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Por que medicamentos roubados para tratar câncer e outras doenças graves podem colocar pacientes em risco

Remédios oncológicos e imunossupressores exigem controle rigoroso de temperatura e armazenamento; segundo a Polícia Civil, esquema colocava produtos roubados de volta no mercado

Agência O Globo - 21/07/2026
Por que medicamentos roubados para tratar câncer e outras doenças graves podem colocar pacientes em risco
- Foto: Reprodução

O esquema investigado na Operação Metástase, deflagrada pela Polícia Civil, expõe um grave risco à saúde pública.

Medicamentos oncológicos atuam no combate às células cancerígenas e são essenciais para terapias como a quimioterapia e outros tratamentos indicados conforme o tipo e o estágio da doença. Muitos desses medicamentos têm alto custo e exigem rigoroso controle de temperatura e de armazenamento para manter sua eficácia e segurança. Já os imunossupressores reduzem a ação do sistema imunológico e são utilizados principalmente por pacientes transplantados e por pessoas com doenças autoimunes.

De acordo com a investigação, tanto os medicamentos oncológicos quanto os imunossupressores exigem rigoroso controle de temperatura e de armazenamento durante todas as etapas do transporte e da distribuição. Quando esse protocolo é interrompido, os produtos podem perder a eficácia, sofrer contaminação ou até gerar substâncias nocivas, comprometendo a segurança do tratamento.

Além do risco relacionado às condições de conservação dos medicamentos, a Polícia Civil destaca que o volume das cargas roubadas pode comprometer o abastecimento dos sistemas de saúde, afetando diretamente pacientes em tratamento contra o câncer, pessoas transplantadas e pacientes com doenças autoimunes que dependem desses medicamentos.

Como agia a quadrilha

A Polícia Civil afirma que a organização criminosa roubava as cargas, levava os medicamentos para áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, onde ocorria o transbordo e a redistribuição da carga. Em seguida, um segundo núcleo ficava responsável pelo armazenamento, fracionamento e envio dos produtos para diferentes estados, usando empresas de fachada, transportadoras, entregadores e "laranjas" para ocultar a origem da mercadoria.

Segundo os investigadores, cerca de 25 empresas de fachada, distribuídas entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, integravam esse esquema. A apuração aponta que os medicamentos eram revendidos para hospitais privados e, em alguns casos, para instituições públicas de saúde, por meio de licitação na modalidade de tomada de preços. Ao oferecer preços menores aos praticados pelo mercado, o grupo conseguia, de acordo com a investigação, colocar de novo os medicamentos roubados na cadeia regular de fornecimento.