RJ em Foco
Entregador voltou ao trabalho após deixar ciclista espancado em Copacabana
Preso preventivamente, Felipe Eduardo dos Santos Silva afirmou que deu quatro chutes nas costas de Cláudio Rafael.
Felipe Eduardo dos Santos Silva, um dos envolvidos no espancamento que levou à morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, em Copacabana, afirmou à Polícia Civil que voltou ao trabalho normalmente após deixar o local das agressões. Em depoimento prestado após se apresentar à 12ª DP (Copacabana), na quinta-feira, Felipe confessou ter ajudado a derrubar a vítima, dado quatro chutes nas costas e saído da Rua Felipe de Oliveira temendo que o segurança continuasse as agressões e acabasse matando Cláudio.
Após a audiência de custódia realizada na tarde de sábado, a Justiça do Rio manteve as prisões temporárias de Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, seguranças de rua clandestinos acusados de espancar e matar Cláudio Rafael. O ciclista foi confundido com um ladrão de bicicletas, cuja propriedade pertencia à sua irmã. Segundo a Polícia Civil, as agressões duraram quase nove minutos e eles estão custodiados no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio.
De acordo com o depoimento, mesmo após presenciar os golpes na cabeça da vítima, Felipe voltou a realizar entregas pelo aplicativo. Ele afirmou ter trabalhado até as 3h e feito pelo menos mais três serviços.
No depoimento, Felipe, que trabalhava como entregador em Copacabana na noite do crime, relatou que pouco antes da meia-noite estava parado na Rua Ministro Viveiros de Castro, aguardando uma nova entrega, quando outro entregador chegou informando que um segurança da região tentava capturar um “ladrão de bicicleta” na Rua Barata Ribeiro.
Felipe e outro entregador seguiram para o local. Na altura da Rua Belford Roxo, encontraram o segurança, que portava um taco de madeira e alegou: “O cara estava roubando bicicleta. Foi na direção da Princesa Isabel”. O entregador afirmou que, naquele momento, nem mesmo ficou claro de quem era a bicicleta que poderia ter sido roubada. Apesar disso, ele e o outro homem seguiram na direção indicada pelo segurança.
Na Rua Felipe de Oliveira, os dois encontraram Cláudio caminhando pela calçada. Felipe disse que perguntou onde estava a bicicleta e por que ele a teria roubado, mas Cláudio não respondeu e, após alguns metros, sentou-se nos degraus de entrada de um edifício. O entregador percebeu que Cláudio estava nervoso e acreditou que ele já havia sido agredido pelo segurança antes e conseguido fugir.
Pouco depois, o próprio entregador gravou um vídeo da vítima. Na gravação, segundo seu depoimento, ele aparece e pode ser ouvido dizendo: “Aí, tropa, atividade, hein! Oh! Marreco aí, oh! Oh!”. Ao fundo, o outro entregador dizia: “Ladrão aí, oh! Pegar, amassa! Aí, ele aí.” No fim do vídeo, segundo Felipe, o segurança confirma: “Aí, é ele mesmo!”.
A partir dessa confirmação, as agressões se intensificaram, segundo a versão de Felipe. Ele afirmou que o segurança desferiu um primeiro golpe em Cláudio, que tentou fugir. Nesse momento, o entregador segurou a vítima para impedir que ela escapasse e ajudou a derrubá-la no chão.
Felipe admitiu ter dado quatro chutes seguidos no ciclista, todos nas costas, e negou ter atingido a cabeça da vítima. Após isso, afirmou que começou a revistar os bolsos de Cláudio, encontrando apenas uma carteira, com “uns papéis velhos” dentro. Felipe disse ter jogado esse objeto fora ao deixar o local, arremessando-o ao chão.
O entregador disse que decidiu ir embora porque percebeu que a situação havia “fugido do controle”. Ele contou que o segurança passou a golpear Cláudio repetidamente com o taco de madeira na cabeça. Apesar de considerar ajudar a vítima, Felipe ficou receoso de intervir fisicamente, descrevendo o segurança como alguém que parecia estar “endemoniado”.
Embora alegasse ter deixado o local com medo de que o segurança matasse Cláudio, Felipe declarou que não acionou socorro. Enquanto saía, avistou o segurança utilizando o telefone para chamar a polícia.
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