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Quintal da Clementina: em setembro, o samba ganha novo endereço na Rua do Senado, no Centro do Rio

Com DNA do Beco do Rato e do Samba Luzia, espaço abre em setembro com programação fixa dedicada ao gênero

Agência O Globo - 23/08/2026
Quintal da Clementina: em setembro, o samba ganha novo endereço na Rua do Senado, no Centro do Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Rua do Senado, eleita pela revista inglesa Time Out como a mais legal do mundo, tem tudo para se tornar ainda mais vibrante a partir de setembro. No número 20, onde até maio funcionava um estacionamento, vai surgir no dia 5 uma casa de samba batizada de Quintal da Clementina. À frente do novo empreendimento estão Lúcio Pacheco, que comanda o Beco do Rato, e Márcio Ferreira, nome por trás do extinto Samba Luzia, animada roda que acontecia no Clube Santa Luzia, no Centro, e depois no Mourisco, em Botafogo. Dinemar Mesquita, dono do lugar onde está sendo instalada a nova casa, se juntou à dupla.

A casa de samba, com programação fixa e capacidade para até 900 pessoas, será mais uma atração numa região que já conta com a tradicional Feira da Lavradio, na rua de mesmo nome, que há 30 anos leva uma multidão ao local todos os sábados. Perto dali, na esquina com a Gomes Freire, está o Armazém Senado, que funciona há 119 anos no mesmo endereço, e há pelo menos 20 tem feito do samba uma receita de sucesso, com concorridas rodas que acontecem de sexta-feira a domingo.

O sucesso da Rua do Senado acabou atraindo outros empreendimentos para a região. Entre casarões históricos, uma nova geração de bares e restaurantes, além de outros projetos, ajudou a transformar o local nos últimos anos. O burburinho da região atraiu a atenção do chef Lúcio Vieira, que colocou a via no radar da gastronomia com o restaurante Lilia, aberto há nove anos, além do Braseiro Labuta.

Mais recentemente chegaram o Mercado Central, recuperando o antigo complexo da Granado, reunindo boa comida, cultura e eventos no mesmo endereço, além da Destilaria Maravilha, representante de uma nova geração de bares.

O batuque, além do Armazém Senado, ecoa também no Rio Scenarium, na Rua do Lavradio, onde as rodas das tardes de sábado são acompanhadas de uma tradicional feijoada. O ritmo agora ganha um novo endereço na esquina da Rua do Senado com a Lavradio. A fachada é identificada pelo grafite assinado por Nielk e Plin, dois artistas paulistanos, retratando três rostos de mulheres negras, que representam o samba, a ancestralidade e a força feminina.

A arte das paredes internas é um espetáculo à parte e ficou a cargo de Jorge Costa, que já colocou seu trabalho à disposição de outros espaços devotados ao samba, como o Cacique de Ramos e o Batuq, ambos na Zona Norte do Rio. Para dar um ar de nostalgia e ancestralidade ao local, o artista recorre a tintas nas cores marrom e sépia (marrom-avermelhado), além de materiais alternativos, como papelão, galhos secos, folhas artesanais e isopor. Este último ajuda a dar uma textura tridimensional à pintura.

— Fui buscar inspiração nos quintais por onde passei — explica o artista.

Lúcio e Márcio não escondem que o movimento da região fez com que suas atenções se voltassem para o lugar, quando resolveram se juntar no novo negócio.

— Buscávamos a região por ser um corredor cultural — contou Márcio.

Mesquita, que há 20 anos administrava o estacionamento que funcionou no local, disse que o sucesso da rua fez chover propostas pelo lugar, mas se sentiu atraído pela ideia de virar sócio.

— É a minha estreia nesse tipo de negócio — disse.

O antigo estacionamento onde vai funcionar a nova casa de samba vem passando por obras desde o começo do ano e vai ganhar 18 cabines de banheiro, todas refrigeradas, e camarim para os artistas. O espaço também terá um mezanino, que servirá para receber eventos corporativos e comemorações, como aniversários.

— A ideia não é só abrir uma casa de samba, mas ter um local que coloque o samba no lugar que ele merece, com boa comida, boa cerveja e música da melhor qualidade — defende Lúcio Pacheco, que há dez anos comanda o Beco do Rato, criado por seu pai Márcio, em 2005, e que se transformou numa espécie de templo do samba carioca.