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Vídeo reconstitui percurso de agressores de ciclista espancado em Copacabana

Imagens da Central de Inteligência do Rio mostram deslocamentos dos suspeitos durante e após o crime

Agência O Globo - 24/08/2026
Vídeo reconstitui percurso de agressores de ciclista espancado em Copacabana
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: OpenAI (GPT Image)

A Central de Inteligência da Prefeitura do Rio (Civitas Rio) obteve imagens de diferentes pontos de monitoramento da Zona Sul carioca para reconstituir a dinâmica criminal e a movimentação dos agressores de Cláudio Rafael Landeiro, homem de 37 anos morto em Copacabana após ser espancado por entregadores e seguranças clandestinos, no dia 11. O vídeo que exibe a movimentação dos criminosos foi feito a partir de uma solicitação da Polícia Civil, que investiga o caso.

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"Os agentes cruzaram horários, imagens e deslocamentos, permitindo acompanhar os suspeitos por diferentes ruas da Zona Sul e pontos da região ao longo da madrugada", explica a Civitas Rio em nota. "O resultado foi consolidado em relatórios técnicos e imagens auditáveis, encaminhados à polícia para subsidiar a investigação, contribuir para a identificação dos envolvidos e a reconstrução do percurso", complementa.

O vídeo exibe a cronologia dos fatos e a participação dos seguranças de rua clandestinos Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias e dos entregadores de aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva, os quatro já presos temporariamente, nas agressões. Eles são investigados por linchar a vítima após confundi-la com um ladrão de bicicletas, enquanto Cláudio Rafael pedalava o veículo de duas rodas que era de sua irmã. A polícia ainda tenta identificar um quinto suspeito de envolvimento no espancamento.

A sequência começa às 22h54, quando o homem agredido chega de bicicleta à farmácia em Copacabana. Cerca de meia hora após a sua entrada no estabelecimento, câmeras flagram Landeiro novamente em deslocamento, mas agora acompanhado por dois homens que conduziam a bicicleta. Ele tenta recuperar a bicicleta de sua irmã, que já havia sido tomada pelos criminosos.

As agressões são iniciadas às 23h44, quando um dos agressores pega um pedaço de madeira e golpeia a vítima. Um minuto depois, um veículo que estava na região se aproxima da área das agressões e permanece no local por aproximadamente três minutos.

Já na madrugada, às 0h, é possível observar dois suspeitos de bicicleta, usando mochilas do iFood. Eles aparecem em deslocamento por ruas de Copacabana, com paradas em pontos de entregadores e em estabelecimentos alimentícios, o que indica que os homens realizaram entregas após as agressões.

Veja o vídeo:

Mais de 60 pauladas

Cláudio Rafael, que tinha transtornos psicológicos, foi espancado durante nove minutos pelos vigias e entregadores. Os agressores acharam que a bicicleta que Cláudio usava era roubada, quando, na verdade, pertencia a uma de suas irmãs. Durante a agressão, a vítima levou 63 pauladas em nove minutos de agressão, diz laudo da perícia, ao qual o Fantástico, da TV Globo, teve acesso.

O principal autor da agressão e um dos encarregados de fazer vigilância clandestina de uma rua do bairro, Davi Santos Machado, chegou a filmar o espancamento com um celular enquanto agredia a vítima com golpes de um cassetete. Cláudio ficou 30 minutos agonizando até a chegada do Corpo de Bombeiros. Foi socorrido no Hospital Miguel Couto, na Gávea, mas morreu horas depois, na madrugada do dia 12.

O laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal concluiu que Cláudio morreu em decorrência de hemorragia interna, traumatismo cranioencefálico e lesões no baço e no rim esquerdo provocadas por ação contundente. O exame identificou, entre outras lesões, fraturas no crânio, hemorragias cerebrais e lacerações no baço.

Prisões mantidas

No fim de semana, a Justiça do Rio manteve, após audiência de custódia, as prisões temporárias dos quatro envolvidos no caso. Eles estão custodiados no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte da cidade.

Os juízes Rafael de Almeida Rezende e Laura Noal Garcia, da Central de Audiência de Custódia da Capital, consideraram que os mandados de prisão foram regularmente expedidos e permanecem dentro do prazo de validade. Permanecem válidos ainda, justificam os magistrados, os fundamentos que levaram à decretação das prisões temporárias.

— Recebemos com respeito a decisão que manteve as prisões temporárias, reconhecendo a importância da continuidade das investigações neste momento. Esperamos que, com o encerramento do inquérito policial, haja a completa individualização das condutas e a devida análise, pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário, da necessidade de conversão das prisões temporárias em preventivas daqueles contra os quais estejam presentes os requisitos legais — afirma o advogado que representa a família da vítima, Bryan Rojenberg.

O caso segue sob investigação da 12ª DP (Copacabana).