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Hospital Pedro Ernesto ganha ampliação e alas voltadas para o tratamento de câncer e doenças renais

No próximo dia 25, está prevista a inauguração dos novos setores, que deverão começar a funcionar até o início de setembro

Agência O Globo - 21/08/2026
Hospital Pedro Ernesto ganha ampliação e alas voltadas para o tratamento de câncer e doenças renais
Hospital Pedro Ernesto ganha ampliação e alas voltadas para o tratamento de câncer e doenças renais - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Única unidade hospitalar universitária do estado, o Hospital Pedro Ernesto (Hupe), localizado em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, vai ampliar a oferta de atendimento de alta complexidade. A previsão é de que, no próximo dia 25, sejam inauguradas duas novas alas, que deverão começar a funcionar até o início de setembro: uma voltada para o tratamento de câncer e outra para a nefrologia, área que trata de doenças que afetam os rins e o sistema urinário. Nesta última, denominada Núcleo de Assistência, Treinamento e Pesquisa de Nefrologia e Transplantes (Nant), serão atendidos pacientes adultos e crianças com doenças renais.

A estimativa é de que, com a inauguração do Nant, seja possível triplicar o número de transplantes renais feitos no Hupe, passando de 50 para 150 por ano. Também haverá, entre outras coisas, atendimento ambulatorial e serviço de hemodiálise. Já na área oncológica, o hospital terá à disposição mais um andar para abrigar novos serviços oferecidos pelo Centro Universitário de Controle do Câncer (CUCC). Entre eles, a realização de exames de imagem de alta resolução para localizar o câncer e avaliar sua extensão por meio do mapeamento da anatomia do corpo.

As reformas, somadas à compra de equipamentos para o funcionamento das duas alas, tiveram custo estimado em R$ 50 milhões. O dinheiro para a realização das obras saiu dos cofres da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj). Os pacientes que receberão atendimento nas duas novas alas serão encaminhados para o Pedro Ernesto pelo sistema de regulação vinculado às secretarias municipal e estadual de saúde.

Segundo a SES, o governo estadual vai apresentar ao BNDES um pedido de financiamento para um projeto de expansão do Hupe, que incluiria a construção de um prédio onde funciona atualmente uma área de estacionamento. Uma vez concluída, a unidade serviria para ampliar a capacidade de realização de cirurgias, internações e atendimento ambulatorial.

— O Hupe é o único hospital universitário da rede estadual e realiza produção científica e assistencial, desde atendimento ambulatorial até cirurgias de alto risco e transplantes de órgãos. Mas já não está cabendo na infraestrutura atual e necessita de expansão. Atualmente, temos 500 leitos, mas pretendemos dobrar essa capacidade com a construção de um prédio anexo. Assim, reduziremos o tempo de espera por atendimento. Já temos o projeto e estamos buscando apoio do BNDES — disse o secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião, que é professor titular da área de Urologia e dirigiu o Hupe entre 2020 e 2023, período que englobou a pandemia de Covid-19.

Um dos projetos que já foram concluídos, o Nant conta com uma estrutura de cinco andares para abrigar setores de internação, enfermaria, isolamento, farmácia e centros de diálise pediátrica e de adultos. Os dois últimos são equipados com máquinas para a realização de hemodiálises e televisores para os pacientes. Ao todo, serão 34 poltronas para a realização de hemodiafiltração, um método mais avançado para a retirada de impurezas do sangue. A estimativa é passar de 60 para 240 o número de pessoas atendidas por mês que necessitam realizar o tratamento.

— O paciente vai encontrar aqui cuidados em todo o ciclo da doença renal, desde o momento em que há suspeita de uma doença renal e é preciso fazer um diagnóstico — disse José Suassuna, coordenador do serviço de nefrologia do Hupe e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Uerj.

Quem já está em tratamento no hospital aguarda ansioso pelo funcionamento da nova ala. É o caso de Dávila Melo Amorim, de 21 anos, que, desde os 14, faz diálise.

— Sempre fui paciente aqui na unidade. Por causa de algumas comorbidades, para mim é mais seguro fazer o tratamento aqui, mesmo com outras clínicas disponíveis. A inauguração desse novo espaço é algo que esperamos há bastante tempo. Durante a pandemia, o número de pacientes aumentou, e o salão, que tem apenas oito máquinas, não conseguia atender a toda a demanda. Com um espaço maior, mais máquinas e profissionais, acredito que muitos pacientes poderão ser atendidos com mais conforto e agilidade — disse.

Outro projeto previsto para entrar em funcionamento após o dia 25 é a nova ala do CUCC. No novo andar do Centro Universitário de Controle do Câncer, a unidade terá equipamentos de alta tecnologia dedicados à medicina nuclear e à quimioterapia. Entre eles está um PET-Scan, primeiro equipamento da rede estadual capaz de realizar exames de imagem de alta resolução para localizar o câncer e avaliar sua extensão por meio do mapeamento da anatomia do corpo. Há ainda a aquisição de um aparelho usado em exames de cintilografia de corpo inteiro para avaliar o funcionamento de órgãos.

— A novidade agora é que nós vamos abrir o segundo andar. Neste segundo andar, existem dois setores: medicina nuclear e quimioterapia. Na medicina nuclear, vão ser oferecidos exames de PET-CT (PET-Scan). Ele, ao mesmo tempo em que faz uma captação, tomografa o corpo inteiro. E aí funde as imagens, e nós vamos ter um mapeamento geral da presença, por exemplo, de tumores, falando de uma forma mais simplificada — explicou o professor Rodolfo Acatauassú, médico e coordenador científico de controle do câncer do Hupe.