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Imóveis usados pelo Comando Vermelho para lavar dinheiro do tráfico

Investigação revelou que família ligada a traficante controlava um clube na Baixada Fluminense e uma pousada em Búzios para movimentar recursos da facção.

Agência O Globo - 05/08/2026
Imóveis usados pelo Comando Vermelho para lavar dinheiro do tráfico
- Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Além de controlar serviços e a venda de produtos da cesta básica, as facções criminosas passaram a explorar espaços de lazer para lavar dinheiro de origem ilegal. Segundo a Polícia Civil, o Comando Vermelho (CV) usava o Várzea Country Club, em Água Santa, na Zona Norte do Rio, e uma pousada em Búzios, na Região dos Lagos, para esconder recursos obtidos com o tráfico de drogas e outros negócios clandestinos, em um esquema que movimentou mais de R$ 11 milhões. A análise de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF), do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelou movimentações incompatíveis com a renda oficialmente declarada pelos investigados.

Entenda:

Caso Boghici:

Policiais civis cumpriram ontem dez mandados de busca e apreensão em endereços ligados à quadrilha. As investigações apontam que uma família ligada ao chefe do tráfico de uma favela de Água Santa, Jean Carlos do Nascimento Santos, o Jean do 18, assumiu a administração do Várzea, passando a controlar eventos e o orçamento.

Outro clube no foco

A polícia descobriu que o CV já havia tentado controlar o Social Clube Marabu, no Encantando, também na Zona Norte. Os dirigentes denunciaram que estavam sendo ameaçados para entregar a administração do espaço a pessoas ligadas a Jean do 18. Além de assumir o comando do clube, o grupo exigia o pagamento mensal de R$ 6 mil para permitir que o local continuasse aberto sem sofrer represálias.

Na investigação, conduzida pela 52ª DP (Nova Iguaçu), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio (MPRJ), os policiais encontraram indícios de um esquema semelhante no Várzea, principal alvo da ação de ontem.

— Era o traficante Jean Carlos que queria colocar pessoas de sua confiança na administração daquele clube. Através dessa denúncia, a gente conseguiu identificar esse núcleo familiar que já estava gerenciando o Várzea — explicou a delegada responsável pelo caso, Kely de Araujo Goularte.

A mesma família também esteve até janeiro deste ano na administração de uma pousada em Búzios, de 16 quartos. O estabelecimento movimentou cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses e registrou 602 depósitos em espécie, no total de R$ 955 mil.