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Festival Favela Cria estreia no Rio com programação gratuita e aposta na potência cultural das periferias
Evento será realizado de 30 de outubro a 2 de novembro e deve reunir cerca de 60 mil pessoas em atividades de música, literatura, artes visuais, gastronomia, moda e empreendedorismo
Depois de quatro anos de preparação, o Festival Favela Cria vai sair do papel. A primeira edição será realizada entre 30 de outubro e 2 de novembro , no Rio, com entrada gratuita e uma programação voltada à produção artística, cultural e empreendedora das favelas brasileiras. A expectativa dos organizadores é receber cerca de 60 mil pessoas , entre público, artistas, produtores culturais, empresários, jornalistas e representantes do mercado criativo.
O lançamento oficial aconteceu nesta segunda-feira, no Rio. Idealizado durante a pandemia pelo empresário Daniel Barcinski , em parceria com o ativista e empreendedor social Raull Santiago e o jornalista, ativista e empresário Rene Silva , o projeto foi criado com a proposta de ampliar a visibilidade e as oportunidades para artistas e empreendedores das periferias.
— Depois da pandemia, eu não queria simplesmente voltar a produzir eventos. Queria construir algo que realmente transformasse vidas e permanecesse depois que as luzes se apagassem — afirma Daniel .
A programação terá música, batalhas de rima, slams (competição de poesia falada e performática), literatura, artes visuais, fotografia, grafite, moda e gastronomia. O festival também terá atividades externas ao empreendedorismo cultural, à economia criativa, à formação profissional e aos direitos culturais.
A proposta é que cada linguagem tenha uma curaria própria, formada por nomes ligados às periferias e destacados em seus segmentos. Também estão previstas seleções selecionadas em diferentes pontos do estado, prêmios e oportunidades de conexão entre artistas, produtores, curadores, contratantes, plataformas digitais e empresas.
Segundo os organizadores, a iniciativa pretende ir além dos quatro dias de evento e funcionar como uma plataforma permanente de fortalecimento da produção cultural das favelas.
— O festival nasce para mostrar que investir na favela é investir em criatividade, inovação, empreendedorismo e transformação social. Queremos que ele também inspire novas empresas e instituições a ampliarem seu olhar para iniciativas culturais das periferias durante todo o ano — diz Raull Santiago .
Equipe formada majoritariamente por moradores de favelas
Um dos compromissos anunciados pelo festival é fazer com que a participação das periferias não fique restrita aos artistas que serão no palco. Cerca de 99% da equipe responsável pela realização do evento é formada por profissionais oriundos de favelas.
Para os organizadores, os investimentos representam também uma tentativa de aproximar empresas e instituições do mercado cultural produzido nas periferias. A ideia deles é que o evento ajude a ampliar redes profissionais, fortalecer carreiras e criar novas oportunidades de negócios para quem produz cultura nas favelas, colocando a produção periférica no centro da própria narrativa.
Realizado pelo Instituto Papo Reto, Voz das Comunidades e Instituto Pro Bono Brasil, o Favela Cria ainda terá sua programação artística divulgada posteriormente.
O festival ainda é apresentado pela Petrobras e tem patrocínios da Vale , Light , Santander , YouTube , Prefeitura do Rio e Grupo Águas do Brasil , por meio de mecanismos de incentivo à cultura nas esferas federal, estadual e municipal.
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