis, do primeiro Campeonato Carioca e da invenção da televisão
Aos 121 anos, completados em março, Deolira Glicéria Pedro da Silva, residente de Itaperuna, no Noroeste do estado do Rio de Janeiro, foi oficialmente reconhecida como a mulher mais longeva do Brasil, recebendo um certificado emitido pelo Rank Brasil, sistema de homologação de recordes nacionais. O geriatra Juair de Abreu Pereira, que acompanha a idosa e está reunindo documentos para comprovar essa marca, acredita que esse reconhecimento pode abrir portas para que Deolira seja reconhecida também pelo Guinness, como a pessoa mais idosa do mundo. Atualmente, esse título pertence à britânica Ethel Caterham, de 116 anos.
— Pelo que sei, o processo no Guinness está parado, mas acredito que o reconhecimento pelo Rank Brasil pode ajudar — afirma o médico.
A principal dificuldade da família de Deolira em comprovar a sua idade se deve ao fato de que muitos documentos originais foram perdidos em enchentes enfrentadas por ela, quando residia em Porciúncula, sua cidade natal, onde viveu até se mudar para Itaperuna, cinco anos atrás. Diante disso, a família teve que recorrer a cartórios para replicar registros e contou com o apoio da Arquidiocese de Campos para validar sua certidão de batismo.
— Falar de dona Deolira, a mulher mais longeva do Brasil, é inspirador, pois vai além da contagem de números. Ela é uma pessoa que atravessou gerações e presenciou de perto mudanças no Brasil e no mundo — declarou Cristina Cadari, auditora do Rank Brasil, em entrevista à Inter TV.
Ela explicou que, no caso de dona Deolira, foram exigidos como provas de longevidade a certidão de nascimento atualizada e o último extrato do benefício do INSS. O recorde anterior, concedido pelo Rank Brasil, pertencia à paranaense Maria Olívia da Silva, que faleceu em 2010, aos 130 anos. Os critérios do Guinness são mais rigorosos, aceitando apenas documentos originais.
Em 1977, a casa onde Deolira residia sofreu uma grande enchente e os documentos originais foram perdidos. A emissão dos novos documentos ocorreu a partir dessa data. Se conseguir comprovar sua idade, Deolira estará a dois anos de se tornar o ser humano mais longevo de todos os tempos.
O ser humano que mais viveu até hoje, oficialmente, foi a francesa Jeanne Calment, que faleceu aos 122 anos e 164 dias, em 1997. Ela chegou a conversar, quando criança, com o pintor Vincent Van Gogh, que descreveu como sujo e mal-educado. No entanto, enfrentou denúncias de fraude na documentação, cujas alegações não foram comprovadas.
O principal entrave na busca por documentação é que Deolira passou a maior parte da vida na lavoura, ao lado do marido e dos sete filhos, dos quais apenas três estão vivos. Ela estava distante de eventos públicos e sociais, o que dificultou o acesso a serviços que pudessem validar sua idade.
Certas certificações de idade para supercentenários são notoriamente difíceis. No passado, nem sempre as crianças eram registradas, especialmente em áreas afastadas. Além disso, a documentação pode ter sido perdida por descuido, desastres naturais e incêndios, e raramente há testemunhas que possam confirmar datas ou informações.
Um caso marcante é o da mineira de Itajubá, Maria do Carmo Gerônimo, que teria morrido aos 129 anos e 121 dias declarados, em 14 de junho de 2000. Como havia nascido escrava, em 1871, ela não possuía documentação. Aos 124 anos, ela realizou o grande sonho de conhecer o mar, em Copacabana, em 1995, a convite do então prefeito Cesar Maia.
A supercentenária de Itaperuna nasceu em 10 de março de 1905, antes do voo do 14 Bis, do primeiro Campeonato Carioca e da invenção da televisão. Na época de seu nascimento, o mapa-múndi era bastante diferente, com vários países que hoje existem ainda não sendo reconhecidos. Ela nasceu sob o governo de Rodrigues Alves e tinha apenas 9 anos no início da Primeira Guerra Mundial.
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