RJ em Foco
Venda de remédios falsos para tratamento de câncer a pacientes e hospitais é alvo de operação
Investigação revelou que empresa comandada por enfermeira e estudante de Direito oferecia produtos sem qualquer eficácia terapêutica
Um esquema de venda de remédios de alto custo falsos para tratamento de câncer em pacientes e hospitais entrou na mira da Polícia Civil do Rio. Na manhã desta quinta-feira, equipes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) cumpriram seis mandatos de busca e apreensão em endereços nos bairros de Guadalupe e Vista Alegre, na Zona Norte do Rio, onde foram apreendidos diversos medicamentos irregulares. Os responsáveis pela empresa que vendem a medicação, sem qualquer eficácia terapêutica, foram prolongados à especializada para prestar depoimento.
No Centro do Rio:
pac investigar:
A investigação, que resultou na Operação Placebo, começou após uma informação de indicação de inteligência a atuação da empresa de materiais médicos e hospitalares na oferta de um medicamento indicado para o tratamento de leucemia e linfoma. Durante as diligências, os agentes acompanharam as negociações realizadas pelos alvos e constataram que uma única caixa de recurso era oferecida por até R$ 34 mil, sempre mediante pagamento antecipado e sob o argumento de que a alta procura nos hospitais teria elevado o preço.
A fraude foi revelada depois que uma análise técnica concluiu que o produto era totalmente falso. O número do lote impresso na embalagem já existia nos registros de produção global do fabricante.
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A apuração policial também revelou que os responsáveis pelo esquema utilizam a própria formação profissional para dar aparência de legitimidade ao crime e atrair vítimas. Uma das investigadas e sócia do esquema é uma enfermeira especializada em auditorias de contas médicas e assuntos regulatórios. Ela utilizou seu conhecimento para burlar trâmites e gerenciar as vendas da empresa.
O companheiro dela, um estudante de Direito, era o segundo sócio. Ele tem um amplo histórico em licitações públicas e era responsável por operacionalizar as negociações. A DRCPIM apura, ainda, que a atuação de parentes ligados à área da saúde facilitava a circulação de produtos ilícitos em ambientes hospitalares.
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'Escritório simples'
Para escapar da fiscalização sanitária, os sócios afirmaram que a empresa funcionava apenas como um "escritório simples" administrativo, obtendo licença simplificada. Mas, na realidade, o imóvel operava, de acordo com a polícia, como depósito clandestino e centro de distribuição de medicamentos, sem qualquer controle de temperatura, armazenamento adequado ou autorização específica para esse tipo de atividade.
Os medicamentos apreendidos nesta quinta-feira, que eram comercializados sem a licença devida, o pesquisador será submetido a uma perícia para verificar sua origem.
Ligado a Doca e BMW:
A enfermeira e o estudante de Direito são investigados por crimes de falsificação, corrupção e adulteração de produto destinados a fins terapêuticos ou medicinais e delito considerado hediondo, além de crimes contra as relações de consumo.
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