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Cobertura de R$ 4 milhões e casa em condomínio de luxo na Serra: como são os imóveis ligados a Cláudio Castro na mira da PF

Na Barra, ex-governador ocupa cobertura de mais de 300 metros quadrados com piscina; em Petrópolis, propriedade fica em residencial de alto padrão cercado pela natureza. Defesa nega.

Agência O Globo - 15/08/2026
Cobertura de R$ 4 milhões e casa em condomínio de luxo na Serra: como são os imóveis ligados a Cláudio Castro na mira da PF
Cláudio Castro - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/ARQUIVO

A Polícia Federal voltou a mirar, na sexta-feira, imóveis ligados ao ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), em uma investigação que apura suspeitas de fraud

e na concessão de licenças ambientais, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros. Entre os endereços visitados pelos agentes estão uma cobertura no condomínio Península, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste, e uma casa em um condomínio de alto padrão na região da Fazenda Inglesa, em Petrópolis, na Região Serrana.

Refit:

Segredos do crime:

Os dois imóveis já foram ocupados por Castro, mas as circunstâncias são diferentes. Na Barra, o ex-governador mora atualmente em uma cobertura que, segundo estimativa baseada em imóveis semelhantes no condomínio, vale mais de R$ 4 milhões. O advogado Carlo Luchione afirma que o imóvel é alugado. Em Petrópolis, a defesa diz que a casa não tem mais qualquer ligação com Castro.

A PF investiga as relações entre a gestão de Castro e a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, em uma nova etapa da Operação Sem Refino. Na sexta-feira, os agentes cumpriram 16 mandados de busca e apreensão em endereços de oito investigados, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Cobertura na Barra: piscina e mais de 300 metros quadrados

A cobertura ocupada atualmente por Castro fica no centro do condomínio Península, às margens da Lagoa da Tijuca. Com mais de 300 metros quadrados, o imóvel tem piscina cercada por vidros e uma área de lazer com plantas. A avaliação de mais de R$ 4 milhões é uma estimativa baseada em imóveis semelhantes no mesmo condomínio. Segundo informações obtidas pelo GLOBO, a cobertura passou por uma grande reforma, o que é negado por Luchione.

O advogado ponderou à época da primeira fase da operação que o imóvel é alugado. Ele afirma que Castro também alugava o apartamento anterior, no 12º andar do mesmo bloco, e que havia se mudado para a cobertura antes da operação realizada em maio. O ex-governador, no entanto, permaneceu por algum tempo nos dois endereços porque ainda precisava retirar caixas do apartamento antigo.

— Já havia se mudado antes, só não tinha entregado o antigo por ter lá ainda muitas caixas. O proprietário deu 30 dias para desocupar — afirmou o advogado.

Consultas a plataformas de aluguel de imóveis mostraram que coberturas com piscina no condomínio custavam entre R$ 12 mil e R$ 30 mil por mês. As taxas de condomínio variavam de R$ 3,2 mil a R$ 6,2 mil.

O imóvel anterior, segundo o registro do apartamento, dava direito a duas vagas na garagem do subsolo. A unidade já havia pertencido a uma construtora e teve promessa de compra e venda para um empresário e uma economista, moradores de Petrópolis, em junho de 2008.

A cobertura também aparece na investigação atual. Segundo o GLOBO, um mandado de busca foi cumprido em endereço ligado a José Mauro Farias Junior, ex-secretário estadual de Transformação Digital e dono da empresa proprietária do imóvel. A unidade foi comprada em junho de 2023 por R$ 3,5 milhões.

A defesa de Castro afirma que ele se mudou para o local este ano e que paga cerca de R$ 10 mil de aluguel.

Refúgio de luxo na 'Cidade Imperial'

Tal qual os monarcas que fizeram de Petrópolis seu refúgio de verão, Castro também tinha um endereço para chamar de seu na Cidade Imperial. O imóvel visitado ontem pela PF fica em um condomínio residencial de alto padrão na Fazenda Inglesa, bairro conhecido pela tranquilidade, pela extensa área verde e pelo fácil acesso ao Rio. O residencial reúne cerca de 20 casas, avaliadas em mais de R$ 2 milhões cada.

O endereço era frequentado com regularidade pelo então governador. Entre janeiro de 2024 e o início deste ano, Castro usou o helicóptero oficial do governo ao menos 24 vezes para viajar a Petrópolis nos fins de semana, pousando em helipontos próximos ao condomínio. Em algumas dessas ocasiões, estava acompanhado da família.

O imóvel está ligado a uma empresa de Luiz Fernando Gomes, um dos investigados pela PF. Segundo as apurações, outra empresa do empresário manteve diversos contratos com o governo do estado durante a administração de Castro.

O ex-governador afirma que ocupou a casa entre outubro de 2023 e o início deste ano, por meio de um contrato regular de locação. A defesa, por sua vez, sustenta que o imóvel não tem mais qualquer ligação com o político.

O que a PF investiga

A nova etapa da Operação Sem Refino investiga suspeitas de fraude na concessão de licenças ambientais para a Refit, além de lavagem de dinheiro e favorecimento de empresários em contratos com o governo do estado. A refinaria pleiteava junto ao governo uma Licença de Operação de Regularização (LOR), necessária para regularizar a operação de um empreendimento que já funcionava sem autorização legal. O processo dependia de um estudo sobre a contaminação do solo de um pátio de estoque e refino.

A licença não foi concedida durante a gestão de Thiago Pampolha à frente da Secretaria estadual do Ambiente. Depois que Bernardo Rossi assumiu a pasta, a autorização enfim saiu do papel, em 24 de maio de 2024.

A PF afirma que Castro não atuava diretamente no processo de licenciamento fraudulento. Segundo os investigadores, esse papel era desempenhado por Rossi e pelo então presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renato Jordão Bussiere. Castro, de acordo com a investigação, mantinha uma relação próxima com o grupo empresarial e teria criado um ambiente favorável aos interesses da Refit.

Na primeira fase da operação, em maio, a PF já havia apontado que o Estado teria direcionado esforços em favor do conglomerado de Ricardo Magro, controlador do Grupo Refit. O empresário teve a prisão preventiva decretada pelo STF e não foi localizado. A PF o acusa de crimes como sonegação fiscal, gestão fraudulenta, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Cláudio Castro nega irregularidades e afirma que todos os atos praticados durante sua gestão seguiram critérios técnicos, jurídicos e administrativos previstos na legislação. Sobre a Refit, os advogados também afirmam que, durante o governo Castro, a refinaria pagou R$ 1 bilhão em dívidas ao estado.

Em relação ao imóvel de Petrópolis, a defesa sustenta que a casa não tem mais ligação com o ex-governador. Os advogados afirmam ainda que Castro ocupa a cobertura da Barra como inquilino, com aluguel de aproximadamente R$ 10 mil. Eles informaram ainda que aguardam acesso aos autos para se manifestar sobre a investigação.

Cláudio Castro recebia, até março, um salário mensal de R$ 16 mil, conforme consulta à remuneração dos servidores do estado. Já de acordo com o sistema de divulgação de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-governador declarou R$ 194.017,73 em bens na eleição de 2022, entre aplicações financeiras, depósitos em contas bancárias e um apartamento de R$ 174,9 mil no bairro do Itanhangá, também na Zona Sudoeste.