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Drama do Super Alvinho mobiliza rede de solidariedade para ajudar menino com altas habilidades que mora em abrigo do Rio

Mãe do menino contou que foi procurada por algumas pessoas interessadas em fazer doações. ONG no Turano manifestou interesse em oferecer aulas de robótica.

Agência O Globo - 31/08/2026
Drama do Super Alvinho mobiliza rede de solidariedade para ajudar menino com altas habilidades que mora em abrigo do Rio
Super Alvinho - Foto: Reprodução / Instagram

Após o GLOBO mostrar na edição desta segunda-feira o drama do menino Adriano Álvaro Melo, de 10 anos, várias pessoas se sensibilizaram com a história do jovem gênio, que possui altas habilidades. A criança se encontra sem estudar e mora em um abrigo municipal, após perder o apartamento onde vivia com a mãe, que no final do ano passado foi diagnosticada com tuberculose resistente a medicamentos. Uma verdadeira rede de solidariedade começou a se formar para ajudar o garoto e a mãe dele, Priscila de Melo, que também está em conversas com a produção do Domingão com Huck, da TV Globo, para uma possível participação do menino na próxima temporada do quadro "Pequenos Gênios".

A mãe do menino informou que nesta segunda-feira foi procurada por diversas pessoas interessadas em fazer doações e disponibilizou uma chave PIX, em nome do menino, para quem quiser ajudar (19252032711, Banco do Brasil). Nas redes sociais, vários internautas manifestaram interesse em criar uma vaquinha solidária para ajudar o pequeno gênio.

A primeira oferta de ajuda veio do outro lado do Oceano Atlântico. Uma brasileira residente na Suíça fez uma doação em dinheiro, no valor de R$ 2 mil, e se comprometeu a pagar ao menos três mensalidades da escola onde o menino foi matriculado no começo do ano. Até as 16h, as doações por meio do PIX já somavam cerca de R$ 6 mil.

Alvinho teve de abandonar os estudos numa escola particular de Cabo Frio, na Região dos Lagos, porque a mãe precisou voltar ao Rio para cuidar da saúde e, com isso, perdeu a bolsa de estudos integral que havia conquistado, com a intermediação da direção da casa de atendimento temporário e de emergência para pessoas em situação de rua, abandono ou vulnerabilidade social. Uma ONG, localizada no Morro do Turano, que possui um laboratório de robótica, também demonstrou interesse em oferecer uma vaga para o menino.

Aos 7 anos, Adriano Álvaro Melo já traçava uma trajetória promissora. O pequeno gênio, nascido no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, havia desenvolvido o jogo "Super Alvinho", após participar de um curso online de programação da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Sua inteligência e esperteza destacavam-no no xadrez e em uma turma de robótica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

No entanto, a vida impôs desafios adicionais ao futuro do menino que se projetava da favela para o mundo. Seu último aniversário, de dez anos, em abril passado, foi comemorado em uma casa de atendimento temporário e de emergência para pessoas em situação de rua, abandono ou vulnerabilidade social. Atualmente, ele se encontra com a mãe, Priscila Melo, de 42 anos, em um abrigo no Grajaú, na Zona Norte carioca.

Os obstáculos na trajetória de Alvinho e Priscila não param de crescer desde que a mãe foi diagnosticada, em outubro do ano passado, com tuberculose resistente a medicamentos. Mesmo doente, ela se mudou com o filho, no início de 2026, da capital para a cidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos, em busca de uma oportunidade de emprego, que acabou frustrada.

Sem condições de arcar com as despesas do dia a dia, os dois foram parar em uma casa de passagem — onde Alvinho estava no aniversário —, ainda no município do interior do Rio. Sensibilizado com a história, o diretor da instituição conseguiu para o pequeno uma bolsa de estudos integral em uma escola particular. No entanto, Alvinho só conseguiu frequentá-la por dois meses, pois a mãe teve que voltar ao Rio para cuidar da saúde na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma vez que não havia como fazer o acompanhamento necessário na Região dos Lagos.

A mãe conta que a suspeita de que Alvinho possuísse uma facilidade incomum de aprendizado surgiu quando ele tinha 3 anos. Aos 4, no meio da pandemia da Covid-19, ele aprendeu a ler e a escrever com a ajuda do aplicativo GraphoGame, do Ministério da Educação, indicado para crianças do 1º e do 2º ano do ensino fundamental. Em seguida, um teste confirmou as altas habilidades do pequeno prodígio.

O jogo "Super Alvinho", por exemplo, foi criado todo em inglês, idioma que ele estudou em um aplicativo, e contava a história de um extraordinário cientista que queria usar seus superpoderes para construir robôs agrícolas e pesquisar meios de melhorar a produção e distribuição de alimentos no planeta. Sua mente inventiva fez com que o garoto virasse notícia do GLOBO, em dezembro de 2023, quando ele foi palestrante em um evento sobre Pedagogia Social na Universidade Federal Fluminense (UFF).

No entanto, a situação financeira já não era boa. Na ocasião, Priscila e o filho viviam de favores no Complexo da Maré, após ela perder o apartamento em que morava em Itaboraí, na Região Metropolitana. A mãe conta que foi vítima de um golpe imobiliário que consumiu o seu sonho de casa própria, o FGTS e a estabilidade do filho — uma questão que está na Justiça até hoje. Separada e com o filho pequeno, ela se viu sem ter onde morar.

Por um tempo, porém, parecia que os ventos soprariam a favor. Em fevereiro de 2024, Alvinho chegou a aproveitar uma passagem do presidente Lula pela Maré para lhe entregar uma carta com o projeto de construção de uma escola para atender, dentro da comunidade, crianças com altas habilidades como ele. O pequeno disputou competições de xadrez e robótica, conquistou troféus e foi até condecorado na Câmara do Rio, em dezembro de 2024, com a Medalha Pedro Ernesto, por seu destaque na educação. Assim, o geniozinho da Maré se tornava a pessoa mais jovem a receber a comenda.