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‘Super El Niño’: Cedae reforça monitoramento e planos de contingência diante de previsão

Companhia prepara sistemas Guandu e Imunana-Laranjal para enfrentar eventos extremos, como estiagem, altas temperaturas e proliferação de cianobactérias

Agência O Globo - 13/08/2026
‘Super El Niño’: Cedae reforça monitoramento e planos de contingência diante de previsão
El Niño - Foto: reprodução

A possibilidade de um super El Niño neste ano levou a Cedae a reforçar medidas de prevenção nos dois principais sistemas de abastecimento de água da Região Metropolitana do Rio: Guandu e Imunana-Laranjal. A companhia informou que vem ampliando estruturas de monitoramento há três anos, controle da qualidade da água e planos de contingência para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.

Desde 2024, os dois sistemas contam com Planos de Segurança da Água (PSA), que classificam situações de risco em três níveis — normal, alerta e crítico — e estabelecem protocolos de resposta. Entre os cenários previstos estão a presença de produtos químicos nos mananciais, a estiagem e a proliferação de cianobactérias, fenômeno que pode ser favorecido pela combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas.

Entre as medidas previstas em situações de estiagem estão a operação das comportas das barragens nos pontos de captação e mecanismos para elevar a altura dessas estruturas. No caso do Guandu, o plano também prevê a possibilidade de ampliar a vazão transposta do Rio Paraíba do Sul.

Monitoramento 24 horas

A estrutura de acompanhamento dos mananciais ganhou um novo centro em junho, com a inauguração do Centro de Monitoramento Ambiental (CMA), em Botafogo. A unidade reúne informações produzidas pelos sistemas instalados nas bacias que abastecem as estações de tratamento do Guandu e de Laranjal.

O monitoramento inclui um mapa climático em tempo real, imagens de 36 câmeras e dados de dez parâmetros físico-químicos coletados por sensores flutuantes, drones e câmeras espectrais. A tecnologia permite identificar alterações físicas e químicas na água e acompanhar também atividades que podem afetar os mananciais, como a extração ilegal de areia nas margens dos rios.

Segundo a Cedae, técnicos acompanham os dados 24 horas por dia. A companhia também conta com quatro laboratórios inaugurados entre 2023 e 2025 nas estações de tratamento de Guandu, Laranjal e Tijuca. As unidades realizam análises físico-químicas, químicas, bacteriológicas e hidrobiológicas de mais de 90 parâmetros, desde a água dos mananciais até o produto tratado.

Caso seja identificada alguma alteração, as informações são encaminhadas aos centros de controle operacional dos sistemas Guandu e Imunana-Laranjal e aos órgãos estaduais de fiscalização ambiental. A partir desses dados, as equipes podem acionar preventivamente os protocolos previstos nos planos de segurança.

— É fundamental que as informações sejam precisas e rápidas, para que os técnicos responsáveis pelo tratamento saibam exatamente o que causou alterações na qualidade da água bruta e tenham tempo de acionar os protocolos de segurança — afirma Débora Dias, assessora da Gerência Geral de Controle de Qualidade da Cedae.

Novo sistema para dar mais segurança

Além das medidas de prevenção, a Cedae aposta na ampliação da capacidade de produção com o Novo Guandu. O sistema, em construção em Nova Iguaçu, tem conclusão prevista para 2030 e deverá produzir inicialmente 7,5 mil litros de água por segundo para a Zona Oeste do Rio e a Baixada Fluminense.

A expectativa é reforçar o abastecimento de cerca de 3 milhões de pessoas. O projeto também foi concebido para permitir uma expansão futura da produção conforme o crescimento da demanda.

De acordo com o presidente da Cedae, Rafael Rolim, a nova estrutura deve aumentar a resiliência do abastecimento diante de um cenário de eventos climáticos extremos mais frequentes.

— O Novo Guandu vai dar mais segurança ao abastecimento da Região Metropolitana ao operar com o Guandu, trazendo redundância para a produção de água: caso seja preciso reduzir ou interromper a produção em uma das unidades, a outra continuará em operação — afirma.

Com a entrada do Novo Guandu, os dois sistemas poderão produzir, juntos, cerca de 50 mil litros de água por segundo.