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Milícia de Juninho Varão é alvo de operação da PF e do MPRJ

Investigação identificou movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 350 milhões, com base em Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf

Agência O Globo - 20/08/2026
Milícia de Juninho Varão é alvo de operação da PF e do MPRJ
MPRJ

A Polícia Federal e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram, nesta quinta-feira, a Operação Fora de Ordem com foco na milícia chefiada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão, que atua em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e em municípios vizinhos. A informação é do g1. A investigação identificou movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 350 milhões, com base em Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Há indícios, ainda, de vínculos do grupo paramilitar com agentes públicos e de possível infiltração da organização criminosa no aparato estatal.

Atuava com violência, segundo a polícia:

Quatro feridos:

As equipes cumprem 23 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e empresariais na capital fluminense e em Nova Iguaçu. Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros, o sequestro e a indisponibilidade de bens.

Segundo a investigação, o grupo atuaria, ao menos desde 2013, em bairros de Nova Iguaçu e municípios vizinhos, impondo domínio territorial e usando intimidação e violência para explorar atividades econômicas. Entre os serviços impostos à população estão sinal de internet e comercialização de gás (GLP).

Saiba os detalhes:

A investigação aponta, ainda, que o grupo paramilitar possui divisão de tarefas entre núcleos de comando, financeiro, operacional, territorial e político.

Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa armada, extorsão e lavagem de capitais, além de outros delitos conexos que possam surgir no decorrer das investigações.

Caso é investigado:

Quem é Juninho Varão

A milícia chefiada por Juninho Varão é considerada, hoje, a principal da Baixada Fluminense por autoridades de segurança. Investigações apontam que o grupo paramilitar trava uma guerra para ampliar seus domínios e está ligado a dezenas de homicídios.

Varão é apontado como o “dono” de Nova Iguaçu e exerce influência também em áreas de Seropédica e Paracambi. Na tentativa de ampliar o controle territorial, teria ordenado ataques contra milícias menores na Baixada e investidas para tomar áreas na Zona Oeste da capital.

Com cinco mandados de prisão em aberto e considerado foragido da Justiça, o miliciano comanda o grupo conhecido como Bonde do Varão. Antes, integrava o grupo paramilitar comandado por Wellington da Silva Braga, o Ecko, mas, após a morte dele, em 2021, passou a operar de forma independente.

Tragédia:

Expansão

De acordo com investigações, o dinheiro arrecadado pela milícia de Varão — segundo o MPRJ, somente entre 2022 e 2023 o grupo teria movimentado cerca de R$ 10 milhões — é utilizado na aquisição de armas, carros (geralmente produtos de crime e com placas clonadas) e outros materiais bélicos usados em sua guerra por territórios. Na Zona Oeste da capital, há indícios de que a quadrilha esteja tentando conquistar áreas em Campo Grande e em Santa Cruz.

Assassinato cinematográfico:

Varão é investigado pela participação em um assassinato cinematográfico ocorrido em janeiro deste ano no Jardim Alvorada, em Nova Iguaçu. Na ocasião, o miliciano Cristiano Lima de Oliveira, o Jiraya, foi morto a tiros. O crime mobilizou mais de dez homens armados com fuzis, vestindo roupas pretas, toucas ninja ou balaclavas e coletes balísticos. Eles desceram de quatro veículos por volta das 12h30 e executaram o miliciano em plena luz do dia, na Estrada das Cambucas.

Encomendas avaliadas em R$ 25 mil:

O assassinato teria sido resultado de um acordo firmado entre Varão e Paulo Roberto Carvalho Martins, o PL, sucessor de Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho, que se entregou à polícia em dezembro de 2023. Os dois disputam territórios, mas eventualmente unem esforços. A morte era de interesse tanto de PL quanto de Varão, que teria autorizado a execução em sua área como forma de ajuste de contas. Informações de inteligência da polícia apontam que a vítima estaria “migrando” para o tráfico.