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Complexo de Israel: PM detalha ocupação com base em patrulhamento ininterrupto e busca por armas e drogas

Área controlada pelo Peixão (TCP) está sob ocupação policial desde a última sexta-feira

Agência O Globo - 25/08/2026
Complexo de Israel: PM detalha ocupação com base em patrulhamento ininterrupto e busca por armas e drogas
- Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Para conter as disputas entre facções rivais no território, a intolerância religiosa e a exploração comercial por traficantes, a Polícia Militar iniciou a ocupação do Complexo de Israel na última sexta-feira. O trabalho começou pelas comunidades Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica Pau. Na manhã de segunda-feira, as operações chegaram a Vigário Geral e Parada de Lucas. Segundo a corporação, a ocupação será permanente, com policiamento 24h por dia, ações de inteligência e a apreensão de materiais ilícitos entre os alvos.

Equipes subordinadas ao Primeiro Comando de Policiamento de Área e ao Comando de Operações Especiais da PM irão circular por pontos estratégicos das comunidades. As atenções também estarão voltadas para o entorno, como a Linha Amarela e Avenida Brasil, que receberão reforço do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas, com o objetivo de evitar ações de criminosos em retaliação às operações policiais.

Nesta segunda-feira, quatro caminhões foram incendiados na Avenida Brasil por bandidos da Favela de Acari, que também é controlada pelo TCP.

— Como funciona uma ocupação? Não temos uma base fixa nas comunidades. Temos policiais que estão lá fazendo o policiamento preventivo e ostensivo, junto ao setor de inteligência, que faz monitoramento sobre a movimentação de criminosos. Quando há troca de turno, ela é feita no próprio local, em vez de ser no batalhão. Além do efetivo que está lá, realizamos ações com outras unidades, como varreduras com o Batalhão de Ações com Cães. Hoje, estamos com o Bope fazendo buscas por criminosos em Parada de Lucas. Então, vamos atuando pontualmente com unidades especializadas, buscando materiais ilícitos e checando denúncias que não podem ser verificadas sem que o território esteja ocupado — detalha o major Maicon Pereira, porta-voz da PM.

Cidade Alta desafia corporação

Na sexta-feira, carros-bomba foram usados pela primeira vez como tática de guerrilha no Rio, segundo a PM, que apreendeu nove veículos roubados, cinco toneladas de artefatos explosivos, 11 toneladas de materiais para barricadas e uma carga de entorpecentes, incluindo maconha e cheirinho da loló. No fim de semana, a polícia cobriu 12 valas abertas nas entradas das comunidades e desmontou cinco barracas de alvenaria e telhados de metal utilizadas para a venda de drogas. Na segunda, a PM começou a atuar em Parada de Lucas e Vigário Geral. Ontem, quatro criminosos foram presos, e seis fuzis, granadas, radiocomunicadores, coletes à prova de balas e drogas foram apreendidos.

— A Cidade Alta é a comunidade mais desafiadora, porque ela tem uma posição estratégica para criminosos. Como o nome diz, ela é alta, e o criminoso tem uma visão privilegiada das outras comunidades, facilitando ataques contra policiais que estão na parte baixa. Por isso, iniciamos a ocupação pela Cidade Alta. Caso contrário, estaríamos vulneráveis a tiros ao entrar em Parada de Lucas e Vigário Geral — explica o major.

Denúncias de abuso

No fim de semana, moradores relataram abusos por parte de policiais, como invasões de casas e abordagens truculentas. Questionado, o porta-voz descredibilizou tais alegações, argumentando que essa seria uma tática dos criminosos.

— Uma das principais estratégias dos bandidos para impedir ações policiais é estimular denúncias de abusos. Mas temos um trabalho da corregedoria e câmeras operacionais portáteis para monitorar a ação dos agentes. Isso garante transparência às ações policiais — defende o major.

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