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Chefe dos seguranças de Copacabana diz que já havia recebido reclamações sobre 'conduta agressiva' de Davi

Em depoimento à polícia, Aluísio da Silva Filho admite que coordenava a equipe e que não exigia antecedentes, experiência ou qualquer documentação para contratação

Agência O Globo - 26/08/2026
Chefe dos seguranças de Copacabana diz que já havia recebido reclamações sobre 'conduta agressiva' de Davi
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: OpenAI (GPT Image)

A Polícia Civil ouviu na tarde desta quarta-feira Aluísio da Silva Filho, apontado como chefe da equipe de "seguranças de rua" que atuava em Copacabana. Em depoimento obtido pelo GLOBO, ele disse já ter recebido reclamações sobre a conduta agressiva de Davi Santos Machado, preso pela morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos. Aluísio relatou ainda que, em episódio anterior, chamou a atenção de Davi após o segurança agredir um morador de rua.

'Mandei que ele se entregasse à polícia':

Parada cardíaca:

O depoimento foi prestado na 12ª DP (Copacabana), que investiga as circunstâncias da morte de Cláudio Rafael e a participação dos envolvidos. Espancado na madrugada de 12 de agosto após ser acusado injustamente de roubar uma bicicleta, o ciclista recebeu 63 pauladas de Davi, segundo as investigações, e morreu horas depois no hospital, em decorrência de hemorragia interna e traumatismo craniano.

Comando da equipe

Aluísio confirmou ser responsável pela equipe de "seguranças de rua" — atividade que, segundo ele, exerce há mais de 25 anos na região — e disse coordenar um grupo de quatro pessoas, incluindo ele próprio. Era responsável pelas contratações, pela escala e pela fiscalização dos integrantes. Também tinha autoridade para advertir, suspender, substituir ou dispensar membros da equipe, de comum acordo com os proprietários dos estabelecimentos que contratavam o serviço.

Foi ele quem contratou Davi para atuar como "apoiador" dos comerciantes locais.

Apesar de admitir a posição de comando, Aluísio afirmou que o serviço prestado era de “apoio”, e não de segurança. Segundo ele, os integrantes não faziam patrulhamento pela região e deveriam comunicar abordagens, conflitos, suspeitas de crimes ou outras ocorrências relevantes nos estabelecimentos atendidos.

Sem exigência de antecedentes

Conforme o depoimento, a contratação não exigia experiência anterior, curso, habilitação profissional ou certidão de antecedentes:

— O critério utilizado para selecionar e contratar os apoiadores não exigia experiência anterior, curso, habilitação profissional, certidão de antecedentes ou qualquer outra documentação — declarou.

A escala era organizada por um grupo de WhatsApp, com Aluísio definindo quem trabalharia em cada horário conforme a disponibilidade de cada um. Os comerciantes pagavam valores semanais pelo serviço, e era o próprio Aluísio quem administrava o dinheiro arrecadado, recebendo uma quantia fixa pela atividade.

'Agressões não eram autorizadas'

De acordo com Aluísio, os apoiadores não tinham permissão para abordar ou seguir suspeitos, impedir que deixassem um local, fazer revistas pessoais ou reter objetos. Em casos mais graves, a orientação era acionar o 190 — nunca usar força física.

O coordenador afirmou ainda desconhecer a existência ou utilização de cassetetes, bastões, porretes ou objetos semelhantes durante a prestação do serviço.

Sobre a morte de Cláudio Rafael, Aluísio afirmou não ter sido informado sobre o que estava acontecendo no momento das agressões. Segundo ele, soube do episódio dias depois, por meio de um homem identificado como João.

Além de Davi, estão presos Jorge Luiz Ricardo Dias e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Aílton José da Silva. Os quatro são investigados pela participação no espancamento de Cláudio Rafael, que havia sido acusado injustamente de roubar uma bicicleta.