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Olimpíadas, dez anos depois: novo autódromo ainda é um projeto

Parque Olímpico foi construído em circuito que foi fechado em 2012

Agência O Globo - 08/08/2026
Olimpíadas, dez anos depois: novo autódromo ainda é um projeto
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A implantação do Parque Olímpico na Barra da Tijuca levou ao fechamento definitivo do Autódromo Nelson Piquet, demolido em 2012 após receber, por mais de 30 anos, uma série de competições nacionais e internacionais, incluindo etapas da Fórmula 1, nos anos 1970 e 1980. Na época, um dos compromissos firmados entre a prefeitura e o Ministério Público para liberar a área para as Olimpíadas era a construção de um novo equipamento. Contudo, dez anos após a Olimpíada, a cidade ainda não possui uma pista oficial.

No dia 6 de novembro de 2024, o município anunciou uma parceria com a iniciativa privada para construir um novo complexo esportivo em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. O projeto, que prevê um circuito com 4,71 km, tem custo estimado em R$ 1,2 bilhão, totalmente bancado pelo setor privado. Em nota, a Genial Investimentos, responsável pelo empreendimento, informou que o projeto está em fase de licenciamento ambiental e ainda não há uma previsão exata para o início das obras.

Esta é a terceira proposta de localização para um novo autódromo desde o anúncio do fechamento do espaço original, cujo traçado já havia sido modificado para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Parte da pista foi ocupada pela Farmasi Arena e pelo primeiro velódromo construído na área, que recebeu o evento considerado estratégico para aumentar as chances da cidade sediar a Olimpíada.

Em 2013, o então prefeito Eduardo Paes chegou a firmar um acordo com o Exército para construir um novo circuito em um terreno que, na época, servia como campo de instrução dos militares em Deodoro. Havia até um projeto de traçado desenvolvido pelo projetista Hermann Tilke, responsável pelo design de outros circuitos ao redor do mundo, como Sepang (Malásia), Bahrein (Sakhir) e Xangai (China).

Entretanto, Paes desistiu da proposta porque a área estava contaminada por explosivos, entre granadas e rojões ainda ativos, como resultado de um incêndio que destruiu uma fábrica de munições que funcionava no local em 1958, espalhando os explosivos. Décadas depois, em junho de 2012, alunos da Escola de Sargentos de Logística (EsSLog) realizavam um acampamento de instrução na área quando houve uma forte explosão. Antes de dormir, os militares acenderam uma fogueira, e o calor do fogo se propagou pelo solo, detonando uma granada antiga enterrada a poucos centímetros da superfície. O incidente resultou na morte de Vinicius Figueira Benedito Eugênio, de 21 anos, e deixou outros 10 militares feridos.

Outra proposta de localização, apresentada pelo ex-prefeito Marcelo Crivella em 2019 com o apoio do então presidente Jair Bolsonaro, também foi rejeitada por ser uma área de preservação ambiental. A ideia era construir um autódromo com pouco mais de 5 quilômetros de extensão, igualmente projetado por Tilke. O plano era concluir a pista a tempo para que a cidade tentasse sediar a F-1 em 2021.

No entanto, o projeto acabou indo para os tribunais, pois a pista seria construída em uma área que faz parte da Floresta do Camboatá, uma vasta região de Mata Atlântica nativa. Ativistas e órgãos de proteção ambiental ingressaram na Justiça para impedir a derrubada de árvores. Em 2021, ao reassumir a prefeitura, Eduardo Paes decidiu cancelar a parceria.

Em Guaratiba, o projeto da pista é de responsabilidade da Driven International, referência em design de autódromos. A proposta inclui um traçado com vários pontos de ultrapassagem, permitindo que os carros fiquem próximos durante as corridas. O acesso ao complexo será feito pela Avenida Dom João VI.

O terreno onde será construído o autódromo é o mesmo que inicialmente seria utilizado para uma missa do Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, em 2013. Na ocasião, o evento acabou sendo transferido para a Praia de Copacabana após um forte temporal que cobriu a área de lama. Para resolver esse problema, o projeto contempla a construção de vários pontos de acúmulo de água.

Os recursos para o projeto virão por meio do que é conhecido como Operação Urbana Consorciada. Esse mecanismo permitirá que a obra seja financiada pelos investidores com a negociação do potencial construtivo de Guaratiba para outras áreas da cidade, especialmente para terrenos na Barra da Tijuca. Os investidores adquirirão essa espécie de bônus urbanístico, que proporciona regras mais flexíveis, como um gabarito maior, e a prefeitura receberá uma taxa (variável conforme a metragem) para licenciar as obras.