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Orla sem ambulantes e protestos: veja como foi o primeiro dia da operação Tolerância Zero
Prefeitura informa que 88 ambulantes foram abordados, além da apreensão de cinco triciclos, 11 carrocinhas e três veículos usados como depósitos irregulares; comerciantes fecharam duas faixas da Atlântica em manifestação
A operação Tolerância Zero, lançada pela Prefeitura do Rio para reforçar a fiscalização na orla da Zona Sul, abordou 88 ambulantes e apreendeu 108 bebidas e 136 alimentos sem comprovação de procedência ou nota fiscal no primeiro dia de ação. Segundo o balanço divulgado pelo município, também foram recolhidos cinco triciclos, 11 carrocinhas e três veículos utilizados como depósitos irregulares. Ao longo do dia, a presença ostensiva dos fiscais esvaziou o comércio ambulante em praias como Copacabana e terminou com um protesto de camelôs, que fecharam duas faixas da Avenida Atlântica no fim da tarde em defesa do direito de trabalhar.
Contexto:
No Centro do Rio:
O esquema de ordenamento começou ainda na madrugada, com a instalação de grades no caminho para a praia entre o Leme e o Leblon. Duplas de agentes da Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) passaram a controlar os acessos à orla e a reter produtos sem procedência comprovada. O plano do município prevê o emprego de 160 agentes nas ruas 24 horas, e 69 pontos de monitoramento.
A medida foi adotada após uma série de reportagens do GLOBO mostrar a desordem reinante no cartão-postal, cujo auge foi a quebra de um “pacto de não agressão” entre facções criminosas na disputa pelo controle da orla do Leme e de Copacabana.
Um funcionário da Seop informou que três caminhões carregados de apreensões foram usados da madrugada até o fim da manhã. A maior concentração de agentes da Secretaria de Ordem Pública e da Guarda Municipal foi vista em Copacabana, onde, além dos que se instalaram nas esquinas das vias que chegam à orla, pelo menos dez viaturas pararam diante do Hotel Copacabana Palace, em uma espécie de base.
Duplas nas esquinas
Duplas de fiscais também ocuparam os acessos à orla no Leblon e em Ipanema, nas esquinas das ruas Rita Ludolf, Bartolomeu Mitre, Afrânio de Melo Franco, Henrique Dumont e Gomes Carneiro. Veículos de patrulha trafegaram pela orla, e uma tenda foi instalada no Arpoador.
A manifestação de camelôs de ontem, que já havia acontecido na véspera, foi acompanhada por policiais militares e terminou de forma pacífica, com buzinaço diante do Copacabana Palace.
— Fomos proibidos de trabalhar. E ainda não existe diálogo com a prefeitura. O que queremos é poder trabalhar de forma organizada — disse o vendedor Júlio César Viana, de 43 anos.
Na Avenida Atlântica, no Leme, próximo à Praça Heloneida Studart, uma vendedora de quentinhas foi abordada por uma equipe da prefeitura, que recolheu a comida. No caso dos vendedores de milho e queijo coalho, há ainda a proibição, por um decreto do ano passado, do uso de gás ou carvão. Espetinhos também foram vetados.
Acostumado a dar expediente na Praia de Ipanema entre a tarde e a noite, José Wilton esteve no local pela manhã para acompanhar o início da fiscalização. Ele chegou a se ajoelhar diante de funcionários da prefeitura para pedir diálogo.
— Não vou conseguir trabalhar hoje — desabafou o vendedor de churros.
Quem seguiu trabalhando normalmente foi o vendedor de mate Artur Jorge Silva, no Arpoador há 20 anos. Ele conta que, após um passado de forte repressão, hoje trabalha com licença, desde que a atividade foi reconhecida como patrimônio cultural carioca, em 2012.
— Tinha que arrumar um meio de legalizar os outros ambulantes. Todo mundo precisa trabalhar — afirmou.
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