RJ em Foco
Rodovia que tinha obra paralisada por falta de segurança no Rio ganha terceira faixa contra engarrafamentos
Trecho beneficiado fica entre São Gonçalo e Itaboraí, na Região Metropolitana. Estrada corta margens do Complexo do Salgueiro, comunidade com territórios controlados pelo Comando Vermelho.
Após seis anos de obras paralisadas por falta de segurança, foram concluídas e inauguradas, nesta quinta-feira, faixas adicionais ( terceira faixa ) em ambos os sentidos da BR-101, que vai de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, à divisa com o Espírito Santo. O trecho, de 6,4 quilômetros, fica entre São Gonçalo e o Trevo de Manilha, em Itaboraí. Uma das estradas mais importantes do Rio, a rodovia corta, em suas margens, no primeiro município citado, o Complexo do Salgueiro e o Jardim Catarina, comunidades que têm territórios controlados pela facção criminosa Comando Vermelho (CV).
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Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), São Gonçalo registrou um aumento de 142% no índice de roubos de veículos, em comparação com o mesmo período de 2025. Parte desses assaltos contra motoristas tem histórico de ocorrências na BR-101. Nesta quinta-feira, o ministro George Santoro inaugurou faixas adicionais. Ele disse ter tido uma reunião com o governador há pouco mais de três meses. Na ocasião, Santoro informou que iria iniciar a obra e pediu apoio para ampliar a segurança.
— Alertamos com relação à segurança e explicamos a situação. Pelo que temos de informação da entrega, não houve nenhum problema até agora (desde que a obra foi retomada, com a assinatura da ordem de serviço, em abril). A obra foi realmente paralisada naquela época (em 2020) por falta de segurança. Era um problema em outro nível. Os funcionários da empresa encarregados das obras foram ameaçados várias vezes para impedir que a obra fosse realizada. A gente pediu apoio ao governador e agora as coisas estão indo bem, sem qualquer problema — disse o ministro, sem confirmar se os autores das ameaças foram ou não específicas.
Antes da retomada e da conclusão das obras, os moradores da região usavam o canteiro central, onde está atualmente a terceira faixa, como área para caminhadas e até pequenas corridas.
Do total liberado nesta quinta-feira, são 3,5 milhas de uma terceira faixa no sentido Campos e 2,9 milhas na direção oposta. As obras previstas na rodovia também incluem um novo trevo em Manilha, no entroncamento com a BR-493 (Magé-Manilha), e a duplicação de pistas na altura de Macaé, além da construção de multifaixas em Campos. Ao todo, o programa contempla a implantação de 49,6 milhas de duplicações, 52,6 milhas de faixas adicionais, 81,7 milhas de multivias, 14 milhas de vias marginais e 59,2 milhas de ciclovias e ciclofaixas, além de melhorias em pontes, viadutos, acessos, passarelas e demais dispositivos de segurança viária.
O objetivo das melhorias é ampliar a capacidade da rodovia e destravar gargalos, como na saída da Ponte Rio-Niterói e na região de Manilha. Neste último trecho, a obra do novo trevo deve começar a sair do papel no início de 2027.
— São duas concessionárias (Arteris, responsável pela BR-101, e EcoRodovias, pela BR-493). As duas têm projetos que são compatibilizados. Não adianta fazer um acesso e não fazer o outro. A Eco tem previsão de concluir até o ano que vem, e a Arteris, de começar até o ano que vem. Além disso, está previsto o contorno de Itaboraí. É uma mudança muito grande. Vai evitar a confusão que temos hoje e vai liberar o motorista do engarrafamento em dias de grandes feriados. Também já está em andamento a duplicação em Macaé, que é um outro trecho de gargalo. Em setembro, a gente começa as multifaixas lá em Campos — disse o ministro.
Quem usa a estrada para aprovar a liberação de uma terceira faixa de trânsito, mas ressalta que a medida não adiantará muita coisa se não houver melhorias rápidas no Trevo de Manilha.
— Imagino que o trânsito vai melhorar com a faixa nova, mas tem de melhorar também o Trevo de Manilha. Costuma ficar muito engarrafado. Eu mesmo, usando motocicleta, já levei uma hora e meia do Rio até Manilha — disse o professor Rafael Duarte, de 23 anos, que costuma passar pela rodovia pelo menos duas vezes por semana.
Segundo o Ministério dos Transportes, serão quase R$ 9 bilhões em investimentos previstos ao longo de 322 quilômetros da estrada, incluindo o entroncamento com a BR-493. Assim, serão R$ 6,2 bilhões investidos pela entrega da Arteris e o restante pela EcoRodovias, em contrapartidas previstas em contratos de concessão.
Em entrevista publicada em O Globo no dia 11 de maio último, o ministro George Santoro ainda prometeu reforço no combate a assaltos na rodovia, com monitoramento integral por câmeras integradas às forças de segurança, além de drones, leitura automática de placas e cobertura de internet 4G em toda a via. No novo modelo, se a consulta não cumprir o acordo, estão previstas punições automáticas, como descontos no pedágio.
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