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Estado projeta economia de R$ 221 milhões até dezembro com exonerações que ultrapassam 6 mil

Total de exonerados corresponde a mais de 43% dos 14.340 comissionados existentes em março. Economia considera apenas os cargos vagos.

Agência O Globo - 25/08/2026
Estado projeta economia de R$ 221 milhões até dezembro com exonerações que ultrapassam 6 mil

O governo do estado projeta uma economia de R$ 221 milhões até dezembro, a partir das exonerações promovidas devido a auditorias internas. Desde 24 de março até a última sexta-feira, foram exonerados 6.145 servidores comissionados, enquanto as nomeações somaram 2.496. O número de exonerados corresponde a mais de 43% dos 14.340 comissionados existentes em março. A economia prevista considera apenas os cargos que permanecem vagos.

Recebiam sem trabalhar:

Complexo de Israel:

As exonerações representam apenas uma parte da abrangente reorganização administrativa em curso. Como resultado das auditorias realizadas nos contratos da administração estadual, houve ainda a suspensão de repasses, como os destinados ao Programa Empoderadas, além da extinção da Secretaria Intergeracional de Juventude e Envelhecimento Saudável, que apresentou irregularidades na gestão do Projeto 60+ Reabilita.

Em meados deste mês, uma reportagem do GLOBO revelou que o programa "60+ Reabilita", da Secretaria Intergeracional de Juventude e Envelhecimento Saudável (Seijes), criado para atender idosos em todo o estado, acumulava irregularidades desde a celebração dos contratos: pagamentos antecipados sem obra correspondente e estruturas administrativas duplicadas, entre outras. Como resultado, 35 servidores foram exonerados, incluindo a própria secretária da pasta, Isabela Alves, e a extinção do projeto.

'Bonde dos Taca Bala':

De acordo com o governo, apenas servidores de carreiras, em sua maioria, são nomeados para o primeiro escalão desde março. Em todos os níveis, a administração garante que os escolhidos passam por avaliação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), com a premissa de preservar o erário e aplicar os recursos públicos de forma responsável e eficiente.

Caça aos fantasmas:

Uma auditoria realizada em junho pela Controladoria Geral do Estado (CGE) e pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) apontou que secretarias estaduais apresentavam até 80% de funcionários fantasmas lotados nos gabinetes do Palácio Guanabara. Segundo o RJ2, 78% dos comissionados na secretaria de Trabalho e Renda não trabalhavam. O mesmo ocorria nas pastas de Esporte e Lazer, com 75% de pessoas recebendo sem trabalhar, e no Turismo, onde 73% seriam fantasmas.

Acompanhamento espiritual:

O levantamento mostrou ainda outras quatro estruturas do governo estadual onde mais da metade dos funcionários eram pagos e não trabalhavam: Ciência e Tecnologia (65%), Agricultura (65%), Assistência Social (59%) e Casa Civil (58%). Além disso, 46% dos funcionários da secretaria estadual de Saúde foram cortados pelas mesmas suspeitas.

De acordo com a reportagem, os auditores cruzaram informações de registros de acesso aos sistemas eletrônicos do governo e dos prédios onde os funcionários estavam lotados. Se não houvesse registros, o funcionário foi considerado fantasma e exonerado. A auditoria, segundo o RJ2, atingiu apenas 20 órgãos da estrutura estadual, e as demissões nessas pastas deverão gerar uma economia de R$ 16,7 milhões por mês.

O governador interino Ricardo Couto assumiu a chefia do poder executivo no fim de março, após a renúncia de Cláudio Castro (PL). Desde então, determinou uma devassa nos contratos e nomeações das pastas.

Barbárie em Copacabana:

Cortes no número de secretarias:

Em uma outra frente, o governo vem reduzindo o número de secretarias. Atualmente, a estrutura da administração estadual conta com 28 secretarias, sendo que eram 32 em março. Entre as medidas adotadas estão a fusão das pastas de Agricultura, que deu origem à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional do Interior, Pesca e Agricultura Familiar, a incorporação da Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar à estrutura da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, a incorporação da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação ao escopo do Desenvolvimento Econômico e a extinção da Secretaria Intergeracional de Juventude e Envelhecimento Saudável, cujas atribuições foram absorvidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.