RJ em Foco
Saiba quem são os alvos e o que motiva a operação da PF que mira o ex-governador Cláudio Castro no caso Refit
Suspeitas de fraude na concessão de licenças ambientais para a empresa são investigadas pela Polícia Federal, assim como o envolvimento de pessoas próximas a Castro
Suspeitas de fraude na concessão de licenças ambientais para a Refit , lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados ao setor de combustíveis estão na mira da operação deflagrada nesta sexta-feira pela Polícia Federal. Ao todo, são 16 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Rio de Janeiro, tendo o ex-governador Cláudio Castro (PL) e ex-integrantes de sua gestão como alvos.
Doutores de mentira:
Auditório do governo do Rio:
Além de Castro, estão entre os alvos o ex-secretário estadual do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Rio; o Antônio advogado Carlos da Conceição Santos , conhecido como Pipo, aliado de Castro; o empresário da construção civil Luiz Fernando Gomes ; e Maurício Leite , ambos ex-secretários estaduais de Transformação Digital; e a empresária Ana Carolina Miranda . A investigação apura, entre outros pontos, se as licenças ambientais para a refinaria foram concedidas à revelação das directrizes dos órgãos técnicos responsáveis.
A nova etapa amplia o foco sobre a relação entre membros da antiga administração estadual e a Refit. Na primeira fase, deflagrada em maio, Castro já havia sido alvo de busca e apreensão. Na ocasião, o dono da Refit, que permanece foragido, além do bloqueio de R$ 52 bilhões em investimentos financeiros.
Cláudio Castro:
Já foram apreendidos na operação desta sexta-feira três veículos de luxo encontrados no endereço de um dos alvos da operação: um BMW X6 , avaliado em R$ 815 mil ; uma Mercedes GLC 220 , cujo valor varia entre R$ 194 mil e R$ 258 mil ; e uma Kia Carnival , avaliada em R$ 680 mil . Juntos, os veículos podem chegar a R$ 1,75 milhão .
Ligações políticas
Um dos nomes que ganha peso nesta segunda fase é Bernardo Rossi . Próximo de Castro, ele ocupou a Secretaria de Governo entre 2023 e 2024 e, depois, assumiu a Secretaria de Ambiente e Sustentabilidade — pasta que estava politicamente ligada ao então vice-governador Thiago Pampolha .
Uma mudança ocorreu no meio da negociação que levou Pampolha a deixar o governo para disputar uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Nos bastidores, havia um entendimento de que, mesmo fora do Executivo, Pampolha manteria influência sobre a secretaria. A permanência dessa influência, no entanto, provocou ruídos dentro do governo.
É justamente a área de meio ambiente que aparece agora no centro de investigação sobre a Refit. Segundo a purificação da PF, a refinaria deveria ser submetida à fiscalização ambiental dos órgãos estaduais, diante dos possíveis impactos de suas atividades.
Rossi, que atualmente é pré-candidato a deputado federal, passou a integrar o grupo de aliados de Castro que voltam ao radar da investigação. A PF apura se envolveu atuação de agentes públicos para facilitar os interesses da Refit.
A relação política também envolve outros personagens próximos ao ex-governador. Antônio Carlos da Conceição Santos , o Pipo, é apontado como amigo de Castro. O advogado chegou a disputar uma vaga de desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) no ano passado. Apesar do apoio político, terminou em último lugar na votação entre os candidatos, com 6,81% dos votos.
A proximidade entre os dois já havia vindo ao público: Castro comemorou aniversário na casa de Pipo, em um condomínio de luxo em Angra dos Reis. O advogado integrou a lista sêxtupla da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para a vaga, mas recebeu apenas 29 dos 142 votos dos membros do TJ-RJ na etapa seguinte.
Investigação
A Operação Sem Refino investiga suspeitas de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes contra a ordem econômica relacionados às negociações de combustíveis.
Na primeira fase, a PF apresentou suspeitas de que as estruturas do governo estadual deveriam estabelecer condições adequadas à atuação da Refit. A investigação também contou com a participação de membros da Secretaria de Fazenda, da Procuradoria-Geral do Estado e de outros órgãos da administração.
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A operação desta sexta-feira concentrou parte da purificação nas licenças ambientais concedidas à refinaria. A PF busca esclarecer se houve interferência ou atuação irregular para que as autorizações fossem obtidas sem observar as orientações técnicas dos órgãos ambientais.
A ação ocorre no contexto da decisão do STF na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou, entre outras medidas, que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação de grupos criminosos organizados no estado e suas conexões com agentes públicos.
Em nota, Carlo Luchione , advogado de Cláudio Castro, diz que "não houve busca em nenhum endereço a ele vinculado, inclusive em sua residência". Em relação à casa de Petrópolis, afirma que "desconhece, pois era alugada" e que Castro "rescindiu o contrato de contratação tão logo saiu do governo". A PF, no entanto, confirma que a casa de Petrópolis foi alvo da operação nesta sexta-feira.
Já Bernardo Rossi negou qualquer participação em irregularidades envolvidas na Refit e afirma que "toda a sua atuação à frente da pasta se deu dentro da legalidade, seguindo as orientações técnicas e jurídicas de um amplo corpo de servidores da própria secretaria e de seus órgãos vinculados". Segundo sua defesa, “o ex-secretário repudia qualquer tentativa de associar seu nome a irregularidades e considera especialmente grave a utilização de acusações desta natureza em pleno período eleitoral”.
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