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Anac suspende quatro empresas de voos panorâmicos de helicóptero no Rio

Órgão identificou casos de empresas que falsificavam relatórios de voo para reduzir custos de manutenção

Agência O Globo - 18/08/2026
Anac suspende quatro empresas de voos panorâmicos de helicóptero no Rio
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

Após quatro pessoas morrerem durante um passeio de helicóptero na Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, na Zona Norte do Rio, no último dia 8, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) intensificou a fiscalização das empresas e aeronaves que realizam voos panorâmicos na cidade, identificando uma série de irregularidades. Das 12 empresas autorizadas a realizar esse tipo de atividade, nove já foram analisadas, e quatro delas foram suspensas, incluindo a que realizou o voo do acidente do início do mês. Das 46 aeronaves autorizadas para os passeios, 18 foram fiscalizadas, e metade apresentou irregularidades.

Nas fiscalizações realizadas, a Anac identificou casos de empresas que falsificavam relatórios de voo para reduzir custos de manutenção. A agência também constatou que duas empresas adulteravam os registros das horas voadas pelos helicópteros. Nos documentos, informava-se que as aeronaves haviam voado por dez minutos, quando, na realidade, o tempo de voo foi de 30 minutos.

Tiago Chagas Faierstein, presidente da Anac, não divulgou os nomes das empresas que falsificavam os relatórios. O dirigente admitiu que a agência realiza a fiscalizações das empresas, mas que, na rotina, não é possível identificar falhas como as encontradas no caso do Rio, o que exige inspeções mais aprofundadas:

— A fiscalização é ampla. Inclui a verificação não só da regularidade dos documentos, mas também se os pilotos estão autorizados a prestar o serviço — disse Tiago. — Os acidentes foram um gatilho. É humanamente impossível fiscalizar todos os helicópteros do Brasil. O Rio indicou mais problemas, por isso não estamos fiscalizando São Paulo — acrescentou o presidente.

As declarações foram dadas em uma coletiva no Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio. A Anac também informou que irá rever as regras para autorizações de voos panorâmicos na cidade.

As empresas suspensas foram:

• VRP
• Broad Fly
• Nobre Turismo
• Mr. Top Fly

Em outra medida anunciada nesta terça-feira, a prefeitura do Rio rescindiu termos de compromisso com cinco empresas que tinham autorização para pousar e decolar do heliponto da Lagoa, na Zona Sul da cidade. Uma delas é a Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos LTDA, proprietária do helicóptero que caiu no último dia 10 de agosto perto da Vista Chinesa, provocando a morte de três turistas colombianas e do piloto.

Essas empresas eram, até então, autorizadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para voos panorâmicos. Contudo, no caso da pista da Lagoa, só poderiam realizar a atividade com autorização expressa do município.

A medida anunciada pelo município nesta terça-feira não impede, no entanto, operações dessas empresas a partir de outras pistas. A partir de agora, a única empresa autorizada pela prefeitura a usar o heliponto da Lagoa é a Helisul. Um dos objetivos da medida é tentar reduzir pousos e decolagens que sobrevoam a Zona Sul, o que tem gerado protestos de moradores devido ao barulho das aeronaves.

As rescisões já estão no Diário Oficial do Município. A medida atinge as seguintes empresas:

• Be Faster Serviços Aéreos LTDA
• Gabriel G. Aredes e Piloto Padrão Táxi Aéreo e Serviços Aeronáuticos LTDA
• Nobre Turismo Aéreo LTDA
• Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos LTDA
• Infinity Serviços Aéreos Especializados LTDA