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Golpe da fé: polícia desarticula esquema de pirâmide em igreja com falso banco digital; prejuízo seria de R$ 1 milhão

Principal alvo é líder religioso de templo que funciona em Niterói, na Região Metropolitana do Rio

Agência O Globo - 18/08/2026
Golpe da fé: polícia desarticula esquema de pirâmide em igreja com falso banco digital; prejuízo seria de R$ 1 milhão
Festival marca início da temporada de pesca em porto chinês com mil embarcações - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma operação policial deflagrada nesta terça-feira mira uma organização criminosa especializada em aplicar golpes financeiros e lavar dinheiro por meio de um falso banco digital vinculado a uma igreja evangélica. A ação, chamada de Golpe da Fé , tem como objetivo cumprir 38 mandatos de busca e apreensão contra membros do esquema de pirâmide, que prometia rendimentos de até 10% ao mês e teria prejuízo causado superior a R$ 1 milhão. As diligências são realizadas em endereços na capital fluminense; em Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana; em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense; e na capital paulista.

As investigações da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) apontaram que o líder de uma igreja evangélica, que inicialmente funcionava em São Gonçalo e atualmente está instalada em Niterói, ocupava sua posição para conquistar a confiança de verdade e de outras pessoas de sua rede de influência. De acordo com as apurações, ele convencia as vítimas a investir em uma plataforma operada por uma empresa conhecida entre os investidores como o Banco do Pastor .

— Ele utilizou o púlpito como verdadeiro balcão de negócios — disse o delegado Vinícius Miranda, em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo.

Após a captação dos recursos, os rendimentos prometidos deixaram de ser pagos. Os agentes identificaram, até o momento, pelo menos sete registros de ocorrências relacionadas ao mesmo esquema. A investigação indica que a estrutura era mais complexa do que uma simples investigação irregular de investimentos: os suspeitos envolvidos em uma divisão de tarefas entre captadores de clientes, operadores financeiros e pessoas físicas e jurídicas utilizadas para administrar e movimentar o dinheiro das vítimas.

O quadro societário da empresa responsável pelo suposto banco digital virou um ponto de atenção. O capital social declarado era de R$ 5 milhões, mas alguns dos sócios registrados não apresentavam capacidade financeira compatível com os valores envolvidos. Segundo os agentes, esse cenário indica a possível utilização de laranjas para ocultar os verdadeiros investidores e beneficiários do negócio.

Os valores obtidos com as vítimas foram direcionados para contas pessoais do alvo principal e para empresas ligadas a ele, incluindo negócios dos setores de construção civil, laboratório, consultoria contábil e instituição de pagamentos. As apurações identificaram ainda uma conta de uma instituição de pagamentos que teria funcionado como uma espécie de conta de passagem do esquema. Somente nessa conta, foram registradas mais de R$ 5,4 milhões em operações específicas como estornos.

A investigação destacou ainda a participação de parentes de líderes religiosos. A esposa e o filho dele figurariam como sócios de empresas utilizadas para movimentar recursos e realizar saques de grandes quantias em espécie.

A ação conta com o apoio das equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE).