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Terceiro suspeito de envolvimento na morte de ciclista espancado em Copacabana se entrega à polícia

Felipe Eduardo dos Santos Silva, um dos dois homens que aparecem em um vídeo vestindo roupas de entregadores na cena do crime, se entregou na Tijuca, Zona Norte do Rio

Agência O Globo - 21/08/2026
Terceiro suspeito de envolvimento na morte de ciclista espancado em Copacabana se entrega à polícia
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um dos dois entregadores que tiveram as prisões temporárias decretadas por suspeita de envolvimento na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, que foi espancado ao ser confundido com um ladrão, no dia 11, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, se apresentou à polícia. Felipe Eduardo dos Santos Silva é um dos dois homens que aparecem em um vídeo vestindo roupas de entregadores na cena do crime. Ele se entregou aos policiais na Tijuca, na Zona Norte do Rio. Dois seguranças também suspeitos de participação no espancamento da vítima, identificados como Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, também já estão atrás das grades após terem tido as respectivas prisões temporárias decretadas pela Justiça.

Complexo de Israel:

Espancamento em Copacabana:

Um quarto suspeito, o entregador Ailton José da Silva, ainda é procurado por policiais da 12ª DP (Copacabana). O quarteto vai responder por crime de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, cruel e sem chances de defesa da vítima.

Prisão na Baixada:

Parte do espancamento foi flagrado por câmeras de segurança. As imagens do crime brutal mostram que, em seis dos nove minutos de gravação, contam-se 57 pauladas, fora pisões na cabeça, chutes e socos. O laudo de necropsia da vítima aponta que o ciclista sofreu traumatismo cranioencefálico e hemorragia interna, além de lesões no baço e no rim esquerdo. Os registros das câmeras de segurança foram capturados na Rua Felipe de Oliveira, em Copacabana.

Como as imagens mostram, Machado abordou Cláudio Rafael, que havia saído de casa perto das 22h30 do dia 11, em Botafogo, também na Zona Sul, para passear: ele usava a bicicleta da irmã. Já em Copacabana, o segurança suspeitou que a vítima tivesse roubado a bicicleta e, ainda na Rua Barata Ribeiro, na altura do número 35, encostou-a na frente de uma loja. Logo em seguida, Jorge Luiz aparece pedalando e atravessando a rua, quando Cláudio tenta evitar que levassem o bem que era de sua irmã. Machado, então, o repele usando um porrete de madeira.

Com a mesma arma, o segurança aparece na cena de espancamento filmada na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali, ao contrário do que disse em seu primeiro depoimento, ele protagoniza as agressões, ajudado pelos dois homens de bicicleta e com mochilas de entregadores. Eles alcançam a vítima primeiro, sentada na escada de um prédio, e parecem cercá-la — até a chegada de Machado, ainda munido do porrete.

Aquilo a que se assiste em seguida são cenas de brutalidade indizível e inexplicável. Acusado injustamente de roubo, Cláudio Rafael, que tinha transtornos psicológicos, segundo a família, sofre as primeiras agressões e tenta escapar — mas é contido pelos entregadores, que o socam enquanto o seguram. O segurança desfere mais três pauladas, erra uma e chega a deixar o porrete cair no chão, mas logo recupera a ferocidade: em uma sequência de 20 segundos, contam-se 15 golpes com o cassetete improvisado, além de dois chutes.

A barbárie continua, com breves interrupções em que o trio de agressores filma e tira fotos da vítima no chão. Entre quase seis dezenas de pauladas, Machado acerta uma enquanto aparentemente fala com alguém pelo celular. A certa altura, um quarto personagem, um homem de suéter, se aproxima, dá um chute na cabeça do homem e se afasta. Em alguns momentos, Cláudio ergue as mãos, parece implorar, e em outros tenta se levantar, mas não consegue e rola se contorcendo na calçada. Ele foi deixado ali, agonizando por pelo menos 30 minutos até a chegada dos bombeiros. Deu entrada no Hospital Miguel Couto à 1h, mas não resistiu.

— Ao analisar as imagens, todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos. São muito fortes — diz o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP.