RJ em Foco
Elas morreram abraçadas, diz mãe e irmã de duas vítimas em acidente de ônibus em Petrópolis
Corpos foram levados para os IMLs da cidade serrana e de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense
Maria Luiza Pereira estava no ônibus que, neste domingo, deixou dez pessoas mortas. Entre as vítimas, sua filha, Lavínia, de 7 anos, e a irmã Priscila, que morreram abraçadas. Ela, que trabalha como diarista em Belo Horizonte, estava com os quatro filhos no momento do acidente. A mais nova, de 1 ano, e o menino, de 10, receberam alta ainda no domingo.
— A minha filha chegou a gritar me pedindo ajuda, mas eu não tinha como, e disse para ela abraçar minha irmã — relembra a vítima sobrevivente, emocionada.
Ônibus sem autorização e relatos de alta velocidade:
Planos para um domingo no Rio:
Já a outra filha, de 4 anos, com espectro autista, permanece internada e deve passar por exames nesta segunda-feira para identificar a gravidade de um ferimento na vista.
— Eu não consegui dormir. O ônibus corria muito, e o guia que estava com a gente dizia que era normal. Ele falava que chegaríamos a tempo de ver o pôr do sol — completa.
A família vinha ao Rio para conhecer a cidade. Além de Luiza e das crianças, também estavam sua tia, que fraturou a coluna, e sua cunhada, que sofreu apenas ferimentos superficiais.
Tragédia na Zona Sudoeste:
Luiza teve alta nesta segunda-feira e agora acompanha a filha de 4 anos, que ainda não tem previsão de alta. Enquanto isso, a família está hospedada em um motel na cidade do Rio, enquanto resolve os trâmites para levar os corpos de Lavínia e de Priscila a Belo Horizonte.
Os dez mortos no acidente já foram identificados. Nove dos corpos foram levados para o Instituto Médico-Legal (IML) daquele município e o décimo, para o IML de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Pelo menos 25 pessoas ficaram feridas, entre elas o motorista do coletivo que, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), estava em situação irregular.
As vítimas identificadas são:
Jhennifer Ferreira Carvalho, de 33 anos
Lavinia Eduarda Souza Dias, de 7 anos
Luciana Ferreira Carvalho, de 53 anos
Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19 anos — grávida de quatro meses
Keyla Perucci da Silva, de 35 anos
Priscilla de Souza Braz, de 33 anos
Natália Fimiano de Barros, de 34 anos
Dayanna de Lima Viana, de 36 anos
Alessandra Pereira, de 34 anos
Vania Elida de Jesus Crispim, de 33 anos
O acidente ocorreu por volta das 4h30 no km 91 da Rodovia BR-040. Sobreviventes relataram que o veículo seguia em alta velocidade. A Polícia Civil informou que a 105ª DP (Petrópolis) investiga o que aconteceu com o coletivo, que transportava 56 pessoas.
Tragédia:
Segundo a Prefeitura de Duque de Caxias, 14 vítimas do tombamento do ônibus foram levadas para o Hospital municipalizado Adão Pereira Nunes. Alessandra Pereira morreu na manhã deste domingo. Seguem internados na unidade duas meninas e três adultos — duas mulheres e um homem. A direção do hospital informou que não irá informar a identidade dos pacientes e nem o quadro de saúde, visando a resguardar pacientes e seus familiares.
Outras 11 vítimas deram entrada no Hospital Santa Teresa, em Petrópolis. A unidade informou que seis já receberam alta. O hospital informou que também não dará informações sobre o estado de saúde das cinco pessoas que seguem internadas em respeito à privacidade delas.
Sem habilitação da ANTT:
Segundo a ANTT, o ônibus está registrado em nome da Dinna Elles Turismo, com comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. Nenhuma das duas, porém, é habilitada pela agência. O coletivo tinha ainda um adesivo da ANTT em nome da Samara, que também estaria inapta. O órgão informou que não encontrou empresa habilitada com o nome Estrela Guia Turismo, apontada como responsável pela viagem e pela comercialização dos pacotes.
Só na segunda quinzena de maio a Estrela Guia ofereceu três passeios semelhantes a Copacabana, cobrando R$ 140 por pessoa, sempre com viagens de ida e volta no mesmo dia entre as duas cidades, que ficam a uma distância de cerca de 440 km.
Acima da inflação:
Para o passeio deste fim de semana, o ônibus partiu da Praça da Cemig, em Contagem (MG), pegou passageiros na Avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte, e, por fim, no Shopping Estação, em Venda Nova, na Zona Norte da cidade mineira. Passageiros relataram que observaram problemas desde o início da viagem, a começar por muitos cintos de segurança que não funcionavam. Há relatos também de que o motorista continuou em alta velocidade quando pegou a estrada.
— Quando chegamos em Petrópolis, as pessoas começaram a gritar. Estava dormindo, abracei meu noivo e disse que iríamos morrer. O ônibus começou a balançar muito. Na descida, capotou, bateu em uma árvore e ela entrou dentro do ônibus — contou ao g1 uma passageira.
Acidente e socorro:
O tombamento ocorreu num trecho da rodovia em obras, com interdição no lado direito da pista. Após o acidente, foi montada uma grande operação de socorro e resgate, com equipes do Samu de Petrópolis e da Baixada Fluminense, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), além da concessionária Elovias, que administra a rodovia.
Em nota, a Estrela Guia Turismo lamentou o acidente, prestou solidariedade às vítimas e afirmou dar suporte e colaborar com as investigações. Sobre a informação da ANTT de que não tinha autorização para a viagem, o advogado Aroldo Leão Braz disse que as manifestações serão feitas apenas pelas vias administrativa ou judicial.
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