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Após alerta severo da Defesa Civil, entenda se ciclone bomba pode atingir o Rio

Fenômeno deve se formar no litoral do Sul do país e não atingir diretamente o estado, mas pode reforçar ventos no Rio. Meteorologistas explicam por que o principal risco é o vento.

Agência O Globo - 06/08/2026
Após alerta severo da Defesa Civil, entenda se ciclone bomba pode atingir o Rio

O alerta severo disparado pela Defesa Civil da cidade do Rio por volta das 5h da manhã desta quarta-feira reacendeu a preocupação dos cariocas ainda impactados pelo vendaval que, na semana passada, deixou milhares de imóveis sem energia e provocou transtornos em diversos bairros. Agora, com a previsão da formação de um possível ciclone bomba no Sul do país entre quinta e sábado, uma dúvida se deixa claro: o que pode atingir o Rio?

Alerta tardio:

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A resposta dos especialistas ouvidos pelo GLOBO é: não, mas com ressalvas. O ciclone deve se formar sobre o mar, entre a costa do Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul, e permanecer naquela região, sem atingir diretamente o estado do Rio. Ainda assim, seus efeitos indiretos podem ser sentidos pelo Rio. Isso porque a frente fria associada ao ciclone deve provocar uma intensificação dos ventos. Segundo o Sistema Alerta Rio, na sexta-feira são esperadas rajadas fortes a muito fortes, que podem superar os 76 km/h em alguns momentos.

— O ciclone não passa sobre o Rio de Janeiro. O que influencia o estado é a frente fria associada a esse sistema. Ela deve canalizar a umidade e favorecer os ventos, mas, hoje, os modelos indicam uma influência menor do que no último evento — explica o meteorologista Guilherme Borges.

O meteorologista César Soares, da Climatempo, faz a mesma avaliação. Segundo ele, o sistema permanece no Sul, mas altera a pressão atmosférica em uma área extensa.

— Ele não vai para o Sudeste. O impacto no Rio será indireto. A variação da pressão provocada pelo ciclone favorece a ocorrência de ventos fortes, principalmente na Costa Verde, Região Serrana e também na Região Metropolitana — explica Soares.

O diretor do Cemaden-RJ, Cel Alexander Anthony Barrera, que participou de uma reunião com representantes de estados, municípios e órgãos meteorológicos, para alinhar ações de preparação para enfrentamento de evento climático, disse que é esperado um impacto diferente em cada estado. Os do Sul deverão ser os mais atingidos pelas chuvas, enquanto os do Sudeste, incluindo o Rio de Janeiro, sofrerão efeitos como ventos de moderados a fortes, podendo atingir até 76 km/h.

— A gente alinhava principalmente os avisos à população, as ações de preparação, principalmente de geração de conteúdo para as mídias sociais de forma unificada e, principalmente, como vão ser as ações de monitoramento e alerta junto a todos os nossos órgãos parceiros — disse.

A previsão, segundo o coronel Anthony, é que o evento climático comece no final do dia desta quinta-feira e vai se intensificando ao longo dos dias, principalmente na sexta-feira, indo até o domingo. Ele diz que a população não precisa alterar sua rotina, mas recomenda que fique atenta aos avisos e alertas.

O que é um ciclone bomba?

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que monitora a possível formação do ciclone entre a Argentina, o Uruguai, o Sul do Brasil e o Oceano Atlântico nos próximos dias, explica que o ciclone bomba é fruto de uma baixa pressão muito intensa. Quando essa formação ocorre em um curto período de tempo, ele recebe o nome de ciclone bomba.

— Existe sim previsão de formação de um ciclone bomba no sul do país. Pontualmente, não é possível prever onde irá se formar; mas ele pode surgir em uma área que compreende o Uruguai, Sul do estado do Rio Grande do Sul e costa entre essas duas localidades — explicado o Inmet.

César Soares, do Climatempo, acrescenta que essa intensificação acelera a formação de tempestades e ventos fortes na área de atuação do sistema.

Rio com ventos fortes mesmo com o ciclone longo

O que explica os ventos fortes nos próximos dias no Rio, segundo os especialistas, é o contraste entre a massa de ar quente que atua sobre o Centro-Oeste e parte do Sudeste e a chegada de uma massa de ar frio associada à frente fria.

— A temperatura gera diferença de pressão. Diferença de pressão gera vento — resumo Guilherme Borges.

Segundo ele, essa disputa entre o ar quente e o ar frio favorecendo rajadas mais intensas, principalmente em áreas naturalmente mais expostas, como o litoral e a Região Serrana. Já Soares, do Climatempo, compara as consequências ao impacto provocado por uma pedra lançada em um lago:

— O ciclone se forma no Sul, mas a atmosfera sente sua presença. Assim como as ondas se espalham quando uma pedra cai na água, essa variação de pressão se propaga e favorece ventos fortes em outras regiões.

Os especialistas explicam que os ventos devem ganhar força gradualmente ao longo da sexta-feira, atingindo seu período mais crítico entre a noite de sexta, a madrugada e a manhã de sábado, principalmente na Região Serrana, em Cabo Frio e em outras áreas do litoral.

Soares, do Climatempo, afirma que uma sexta-feira inteira exige atenção. Segundo ele, na Região Metropolitana, as rajadas podem ficar entre 70 km/h e 90 km/h, enquanto áreas da Costa Verde e Serra podem registrar valores próximos de 90 km/h, com possibilidade pontual de se aproximarem de 100 km/h.

O cenário?

Os meteorologistas afirmam que sim, embora ressaltem que o cenário previsto para hoje ainda é diferente do registado no fim de julho. Segundo Borges, a principal diferença está na trajetória da frente fria. No episódio da semana passada, a frente fria passou mais próxima do estado. Agora, os modelos indicam uma trajetória mais marítima, o que tende a reduzir os impactos. Mesmo assim, existe a possibilidade de rajadas significativas e um cenário que precisa ser acompanhado.

César Soares também avalia que o evento não deve repetir a duração do último temporal:

— Na outra situação, praticamente duas horas de vento intenso sem trégua. Agora, a tendência é de rajadas fortes intercaladas por períodos de diminuição do vento. Ainda assim, o grau de periculosidade continua elevado.

Adiantando os cariocas, na manhã desta quarta, a Defesa Civil Municipal enviou mensagens por SMS e WhatsApp aos cidadãos cadastrados no Sistema de Avisos da Defesa Civil. Além disso, às 5h05, foi emitido um ‘alerta severo’ por meio da tecnologia Cell Broadcast, para ventos moderados a fortes, com rajadas de até 75,9 km/h.

O Sistema Alerta Rio ainda explicou que tem monitorado de forma contínua a velocidade e a direção dos ventos por meio de uma rede composta por 12 estações ferroviárias, que reúne sensores próprios e equipamentos da Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica (Redemet) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Recomendações durante ventos fortes

Em casa

Feche janelas, basculantes e portas de armários para evitar a entrada de ventos.

Mantenha persianas, cortinas e blecautes fechados para reduzir o risco de estilhaços caso alguma janela se quebre.

Desligue aparelhos elétricos e feche o registro de gás.

Retire ou fixe objetos que possam cair de locais altos.

Mantenha árvores do jardim ou quintal podadas e bem cuidadas.

Em caso de falta de energia, tenha cuidado com o uso de velas para evitar incêndios.

Na rua

Não se abra debaixo de árvores nem de coberturas metálicas.

Evite praticar esportes ao ar livre, especialmente no mar.

Afaste-se de precipícios, encostas e locais elevados sem proteção.

Não passe sob cabos elétricos, ao ar livre, andaimes ou escadas.

Evite estacionar veículos próximos a árvores, torres de transmissão e placas de propaganda.

Não coloque fogo em lixo, terrenos ou vegetação e não descarte bitucas de cigarro em áreas de mata.

Se houver queda de árvores, mantenha a distância: a rede elétrica pode ter sido rompida, aumentando o risco de choque elétrico.