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Joia do período barroco, Igreja de Ouro do Rio recebe 4 mil pessoas por mês e passará a abrir aos sábados

Rampa de acesso ao Morro de Santo Antônio, no Largo da Carioca, passará por revitalização

Agência O Globo - 26/08/2026
Joia do período barroco, Igreja de Ouro do Rio recebe 4 mil pessoas por mês e passará a abrir aos sábados
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: OpenAI (GPT Image)

No alto do Morro de Santo Antônio, no Largo da Carioca, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência guarda tesouros do barroco brasileiro que ainda são desconhecidos por muitos cariocas e visitantes do Rio de Janeiro. Conhecida como Igreja do Ouro, a construção, que integra o conjunto do convento existente desde 1620, funcionará também aos sábados no circuito turístico do Rio, como antecipou a coluna de Ancelmo Gois. Interessados poderão contemplar as joias do templo como o altar-mor com douramento integral, uma rara representação de São Francisco com o Menino Jesus, do século XVII, e um lampião de 1710, considerado o primeiro ponto de iluminação pública da cidade. Além disso, fica no Centro, bem pertinho dos fluminenses, a igreja com riqueza arquitetônica similar às de emblemáticas construções barrocas de Minas Gerais e da Bahia.

O ponto turístico também abriga o Museu Sacro Franciscano, criado em 1935. A visita mediada, na segunda terça de cada mês, custa R$ 50. As comuns custam R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia.

Matheus Campelo, comissário administrativo e eclesiástico da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, explica que a abertura aos sábados se iniciará ainda neste semestre. Junto à novidade, está previsto o lançamento da rampa de acesso ao Morro de Santo Antônio revitalizada.

— Os frades vivem do lado da igreja. Então, estamos traçando esse plano respeitando horários. A gente pretende que a abertura seja ainda em 2026, tanto da rampa quanto desse novo dia de visitação — explica o comissário.

Enquanto isso, de segunda a sexta, interessados podem conferir de perto as obras, como imagens que marcaram a visita de Debret ao Rio no século XIX e pinturas de grandes dimensões de Dom Pedro II. Grupos também aprendem sobre o processo geográfico e o contexto da religião na fundação do Rio de Janeiro, em 1565.

— A Igreja de São Francisco da Penitência é uma das mais antigas corporações de participação dos leigos na vida religiosa. Ela começou em 1619, já no início da colonização no Rio de Janeiro. A igreja acompanhou o crescimento da cidade, fez pelos mais necessitados — diz Matheus Campelo, que lembra que a igreja também estava associada à fundação de importantes hospitais do Rio, entre eles o Hospital de São Francisco da Penitência, cujo endereço original ficava no Centro do Rio e que deu origem ao atual Hospital São Francisco na Providência de Deus, localizado na Tijuca.

O imóvel é protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1938. Por mês, cerca de 4 mil pessoas visitam os templos. Muitos, para apreciar as belezas arquitetônicas. De 1998 a 2002, a restauração da nave da Igreja da Penitência atraiu mais e mais interessados. As redes sociais também impulsionam os números. Nesta terça (25), o estudante de Arquitetura Carlos Henrique Cabral, morador de Macaé, no litoral Norte do Rio, chegou a deitar no chão para apreciar a exuberância do interior da capela entalhado em cedro coberto por partículas de ouro.

— Conheci o mosteiro pelo Instagram, em conteúdos com indicações de “lugares para conhecer no Rio”. Como a igreja estaria aberta no período em que eu estava visitando a cidade, aproveitei. Acabou sendo uma das visitas que mais marcou o meu dia entre todos os lugares que conheci no Rio. Além da arquitetura, dá para perceber a importância daquele espaço para a história do Rio de Janeiro e para a própria história da religião no Brasil — diz o estudante de 21 anos.