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Delegado é ameaçado de morte durante julgamento por réu acusado de integrar milícia em São Gonçalo

Ronan Bento é acusado de homicídio triplamente qualificado no processo. Sessão do júri acabou suspensa porque o réu dispensou a defesa e foi remarcada para dezembro de 2027.

Agência O Globo - 28/08/2026
Delegado é ameaçado de morte durante julgamento por réu acusado de integrar milícia em São Gonçalo
São Gonçalo - Foto: Reprodução

A sessão no Tribunal do Júri de São Gonçalo, na manhã da última terça-feira, 25 de agosto, começou da maneira usual: toque da campainha, anúncio do processo em pauta, aviso sobre a proibição do uso de celulares e chamada dos jurados. O julgamento, porém, tomou um rumo diferente logo no depoimento da primeira testemunha. O delegado da Polícia Civil Leonardo Affonso Dantas dos Santos foi ameaçado de morte, no plenário do júri, por um dos réus, Ronan Azevedo Bento. Ele e Anderson Cabral Pereira, o Sássa, são acusados de integrar uma milícia e respondem pelo homicídio triplamente qualificado de Douglas Quintino Ribeiro. Após a ameaça, a magistrada Juliana Bessa Ferraz Krykhtine mandou que Ronan fosse retirado da sessão. O delegado fez um registro de ocorrência da ameaça e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu à juíza a "adoção de providências efetivas de proteção institucional".

O julgamento acabou sendo suspenso porque Ronan, ao ser interrogado, disse que não queria mais ser representado pela Defensoria Pública. Além disso, o advogado de Sássa, Luan Pedrosa Palmeira, alegou que os jurados haviam sido contaminados pela "pretensa ameaça" ao delegado. Os dois réus foram multados em R$ 10 mil cada um por litigância de má-fé — quando uma das partes do processo age de maneira desonesta ou abusiva na tentativa de manipular a Justiça — e o julgamento foi remarcado para 2 de dezembro de 2027.

Em seu depoimento à polícia, Leonardo Dantas disse que Ronan, durante a sessão do júri, virou para ele, disse "Vou te pegar" e fez gestos ameaçadores. Segundo o delegado, Ronan e Sássa integravam uma milícia que atuava nos bairros Porto Velho, Porto Novo, Gradim, Porto da Madama e outros, em São Gonçalo. Os criminosos estavam envolvidos na extorsão de moradores e comerciantes, "além de praticar diversos homicídios com objetivo de impor o medo e efetivar a cobrança" das taxas. Os dois acusados já haviam sido condenados, em outro processo: Sássa a 130 anos de prisão e Ronan, a 112.

Na representação à juíza em que pediu providências, a promotora Silvia Regina Aquino do Amaral frisou que a ameaça de Ronan "Trata-se de comportamento que ultrapassa o mero desacato à disciplina processual, representando verdadeira tentativa de intimidação dirigida contra testemunha de acusação, com potencial de comprometer a liberdade de depoimento de pessoas chamadas a colaborar com a persecução penal".

A promotora pediu, entre outras medidas, a avaliação da classificação de segurança dos dois réus dentro do sistema penitenciário, o monitoramento de seus contatos externos e a eventual transferência para outro presídio.