RJ em Foco

Secretário de Segurança diz que guerra da Ucrânia inspirou tráfico do Rio a usar drones com explosivos

Victor Santos afirma que facções reproduzem estratégias vistas no conflito europeu e alerta para a facilidade de acesso à tecnologia.

Agência O Globo - 05/08/2026
Secretário de Segurança diz que guerra da Ucrânia inspirou tráfico do Rio a usar drones com explosivos
Secretário de Segurança diz que guerra da Ucrânia inspirou tráfico do Rio a usar drones com explosivos - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, afirmou que o uso de drones para o lançamento de explosivos na guerra da Ucrânia não só alterou a concepção desses confrontos internacionais, mas também pode ter influenciado o tráfico no Rio a utilizar as mesmas ferramentas em suas estratégias de conquista e retomada de territórios. Durante sua participação no seminário “Caminhos do Rio”, promovido pelos jornais O GLOBO e Extra, o secretário enfatizou a facilidade de acesso dos criminosos a esses equipamentos, que podem ser adquiridos pela internet.

Entenda:

Caso Boghici:

— Isso (o uso de drones pelo tráfico) é copiado. A tecnologia com essa sofisticação (da guerra na Ucrânia) ainda não chegou aqui ao Rio. Mas para o mal há uma criatividade. É fácil comprar pela internet essas ferramentas. Colocar artefatos explosivos era questão de tempo e foi o que aconteceu — afirmou.

Enquanto os criminosos conseguem com facilidade obter os drones, o secretário explicou que a aquisição de equipamentos para neutralizar esses dispositivos pelo Poder Público é mais complexa, pois depende da tramitação burocrática de uma licitação pública.

— Os estudos estão caminhando, mas não é fácil porque existem tecnologias de todo tipo. São muitas questões — ponderou, assegurando que levantamentos estão sendo feitos pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Doação da União

Daniel Hirata, assessor especial do Ministério de Justiça e Segurança Pública, que também participou do seminário, informou que um pacote de doações do governo federal para o Estado do Rio, no âmbito do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, inclui dois modernos equipamentos antidrone para o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Esses equipamentos, que devem chegar até o fim do ano, têm a capacidade de identificar a localização do operador e interceptar o drone, explicou Hirata.

Enquanto isso, o uso de drones pelo crime já é uma realidade no Rio. Uma reportagem do GLOBO revelou que ocorreram sete explosões de artefatos lançados por esse tipo de equipamento desde março. O caso mais recente — que seria o oitavo nesse período — aconteceu na madrugada de ontem. Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, relataram que, em meio ao intenso tiroteio com o uso de balas traçantes, ouviram um forte estrondo na localidade da Chatuba, causado pela explosão de um artefato lançado por um drone.

Telhado perfurado

Uma piscina no quintal de uma casa foi atingida. Uma moradora contou que encontrou pedaços de um equipamento em sua residência e que uma bomba perfurou o telhado. Há relatos de explosão também no Morro do Sereno. A polícia investiga o caso.

Esses ataques vêm ocorrendo com mais frequência nos últimos três meses, um período em que as disputas territoriais se intensificaram. No sábado passado, duas pessoas que montavam brinquedos em uma festa infantil de rua ficaram feridas após uma bomba ser lançada por um equipamento desse tipo na Favela do Dourado, em Cordovil, na Zona Norte do Rio.