RJ em Foco
Saiba quem é o membro da Al-Qaeda suspeito de relação com esquema de lavagem de dinheiro no Rio
A Polícia Civil detectou transação financeira entre o líder do esquema e o egípcio Haytham Ahmad Shukri Ahmad Al-Maghrabi, de 40 anos, classificado formalmente pelos EUA como membro do grupo terrorista
Ao desmantelar um esquema que lavava dinheiro para facções criminosas no Rio e em São Paulo nesta quarta-feira, a Polícia Civil manifestou a suspeita de ligação do grupo com a organização terrorista Al-Qaeda. Durante as investigações, a Polícia Civil detectou uma transação financeira entre o líder do esquema, o empresário libanês Reda Zayoun, preso em Foz do Iguaçu, e o egípcio Haytham Ahmad Shukri Ahmad Al-Maghrabi, de 40 anos, classificado formalmente pelos Estados Unidos como membro do grupo terrorista. Ele não foi alvo da ação desta quarta.
pac investigar:
Luto:
No dia 22 de dezembro de 2021, o Departamento de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), agência do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, é responsável por aplicar avaliações econômicas e comerciais em prol da segurança nacional e à política externa dos EUA, sancionados membros de uma rede baseada no Brasil de pessoas filiadas à Al-Qaeda e suas empresas por financiamento ao grupo terrorista. Uma das medidas da ação é o bloqueio de bens dos envolvidos. Na ocasião, os alvos foram três indivíduos e duas entidades. Entre eles, figurava Al-Maghrabi, como consta em comunicado publicado no site do governo americano.
Segundo afirmou um representante do governo americano à época, o objetivo era “negar o acesso do grupo ao sistema financeiro formal”, num esforço com parceiros estrangeiros, incluindo o Brasil, para desfazer as redes de apoio financeiro à Al-Qaeda.
Em Itaguaí:
Chegada ao Brasil em 2015
De acordo com o governo americano, Al-Maghrabi chegou ao Brasil em 2015, e foi um dos primeiros membros no país da rede bloqueada pelos Estados Unidos. Ele mantinha negócios, incluindo a compra de moeda estrangeira, com outro indivíduo filiado ao grupo terrorista e radicado no Brasil, trata-se de Ahmed Mohammed Hamed Ali, nomeado terrorista pelos EUA em 12 de outubro de 2001.
Apesar da investigação identificada, o delegado Pedro Brasil, titular da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), um dos responsáveis pela investigação, afirma que ainda não pode concluir que há, de fato, um vínculo entre o esquema e a Al-Qaeda.
Golpe da falsa renda extra:
— As informações em relação a essa ligação com o terrorismo ainda são muito embrionárias. Nossas investigações identificaram uma transação financeira entre um sancionado da OFAC (agência do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos) para financiar a organização terrorista Al-Qaeda e um dos investigados. Além disso, um dos irmãos da Reda já postou nas redes sociais uma bandeira do grupo Hezbollah. Então, são sinceros que apontam que pode haver uma ligação com organizações terroristas, mas isso ainda não foi comprovado — afirmou o delegado.
Lavagem em ara de celular
Apontado como líder de um esquema que lavava dinheiro para facções criminosas no Rio e em São Paulo, Reda Zayoun, empresário do ramo de celular, foi preso em Foz do Iguaçu na manhã desta quarta-feira. De acordo com a polícia, o libanês usava a Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, para contrabandear os produtos que alimentavam a organização criminosa.
Acervo será aberto à visitação:
— A Tríplice Fronteira é uma região considerada pelo governo americano como de atuação de grupos terroristas, principalmente para lavagem de dinheiro. É uma região muito sensível também porque, notoriamente, é uma porta de entrada para armas, munições e drogas, além de produtos de contrabando. Então, a atuação desse grupo nessa região nos chamou a atenção por ser uma região monitorada, ser uma região sensível e com forte vínculo com organizações criminosas atuantes no Brasil — explicou o delegado Pedro Brasil.
Reda é irmão de Kassem Zayoun e Yasser Zayoun, também integrantes do esquema e detidos em São Paulo, onde os três moram.
Dom Bertrand de Orléans e Bragança:
A lavagem de dinheiro, que beneficiou o Terceiro Comando Puro (TCP), o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), ocorria, principalmente, por meio de lojas de equipamentos de celulares e peças para esses aparelhos, embora houvesse a existência de outros ramos.
— Havia uma inserção de valores através de diferentes facções e esse dinheiro era usado para comprar, no exterior, peças e acessórios, que eram vendidos como se fossem legais. Eles declararam esses valores como sendo receitas de lucro das vendas. Além disso, foram identificados diversos depósitos fracionados, para tentar enganar a Receita Federal, e específicos do patrimônio para dificultar a investigação financeira — explicado o delegado.
Decisão judicial:
Os dez mandados de prisão foram todos cumpridos pela manhã. Foram quatro detenções na cidade do Rio, uma em Nova Friburgo, uma em Foz do Iguaçu, no Paraná, e uma em São Paulo. Entre os presos no Rio, estão Thierry Martins Lourenço Ribeiro, último a chegar à Cidade da Polícia, por volta das 8h30, e Bárbara Luzia Souza de Carvalho. Esta última foi encontrada nas proximidades do Morro São Carlos, na região central da capital fluminense.
— A Bárbara é proprietária de uma loja de celulares, onde foi bloqueada uma movimentação financeira muito grande, de mais de R$ 47 milhões num curto espaço de tempo e não compatível com a porta de suas negociações. Ele chegou a declaração de renda de R$ 880 por mês e já foi beneficiário de programas sociais. Então, essa entrega é incompatível com o patrimônio declarado. Já o Thierry é o contador do esquema. Ele fez toda uma manobra financeira para dar aparência lícita a um ativo ilícito — detalhou Pedro Brasil.
Vagas só por celular:
Entre os materiais apreendidos na operação desta quarta-feira, estão celulares, tablets, notebooks e automóveis. Outros itens encontrados apontam para outra vertente da quadrilha, até então não identificada pela investigação: o contrabando de cigarros eletrônicos e canetas emagrecedoras.
Zona Sul do Rio:
— Com as diligências de hoje, apreendemos um volume específico de canetas emagrecedoras, cigarros eletrônicos e convencionais, todos importados ilicitamente. Então, esse vai ser um novo braço da investigação, para entendermos como funciona essa conexão com o contrabando. Acreditamos que, por eles atuarem muito na fronteira com o Paraguai, este país possa ser uma porta de entrada desses produtos — destacou o delegado.
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