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Moradora de Itaperuna é reconhecida oficialmente como a mulher mais velha do Brasil e agora mira o recorde mundial

A supercentenária fluminense nasceu em 10 de março de 1905, antes do voo do 14 Bis, do primeiro Campeonato Carioca e da invenção da televisão.

Agência O Globo - 01/09/2026
Moradora de Itaperuna é reconhecida oficialmente como a mulher mais velha do Brasil e agora mira o recorde mundial
Deolira Glicéria Pedro da Silva, a mulher mais velha do brasil

Aos 121 anos, completados em março, Deolira Glicéria Pedro da Silva, moradora de Itaperuna, no Noroeste do estado, se tornou oficialmente a mulher mais longeva do Brasil, reconhecida por um certificado emitido pelo Rank Brasil, sistema de homologação de recordes nacionais. O geriatra Juair de Abreu Pereira, que a acompanha e vem juntando documentos para comprovar o feito, acredita que essa medida abre caminho para que a brasileira seja reconhecida também pelo Guinness, como a pessoa mais idosa do mundo. O título atualmente pertence à britânica Ethel Caterham, de 116 anos.

Super Alvinho:

— Pelo que sei, o processo no Guinness está parado, mas acredito que o reconhecimento pelo Rank Brasil pode ajudar — diz o médico.

A principal dificuldade da família de Deolira em comprovar sua idade se deve ao fato de que boa parte dos documentos originais da idosa foi perdida em enchentes que ocorreram quando ela morou em Porciúncula, cidade da região, onde nasceu e viveu até se mudar há cinco anos para Itaperuna. Por isso, tiveram que recorrer a cartórios para replicar registros, além de contar com a ajuda da Arquidiocese de Campos para validar a certidão de batismo.

Ventania no Rio:

— Falar de dona Deolira, a mulher mais longeva do Brasil, é inspirador, porque vai além da contagem de números. Ela é uma pessoa que atravessou gerações e acompanhou de perto mudanças no Brasil e no mundo — disse Cristina Cadari, auditora do Rank Brasil, em entrevista para a Inter TV.

Ela explicou que, no caso de dona Deolira, foi exigido como prova de longevidade a certidão de nascimento atualizada e o último extrato do benefício do INSS. O recorde brasileiro anterior, concedido pelo Rank Brasil, pertencia à paranaense Maria Olívia da Silva, que morreu em 2010, aos 130 anos. Os critérios do Guinness são mais rigorosos e somente documentos originais são aceitos.

Agressão entre alunos:

Em 1977, a casa onde Deolira morava sofreu uma grande enchente e os originais se perderam. A emissão dos novos documentos ocorreu a partir dessa data. Se conseguir comprovar sua idade, Deolira estará a dois anos de se tornar o ser humano mais longevo de todos os tempos.

O ser humano que mais viveu até hoje, oficialmente, foi a francesa Jeanne Calment, que morreu aos 122 anos e 164 dias, em 1997. Ela chegou a conversar, quando criança, com o pintor Vincent Van Gogh, a quem descreveu como sujo e mal-educado. Porém, ela enfrentou denúncias de fraude na documentação, as quais, no entanto, não foram comprovadas.

Idosa de Itaperuna:

O grande entrave na busca por documentação é que Deolira passou a maior parte da vida na lavoura, com o marido e os sete filhos, dos quais apenas três estão vivos. Ela ficava longe de eventos públicos e sociais e sem acesso a serviços que poderiam ter gerado algum registro que validasse sua idade.

Em geral, a certificação de idade é um processo difícil para os supercentenários. Nem sempre, no passado, crianças eram registradas, especialmente em locais afastados. Além disso, a documentação pode ter sido perdida por desleixo, desastres naturais e incêndios. Raramente há alguma testemunha que possa confirmar datas ou informações.

Talento precoce:

Um caso marcante é o da mineira de Itajubá, Maria do Carmo Gerônimo, que teria morrido aos 129 anos e 121 dias, em 14 de junho de 2000. Como havia nascido escrava, em 1871, não possuía documentação. Aos 124 anos, realizou o grande sonho de conhecer o mar, em Copacabana, em 1995, a convite do então prefeito Cesar Maia.

A supercentenária de Itaperuna nasceu em 10 de março de 1905, antes do voo do 14 Bis, do primeiro Campeonato Carioca e da invenção da televisão. Ao nascer, o mapa-múndi era muito diferente, sem muitos dos países atuais. Nasceu sob o governo de Rodrigues Alves e contava 9 anos no início da I Guerra Mundial.