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Os flanelinhas chegam a cobrar R$ 100 pelo estacionamento, diz moradora da Lagoa

Bairro da Zona Sul será o primeiro a receber o sistema Rio Rotativo Digital na cidade

Agência O Globo - 14/07/2026
Os flanelinhas chegam a cobrar R$ 100 pelo estacionamento, diz moradora da Lagoa
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio, será o primeiro local da cidade a receber o novo sistema de estacionamento rotativo. O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) já afirmou, em abril deste ano, que o sistema tinha como objetivo central diferenciar o guardador de carros credenciado pela prefeitura do flanelinha que extorque os motoristas. De acordo com os dados do Portal 1746 Rio, a cidade já registrou quase 80 mil reclamações de fiscalização de estacionamento irregular de veículo entre janeiro a maio deste ano. A Zona Sul lidera o ranking das áreas com pouco mais de 18 mil reclamações. Os moradores estão felizes com a chegada do sistema.

Luto:

Vedação:

Com o novo sistema, que terá o projeto-piloto instalado na Lagoa a partir de sexta-feira (17 de julho), os talões de papel vão dar lugar ao aplicativo Jaé, que será usado para o controle das vagas e pagamento. Ao todo, serão 667 vagas distribuídas nas avenidas Borges de Medeiros e Epitácio Pessoas, nas proximidades dos clubes Caíçaras e Piraquês, e dos parques das Taboas, dos Patins e do Cantagalo. Motociclistas, idosos e pessoas com deficiência (PCD) também poderão estacionar nessas vagas.

Em decisão:

— Eu acho ótima a chegada do sistema — diz Neli Goston, de 71 anos —. Os estacionamentos dos parques são bem caros, né? E, além disso, ainda têm os flanelinhas no canteiro central que cobram R$ 100 pelo estacionamento. Na época do Natal, quando tem a árvore da Lagoa, eles cobram um preço absurdo aos motoristas — conta ela, que mora no bairro há 50 anos e, atualmente, também é diretora da Associação de Moradores Amofonte —. E é quase uma ameaça, né? Ou paga ou tem o carro riscado. É perigoso.

A tarifa adotada pelo Rio Rotativo Digital seguirá a de R$ 2 por duas horas de permanência, podendo ser renovada por até seis horas. Os estacionamentos funcionarão diariamente, das 7h às 23h. Atualmente, os motoristas que precisam estacionar nos parques das Taboas, dos Patins e do Cantagalo, que são administrados pela empresa RIO2PARKING ESTACIONAMENTOS, pagam R$ 20 por hora, de segunda a sexta-feira. O valor rotativo da diária pode chegar até R$ 75, com o horário das 6h30 às 23h. Aos sábados, domingos e feriados, o valor da hora é de R$ 18.

— Se a prefeitura colocar este sistema aqui será bem melhor, né? A tarifa atual é muito cara, R$ 20 por hora nos dias de semana — suspira aliviado o dono de uma empresa de gelo que estaciona o caminhão no Parque das Taboas. — Eu já estaciono o veículo aqui há quase três anos, apesar de não me sentir tão seguro porque o estacionamento não tem cancela, câmeras ou algum fiscal, além do guarda que fica ali na guarita. Mas é melhor do que deixar na rua — diz ele que não quis se identificar. — Atualmente, eu pago uma mensalidade entre R$ 700 e R$ 800 só no estacionamento. É muito, né?

Rioprevidência:

De acordo com a prefeitura, o contrato que permite a exploração privada desses estacionamentos será encerrado. E a Superintendência de Patrimônio do Município do Rio já notificou o permissionário dos estacionamentos no entorno da Lagoa sobre a revogação da permissão de uso do terreno e desocupação da área. A empresa tem até amanhã (dia 15 de julho) para sair do local. Com isso, as vagas passarão a integrar o Rio Rotativo Digital, com tarifa de R$ 2 por período.

Segundo o guardador que estava no estacionamento do Parque das Taboas, o local possui 22 vagas e tem em média de 3 a 5 carros de segunda a sexta. Nos fins de semana, o número aumenta.

— É difícil chegar a 10 carros durante a semana, mas aos sábados e domingos fica bem cheio, cerca de 20 carros estacionam aqui.

Facção na mira:

Entre as expectativas dos moradores com a chegada do sistema está a fiscalização dos estacionamentos. De acordo com a prefeitura, os guardadores cadastrados vão ajudar o município a colocar informações sobre a ocupação das vagas. Além disso, de acordo com o decreto publicado, a atuação inclui aferir a regularidade da utilização das vagas e do pagamento da tarifa.

Questionamento:

Esses guardadores transformados em agentes de fiscalização, no entanto, não poderão cobrar pelo uso do estacionamento, nem terão poder de aplicar multas. Em caso de alguma cobrança, conduta intimidatória ou constrangedora, ou atuação fora da área para a qual estejam habilitados a trabalhar, o profissional pode ser suspenso e alvo de processo administrativo.

Operação Unha e Carne:

*Estagiária sob supervisão de Leila Youssef