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Violência de agressões a homem confundido com bandido choca policiais: 'São imagens muito fortes', diz delegado

Cláudio Rafael, que sofreu traumatismo craniano e hemorragia interna, saiu de Botafogo para passear em Copacabana com bicicleta da irmã. Lá foi atacado e agredido até a morte

Agência O Globo - 20/08/2026
Violência de agressões a homem confundido com bandido choca policiais: 'São imagens muito fortes', diz delegado
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A violência das agressões a que foi submetido Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, chocou até mesmo os policiais da 12ª DP (Copacabana), que estão investigando o caso. O incidente ocorreu em 11 de agosto, quando o rapaz saiu de casa, em Botafogo, para passear em Copacabana com a bicicleta da irmã e foi confundido com um ladrão. A vítima foi agredida por quatro homens, que utilizaram até um porrete, conforme mostra um vídeo do crime. Um dos acusados se entregou nesta quinta-feira e já está preso.

Barbárie em Copacabana:

'Se eu dissesse que não existe medo, não seria verdade'

— Ao analisar as imagens, todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos. São imagens muito fortes — declarou Ângelo Lages, delegado titular da 12ª DP.

Segundo o delegado, os quatro suspeitos de participar das agressões contra Cláudio Rafael responderão por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Os investigadores tentam identificar os dois homens que usavam mochilas de entregadores.

Fios e cabos caídos viram armadilhas para pedestres:

Um jovem calmo que gostava de música e usava um canal nas redes sociais para postar vídeos cantando. Assim é descrito pela família Cláudio Rafael Landeiro Moreira, que foi agredido com mais de 30 pauladas na noite do dia 12, ao ser confundido por seguranças com um ladrão em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A vítima morreu pouco depois de ser agredida no Hospital Miguel Couto, para onde foi levada pelos bombeiros que o socorreram.

Cláudio fez o ensino médio e um curso técnico de segurança do trabalho. Há aproximadamente dez anos, ele sofreu uma queda de uma laje, resultando em traumatismo craniano e problemas cognitivos. Cláudio Rafael deixou duas irmãs. Uma delas, Fabiane Landeiro, de 25 anos, esteve na 12ª DP (Copacabana) e desabafou, dizendo estar revoltada com o que aconteceu com o irmão.

— O sentimento é de revolta, injustiça e indignação. O que fizeram com meu irmão foi tortura. Ele foi agredido ainda caído no chão — afirmou.

O advogado da família, Bryan Rojtemberg, disse que conhecia a vítima desde criança.

— Ele era um menino calmo que ajudava a todos. Foi meu vizinho por muitos anos. O que fizeram com Cláudio foi uma barbárie — concluiu.

Tragédia no esporte:

O laudo de necropsia da vítima contribui para entender a dimensão das agressões sofridas por Cláudio Rafael. Segundo o documento, a vítima teve traumatismo craniano encefálico, hemorragia interna e lesões no baço e no rim esquerdo, resultantes de ação contundente.

— Não há explicação para o que aconteceu. Cláudio não esboçou qualquer reação para ser agredido do jeito que foi — finalizou o advogado.