RJ em Foco
Perícia em tacógrafo pode apontar velocidade de ônibus que tombou matando dez pessoas na região serrana do Rio
Acidente aconteceu na descida da Serra de Petrópolis. Pelo menos sete vítimas que estavam no coletivo continuam internadas em unidade de saúde, entre elas o condutor do veículo.
O ônibus do ônibus da Viação Estrela Guia Turismo que tombou na Serra de Petrópolis, no último domingo, causando a morte de dez pessoas e ferindo mais de 40 dos 56 passageiros, deverá ser ouvido pela polícia nos próximos dias. Ele é uma das sete vítimas do acidente que continuam internadas em unidades de saúde. Cinco sob cuidados médicos no Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, e outras duas estão no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Acidente na serra:
Neste último está o condutor do coletivo acidentado. Ele deverá prestar depoimento assim que apresentar melhorias em seu quadro de saúde. Os demais feridos já tiveram alta hospitalar. A Polícia Civil ainda aguarda o resultado preliminar de duas perícias para tentar encontrar acusações do que pode ter causado o tombamento do coletivo. Um dos exames aguardados diz respeito ao tacógrafo do veículo. A perícia poderá apontar a velocidade em que o ônibus trafegava no momento do acidente. Já a análise feita no veículo poderá esclarecer, por exemplo, se houve alguma falha mecânica. A previsão é que os primeiros dados preliminares sejam conhecidos dentro de uma semana. Segundo o relato de alguns passageiros, pouco antes do tombamento, o coletivo segue em alta velocidade pelas curvas da serra. De acordo com Gabriel Bernardes, um dos sobreviventes, algumas passageiras chegaram a pedir que o motorista parasse antes de o veículo ficar descontrolado.
— Eu estava no segundo andar e ele estava em alta velocidade, passando pelas curvas. Fiquei com medo e algumas passageiras pediram para parar o ônibus, mas aí ele perdeu o controle do veículo — contorno Gabriel, na porta do IML de Petrópolis, no último domingo.
Planos para um domingo no Rio:
O ônibus havia saído de Belo Horizonte, na capital mineira, e tinha como destino Copacabana, na Zona Sul do Rio. O coletivo envolvido no acidente foi classificado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) como clandestino: não estava habilitado para viagens interessantes. A 105ª DP (Petrópolis) investiga o caso. O órgão informou que não encontrou empresa habilitada com o nome Estrela Guia Turismo, apontada como responsável pela viagem e pela comercialização dos pacotes. Para viajar, segundo relato dos passageiros, cada pessoa teria feito o pagamento de uma quantia em torno de R$ 140.
Tragédia:
O ônibus partiu da Praça da Cemig, em Contagem, pegou passageiros na Avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte, e, por fim, no Shopping Estação, em Venda Nova, na Zona Norte da cidade mineira. Passageiros dizendo que observaram problemas desde o início da viagem, a começar pelos cintos de segurança, que não funcionavam.
O acidente aconteceu por volta das 4h30 de domingo, na altura da milha 91 da BR-040, na pista de descida da Serra de Petrópolis. Entre as pessoas que morreram, a vítima mais nova era uma menina de 7 anos. Já a mais velha tinha 53. A 105ª DP instaurou inquérito que apura, inicialmente, os crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa.
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