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Bar na Zona Sul do Rio sofre atentado em dia de evento LGBTQIAP+

Segundo as sócias do estabelecimento, que registraram o caso na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), da Polícia Civil, o ataque foi motivado por lesbofobia

Agência O Globo - 24/08/2026
Bar na Zona Sul do Rio sofre atentado em dia de evento LGBTQIAP+
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: OpenAI (GPT Image)

O , na Zona Sul do Rio, foi alvo de um atentado na última quinta-feira (20), durante o sarau “Aqui Quem Manda é Sapatão”. Segundo as sócias do estabelecimento, que registraram o caso na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), da Polícia Civil, o ataque foi . Uma substância química foi lançada contra o bar e provocou a dispersão dos frequentadores, que relataram irritação nos olhos e na garganta.

No Leblon e na Lapa:

Após caso de linchamento,

— Ainda não sabemos exatamente qual substância foi utilizada e, justamente por isso, não queremos afirmar que se tratava de spray de pimenta ou gás lacrimogêneo. O que podemos dizer é que o efeito foi muito intenso e que houve necessidade de dispersão das pessoas que estavam no espaço. Essa identificação deverá ser feita pelas autoridades competentes — disse Priscila Continentino, acrescentando que além da substância química também foram lançadas contra o estabelecimento garrafas com líquidos, aparentemente, urina.

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O bar inaugurado no segundo semestre de 2025 na Travessa dos Tamoios tem foco na visibilidade lésbica. À frente do comércio estão Priscila e sua sócia, Vanessa Nascimento. No dia do atentado, o evento de poesia e música tinha um público de 70 pessoas na casa, em sua maioria mulheres. Na ocasião, também seria pendurada uma placa com os dizeres "Aqui quem manda é sapatão". Priscila lamenta:

— Para nós, o mais grave é que não estamos falando apenas de uma agressão contra um estabelecimento comercial. Felizmente, ninguém foi atingido ou ferido pelas garrafas. Mas havia clientes, artistas e trabalhadoras. Uma substância desconhecida foi lançada sobre um espaço cheio de pessoas. Diante das circunstâncias em que tudo aconteceu, justamente durante um evento de celebração e visibilidade lésbica, e considerando o perfil do Brejo como um espaço reconhecidamente voltado para mulheres e para a comunidade LGBTQIA+, entendemos que existem indícios de uma possível motivação lesbofóbica. As medidas legais cabíveis já estão sendo tomadas. O Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia está fazendo o acolhimento e acompanhando conosco os desdobramentos do caso junto à Decradi — diz a empresária.

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Quatro dias depois do episódio, funcionárias temem novos ataques. Nas redes sociais, frequentadores do bar gravaram vídeos em apoio ao estabelecimento.

— Naturalmente, (o ataque) gera medo e insegurança. Hoje, essa insegurança não é sentida apenas por nós, responsáveis pelo Brejo. Ela também alcança as mulheres que trabalham conosco e as pessoas que frequentam a casa. É muito grave pensar que justamente essa identidade LGBT possa transformar o nosso espaço e as pessoas que estão nele em alvo de violência. O Brejo nasceu para ser um lugar onde mulheres possam existir, trabalhar, se encontrar, produzir cultura, amar e celebrar sem medo. Não queremos transformar esse episódio em especulação e vamos respeitar o trabalho da investigação. Mas também não vamos naturalizar uma violência dessa gravidade nem permitir que o medo nos silencie — diz Priscila.