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Historiador e colunista do GLOBO, Thiago Gomide celebra dez anos de sucesso com vídeos cuja marca é a curiosidade
Projeto leva a História até o público; iniciativa tem mais de quatro milhões de seguidores nas plataformas digitais
Você sabia que Miguel Nunes Vidigal, notório perseguidor das religiões de matrizes africanas e dos festejos populares, morto em 1843, é quem dá nome à favela da Zona Sul surgida na década de 1940? E que a expressão “pé-rapado” nasceu nas igrejas antigas, em cujas entradas havia um ferro para que as pessoas limpassem a lama dos pés antes de entrarem? Essas e outras mais de quatro mil pílulas de conhecimento são oferecidas nas redes sociais, em vídeos elaborados por Thiago Gomide, historiador e colunista do GLOBO, por meio do projeto Tá na História, que este mês completou dez anos.
A iniciativa bem-sucedida, criada por Gomide e Fernanda Arouca, tem mais de quatro milhões de seguidores nas plataformas digitais. Na comemoração de sua primeira década, ganha uma nova frente de divulgação, com a exibição de 40 vídeos na sala multimídia do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), a partir de quarta-feira. A mostra reúne em quatro blocos temáticos, com curadoria feita a partir do desempenho de audiência e da relevância histórica, conteúdos publicados ao longo da trajetória do projeto.
Entre os vídeos selecionados estão os que mostram aspectos da tradicional Confeitaria Colombo, do passado da Lapa e da biografia de personagens lendários do Rio, como Madame Satã e Joãozinho da Gomeia. Episódios que marcaram a formação dos grandes times cariocas também entram em campo, sempre embasados pela pesquisa histórica e com a pitada de curiosidade que Gomide imprime ao seu trabalho. A mostra faz parte do calendário de comemorações dos 25 anos do CCJF.
Aliás, a curiosidade dos idealizadores deu origem à série. A ideia inicial era aproximar as pessoas da história, partindo de situações corriqueiras, contando o que há, por exemplo, por trás do nome das ruas e dos bairros onde vivem.
— Queríamos mostrar que todo lugar tem uma história, uma trajetória e uma memória, que não vai ser nunca menor que a de outro considerado mais importante — explica Gomide.
As comemorações dos dez anos estão sendo marcadas também com o lançamento do site oficial do projeto, tanahistoria.com.br. A página, que já está no ar, reúne pela primeira vez no mesmo lugar todo o acervo de vídeos produzidos ao longo desta década. Eles foram organizados por trilhas de conteúdo para facilitar a navegação por parte dos internautas.
A data redonda é marcada também pela Oficina de Produção do Tá na História, curso gratuito com duração de seis meses voltado para pessoas em situação de vulnerabilidade social. A intenção da iniciativa é reforçar o compromisso dos idealizadores do projeto com o impacto social e a democratização do acesso à produção de conteúdo.
— A primeira turma, com dez integrantes, foi aberta em abril e vai terminar em outubro. Nela, são trabalhados identidade, pesquisa e roteiro. O objetivo é dar oportunidades a essas pessoas de aprender a produzir e a ter seus conteúdos também nas redes — explica Fernanda.
Ao longo da década, o Tá na História rendeu outros frutos. Durante esse período, Gomide publicou quatro livros: “Fora das 4 linhas”, pela Mórula Editorial, com histórias sobre futebol; “Amor ao Rio”, pela Editora Senac, que promove um passeio pela história do comércio carioca; “Almanaque Carioca: o Rio que você não conhece”, da mesma editora e assinado em parceria com Fernanda Arouca; e “Tá na História Brasil, um almanaque nada convencional sobre a história de todos os estados e do Distrito Federal”, da Globo Livros. Uma nova publicação, cujo tema ainda não foi revelado, está prevista para o ano que vem.
Além dos vídeos para as redes sociais e dos livros, Gomide também assina colunas na rádio CBN e no GLOBO. Ainda encontra fôlego para apresentar os programas “Aqui Tem História”, no History Channel, e “Parques Naturais do Brasil”, no canal Modo Viagem, do Globoplay.
Dos vídeos publicados pelo Tá na História, o que discute o racismo do escritor Monteiro Lobato — autor de “Sítio do Picapau Amarelo” e “O presidente negro” — é um dos mais vistos. Desde sua publicação, soma mais de seis milhões de visualizações. O que explica a origem da expressão “pé-rapado” também é um dos mais buscados. Ao longo desse período, já foi possível aos idealizadores do projeto entender o que mais atrai a atenção do público.
— Alguns temas, como escravidão, fé, história do esporte, das ruas e de bairros do Rio pouco explorados historicamente, além de aspectos do Centro e de bares e boates, despertam bastante curiosidade — revela Gomide.
Embora boa parte dos vídeos retrate curiosidades cariocas, o foco do projeto não se limita ao Rio. Gomide também viaja por outros estados e países em busca de boas histórias para serem contadas.
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