RJ em Foco
Thiago Rangel renuncia ao mandato na Alerj e suplente assume cadeira em definitivo
Ex-deputado, preso em maio na Operação Unha e Carne, diz que deixou o cargo para se dedicar à própria defesa em inquérito que tramita no STF
O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) renunciou ao mandato na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O pedido foi recebido pela Casa quarta-feira e lido durante esta sessão plenária pelo vice-presidente, Guilherme Delaroli (PL), que presidia os trabalhos. No documento, Rangel afirma que deixa a carga por sua “livre e espontânea vontade” e classifica a decisão como “irrevogável e irretratável”. Segundo o ex-parlamentar, a renúncia tem como objetivo permitir que ele se dedique integralmente à sua defesa no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a saída de Rangel, Wellington José (União), que já ocupava a cadeira como suplente desde o afastamento do titular, passa a exercer o mandato de forma definitiva. Ele foi o primeiro suplente do Podemos nas eleições de 2022, quando disputou o cargo pela mesma legenda de Rangel.
Rangel estava afastado do mandato desde maio, quando foi preso pela Polícia Federal durante a quarta fase da Operação Unha e Carne . A investigação apura suspeitas de fraudes em processos de compra de materiais, contratação de serviços e obras de reforma no âmbito da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc).
Deflagrada em 5 de maio, a quarta fase da Unha e Carne teve como alvo os municípios do Rio, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. Na ocasião, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 23 de busca e apreensão, expedidos pelo STF. Segundo a PF, os contratos de escolas estaduais vinculados à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc foram direcionados a empresas previamente selecionadas e relacionadas ao esquema. A região foi apontada pelos investigadores como uma área de influência política de Rangel.
Os investigados são suspeitos de crimes como organização criminosa, peculato, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.
As apurações da quarta fase tiveram origem na análise de materiais apreendidos na primeira etapa da Operação Unha e Carne, que investigou o vazamento de informações sigilosas por agentes públicos. Na ocasião, o então deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi preso. De acordo com a Polícia Federal, conteúdo extraído do computador de Bacellar desenvolvido para revelar o esquema investigado na quarta fase.
Após a prisão de Thiago Rangel, a defesa do deputado negou a prática de qualquer irregularidade e afirmou que ele prestaria todos os esclarecimentos necessários no decorrer do processo.
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