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Fios e cabos caídos se tornam armadilhas para pedestres no Rio; engenheiro alerta: evite contato
Furto de cabos é um dos principais fatores que contribuem para a disseminação de riscos na cidade
Em quase toda a cidade do Rio, a mesma cena de perigo se repete: fios e cabos caídos, representando riscos para pedestres, ciclistas e motociclistas. O engenheiro elétrico Bruno Galdino recomenda que, na dúvida, a orientação é evitar encostar em postes com fiação exposta ou atravessar vias alagadas ao observar o desprendimento de material elétrico. Segundo ele, dependendo da intensidade, choques podem ser fatais.
Saiba detalhes:
— Os fios das empresas de telecomunicações são mais finos e não contêm cobre em seu interior, usados para conduzir eletricidade. Mas, na dúvida, é melhor evitar o contato com todos eles, alerta Galdino.
O especialista explica, ainda, que é prudente manter distância de postes que apresentem desgaste no revestimento dos fios energizados, que ficam entre a base da estrutura e o solo. Uma cena assim foi registrada nesta quarta-feira pelo GLOBO na Rua São Clemente, em Botafogo – um dos muitos perigos flagrados pelas equipes do jornal em poucas horas, abrangendo Botafogo, os bairros do Catete e da Glória, na Zona Sul; Centro e Lapa, na região central; e Vila Isabel, Engenho Novo e Méier, na Zona Norte.
No canal de WhatsApp da Editoria Rio do GLOBO (link), você também pode informar se esse risco faz parte do seu cotidiano. Responda à enquete que busca saber quantos leitores do jornal veem fios caídos, pendurados ou cortados em seus caminhos diários. Até 11h40 desta quinta-feira, 98,3% dos registros eram sim.
Susto em Copacabana:
Ricardo Couto:
Em Botafogo, emaranhados em toda esquina
No bairro de Botafogo, que abriga as icônicas paisagens do Pão de Açúcar e do Cristo Redentor, a presença de fios soltos e emaranhados nos postes é constante. Na Rua São Clemente, a fiação desordenada quase oculta a vista do Corcovado.
A Rua São Clemente, uma das mais movimentadas da região, é repleta de armadilhas.
Tráfico internacional:
Cabos que parecem forcas no Catete
No histórico bairro do Catete, que já sediou o centro do poder político do Brasil quando o Rio era a capital federal, a situação se repete. Na Rua Bento Lisboa, um cabo caído e enrolado posiciona-se na altura das cabeças dos pedestres.
IA ajuda a responder:
No Engenho Novo, um acidente
Na Zona Norte, a cuidadora de idosos Cristiane Baptista estava a caminho do trabalho quando a ponta de um fio solto a atingiu na cabeça, na Rua Maria Antônia, no Engenho Novo. O cabo ficou preso ao cabelo da mulher, de 51 anos, que entrou em pânico com medo de receber um choque.
— Eu estava descendo a (Rua) Maria Antônia, e um fio literalmente caiu na minha cabeça, grudou no meu cabelo e puxou enquanto eu andava. Eu me assustei muito. As pessoas que passavam me ajudaram a tirar. Por sorte, o fio não estava energizado e não aconteceu nada pior.
No bairro, que sofre com furtos de cabos, há muitos fios soltos, alguns deles jogados no chão.
Golpe da fé:
Obstáculos atravessam os passos na Lapa, no Centro e em Santa Teresa
Na área central da cidade, outra região muito afetada pelos furtos de cabos, pedestres podem se deparar com fios soltos, baixos ou cortados.
Prisão na Zona Norte:
No mesmo local, Antônio Ribeiro, 88 anos, que tem dificuldades de locomoção, se apoia em postes ao caminhar pela calçada. Ao atravessar a Rua do Rezende, na manhã de quarta, ele se escorou em um poste repleto de fios caídos a poucos metros de seu braço, colocando-o em risco.
A sensação de perigo perto de fiações soltas também é percebida em Santa Teresa, que fica a poucos metros dali.
— Fico insegura de andar perto desses fios, com medo de levar um choque e me acidentar, conta Mariana Silva, agente de saúde de 40 anos, residente no bairro do tradicional bondinho.
Leonardo Aversa:
No Méier ou em Vila Isabel, questões parecidas
Exaustos da convivência com a indesejada chuva de cobre, alguns vizinhos arriscam a segurança para remover os pedaços de cabos do chão. Fátima Carvalho costuma passear com sua cadela pelas principais ruas do Méier e não conseguiu resistir ao avistar um emaranhado de fios soltos na Rua Dias da Cruz. A motorista de 63 anos pegou a fiação com as próprias mãos e a amarrou no poste do qual derivavam, prática não recomendada por especialistas.
— Aqui, vários sinais estão desativados porque a equipe da Light vem e conserta, mas no dia seguinte alguém vai e rouba o fio. Acredito que deveria haver uma fiscalização noturna, afirma Fátima, que também observa a grande incidência de furto de cabos na região como um dos principais motivos para haver tantos fios picados.
Em Vila Isabel, há postes que impõem medo só ao olhar.
A questão, no entanto, não é restrita à cidade do Rio. Um fio baixo se enrolou no pescoço do professor de matemática e influenciador Paulo Pereira enquanto ele passava de moto com a mulher, Natália, pela Rua Fagundes Varela, no Ingá, em Niterói, nesta semana. Apesar do susto, o educador está bem e não sofreu danos físicos significativos.
Em nota, a Conexis Brasil Digital (que reúne as principais empresas de telecomunicações e conectividade do Brasil) informou que "as prestadoras de serviços de telecomunicações associadas à Conexis Brasil Digital seguem os padrões estabelecidos em regulamentos e normas técnicas para a instalação de fios e cabos nos postes e mantêm equipes de prontidão para manutenção permanente e atendimento de eventuais emergências. A fiscalização cabe à empresa proprietária do poste que deve acionar as empresas de telecomunicações para reparos em caso de necessidade."
*Estagiária sob supervisão de Sanny Bertoldo
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