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TJRJ absolve Maurício Demétrio em processo por obstrução de Justiça, mas ex-delegado permanecerá preso

Por maioria, desembargadores da 5ª Câmara Criminal do Rio anularam a condenação de nove anos e sete meses imposta em 2024; ex-chefe da DRCPI ainda responde a processos por organização criminosa, corrupção, concussão e lavagem de dinheiro

Agência O Globo - 27/07/2026
TJRJ absolve Maurício Demétrio em processo por obstrução de Justiça, mas ex-delegado permanecerá preso
TJRJ - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) absolveu, por maioria de votos, o ex-delegado da Polícia Civil Maurício Demétrio da acusação de obstrução de Justiça. A decisão foi tomada pelos desembargadores da 5ª Câmara Criminal, em sessão realizada na última quinta-feira, e reformou a sentença de primeira instância que, em janeiro de 2024, havia condenado o policial a nove anos e sete meses de prisão, além da perda do cargo público.

O julgamento terminou com placar de dois votos a um. O desembargador Paulo de Oliveira Lanzillotta Baldez, revisor do processo, votou pela absolvição e foi acompanhado pelo desembargador Geraldo da Silva Batista Junior. Relator da apelação, o desembargador Paulo de Tarso Neves ficou vencido ao defender a manutenção da condenação.

Com a decisão, a Câmara determinou a expedição de alvará de soltura no processo referente à obstrução de Justiça. A medida, porém, não altera a situação de Maurício Demétrio, que permanece preso porque responde a outras ações penais por crimes como organização criminosa, concussão, corrupção e lavagem de dinheiro.

Demétrio foi preso em 2021 durante uma operação que investigou um suposto esquema de cobrança de propina para permitir a venda de roupas falsificadas na Rua Teresa, polo comercial de Petrópolis, na Região Serrana do Rio. À época, o Ministério Público o apontou como líder de uma organização criminosa que atuaria a partir da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPI), da qual era titular. O processo reúne, ao todo, 11 réus e continua em tramitação na Justiça fluminense.

Em nota enviada ao G1, os advogados Fernanda Freixinho e Luís Felipe Maximiano Sene da Silva afirmaram que a absolvição não produz efeitos imediatos sobre a situação processual do ex-delegado.

"Maurício foi absolvido pelo crime de obstrução da Justiça, não alterando, no momento, a sua situação processual, em razão de responder ainda a outros processos por outros crimes — disseram os defensores".