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Com previsão de ventos fortes, Prefeitura do Rio recorre ao Cacique Cobra Coral e fecha acordo até 2051
A parceria, que não tem custo para a prefeitura, foi fechada no fim da tarde da quinta-feira
Em meio à previsão de fortes ventos, a Prefeitura do Rio decidiu recorrer mais uma vez à Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) para tentar reduzir os danos que a capital pode enfrentar devido às consequências das mudanças climáticas e do super El Niño, que pode provocar ventos de até 110km/h no estado até o próximo domingo.
A consultoria climática, assinada com a GeoRio, terá duração de 25 anos, valendo até 2051. A fundação é liderada pela médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral, entidade que seria capaz de influir no tempo, diminuindo os impactos de fenômenos naturais.
A parceria, que não tem custo para a prefeitura, foi fechada no fim da tarde da quinta-feira (6) pelo presidente da GeoRio, Anderson de Andrade Marins.
Na semana passada, outra ventania que atingiu a cidade teve ventos que chegaram a 105Km/h, causando estragos em vários pontos da Região Metropolitana e a morte de duas pessoas, no desabamento de um muro em Santa Teresa.
Nesta sexta-feira (7), às 13h, o município do Rio entrou em Estágio 3 devido à intensificação dos ventos prevista para as próximas horas.
No fim do ano passado, a Fundação Cacique Cobra Coral havia rompido unilateralmente a consultoria com a prefeitura, alegando descumprimento do acordo, que, em contrapartida, exige o envio de relatórios atualizados de intervenções feitas pelo poder público para minimizar os efeitos climáticos adversos. A exigência volta a ser prevista no artigo terceiro do novo convênio, assinado nesta semana. O objetivo do acordo, informa o texto do contrato, tem a finalidade de minimizar a ocorrência de possíveis fenômenos climáticos na cidade do Rio de Janeiro.
— O Rio é um antigo parceiro, Adelaide inclusive recebeu um título de Cidadã do Rio pelo ex-vereador Eider Dantas (ex-presidente da Rio Luz no primeiro governo Cesar Maia). Na próxima semana, vamos reativar a subsede da FCCC na Barra da Tijuca e ficaremos na ponte aérea Rio-São Paulo. Por isso vamos dar um tempo com nossos parceiros da China e dos Estados Unidos e cuidar do Rio e de São Paulo — disse o porta-voz da FCCC, Osmar Santos, marido da médium.
A iniciativa de procurar a FCCC foi do secretário da Casa Civil, Leandro Matieli, que entrou em contato com Osmar. Em mensagem enviada ao porta-voz, ele lembrou que o conhecia desde a época em que foi ajudante de ordens do ex-prefeito Eduardo Paes e o recebia no camarote oficial da prefeitura, no Sambódromo.
O espírito do Cacique Cobra Coral, que Adelaide afirma incorporar, teria sido em outras encarnações o astrônomo e físico italiano Galileu Galilei e o ex-presidente dos EUA Abraham Lincoln. Nos últimos anos, ela foi chamada por organizadores de eventos internacionais, como os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo, o réveillon e o Todo Mundo no Rio. A médium esteve até em Copenhague, em 2009, durante a escolha da cidade para receber a Olimpíada de 2016.
A relação entre a Fundação Cacique Cobra Coral e a prefeitura é antiga. Começou com convênios firmados pelo ex-prefeito Cesar Maia ainda em sua primeira passagem pelo governo (1993-1996). Em dezembro de 2008, quando o ex-prefeito Eduardo Paes se preparava para assumir o comando da cidade pela primeira vez, o hoje presidente do Tribunal de Contas do Município (TCM), Luiz Guaraná, que seria nomeado secretário de Obras, anunciou que não renovaria o convênio, por considerar desnecessário. Mas, um mês depois, Paes recuou após passar a madrugada no Centro de Operações e Resiliência (COR) monitorando as consequências de um forte temporal na cidade.
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