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Segurança de Rogério Andrade é julgado por morte de jovens na Zona Norte do Rio, 11 anos após o crime

Sargento da Polícia Militar confundiu macaco hidráulico com submetralhadora e atirou contra a dupla na Pavuna; Ele irá a júri popular nesta terça

Agência O Globo - 25/08/2026
Segurança de Rogério Andrade é julgado por morte de jovens na Zona Norte do Rio, 11 anos após o crime
Segurança de Rogério Andrade é julgado por morte de jovens na Zona Norte do Rio, 11 anos após o crime

Quase 11 anos após atirar e matar dois jovens na Pavuna, Zona Norte do Rio, o policial militar Carlos Fernando Dias Chaves será julgado nesta terça-feira. O sargento, que também é segurança de Rogério Andrade, disparou contra as vítimas após confundir um macaco hidráulico com uma arma. Na ocasião, Jorge Lucas de Jesus Martins Paes, de 17 anos, e Tiago Guimarães Dingo, de 24 anos, haviam saído para ajudar um amigo a consertar uma Kombi quebrada e voltavam da mecânica quando cruzaram o caminho do PM, que realizava uma ação de busca por uma carga roubada.

À Justiça, Chaves admitiu que confundiu o macaco hidráulico com "uma submetralhadora" e que, naquele momento, acreditou que ele e os colegas estavam em iminente perigo. Na época do crime, o sargento estava lotado no 41º BPM (Irajá), onde integrava o Grupamento de Ações Táticas. Ele tinha 15 anos de corporação, sendo sete deles como integrante do Bope.

No dia seguinte, um colega de batalhão de Chaves afirmou que ele estava com um comportamento imprudente no momento em que matou os jovens. Em uma escuta telefônica, gravada com autorização da Justiça, o colega relatou que o sargento "ficava falando que ia matar, matar, e com isso deixou de ser profissional" e que "qualquer um que ele pegasse, ia matar".

Chaves passou oito meses afastado da corporação após ser atingido por um tiro de fuzil no pé esquerdo durante uma operação no Morro do Chapadão. Ele havia voltado ao patrulhamento um ano e três meses antes de matar os jovens.

Durante o enterro de Tiago, o pai dele, Gilberto Lacerda Dingo, disse que não aceitava as desculpas da polícia sobre a morte do filho.

— Quando começou a confusão, apontaram para mim quem era o policial que tinha feito o disparo. Cheguei perto dele e perguntei por que tinha feito isso. O policial debochou da minha cara e disse: "Fiz. Já está feito" — lembrou Gilberto, na ocasião.

Em 2019, a Justiça determinou que o sargento fosse a júri popular pelo crime. O julgamento está marcado para esta terça-feira, às 13h, no 4º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio. A Defensoria Pública atua como assistente de acusação, representando a família de Dingo.

Procurada pela reportagem do Globo, a Polícia Militar disse que a Corporação não comenta decisões ou andamentos de trâmites judiciais.

Operação Pretorianos

Além do envolvimento no homicídio dos jovens, o sargento Carlos Fernando Dias Chaves é alvo da Operação Pretorianos, do Ministério Público, acusado de integrar o núcleo da segurança pessoal do bicheiro Rogério Andrade. Há três semanas, ele foi detido, acusado de violar a prisão domiciliar. Entre as regras descumpridas estão o recolhimento noturno e aos finais de semana e o descarregamento da tornozeleira eletrônica em, pelo menos, nove dias.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em uma dessas ocasiões o aparelho permaneceu desligado por mais de três dias, o que inviabilizava a fiscalização do cumprimento da medida cautelar e colocava em risco a ordem pública. A Operação Pretorianos é uma ação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que investiga a atuação de policiais militares e penais na segurança armada do contraventor Rogério Andrade.

A primeira fase foi deflagrada em março de 2024 para o cumprimento de 20 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão. Entre os alvos estavam 18 policiais militares da ativa e um policial penal que integravam o grupo chefiado por Rogério Andrade.

*Matéria de Bruna Bittar, aluna do curso Jornalismo do Futuro, sob supervisão de Rafael Galdo.