RJ em Foco

Fé contra a violência: religiões se unem em campanha contra o feminicídio

Lideranças de diferentes tradições religiosas e representantes do poder público participaram da primeira reunião da campanha 'Não ao Feminicídio – Mulher Luz da Humanidade'

Agência O Globo - 14/07/2026
Fé contra a violência: religiões se unem em campanha contra o feminicídio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro sediou, nesta segunda-feira, a primeira reunião de planejamento da campanha "Não ao Feminicídio – Mulher Luz da Humanidade" , iniciativa que reúne lideranças religiosas, autoridades públicas, representantes do sistema de Justiça e membros da sociedade civil para estruturar ações de prevenção ao feminicídio e de acolher mulheres em situação de violência. O encontro foi presidido pelo cardeal Orani João Tempesta, arcebispo metropolitano do Rio.

Promovida pelo Instituto Religare, pela Comissão Diálogo e Paz, pela Expo Religião e pela Arquidiocese do Rio, uma campanha que pretende mobilizar diferentes segmentos da sociedade em torno de ações de prevenção ao feminicídio, acolhimento às vítimas e promoção da dignidade da mulher. Durante a reunião, foram definidos os primeiros grupos de trabalho, as responsabilidades das instituições participantes e o cronograma das próximas etapas da iniciativa.

Entre as propostas discutidas estão a criação de uma rede inter-religiosa de acolhimento para mulheres em situação de violência, com templos religiosos funcionando como pontos de primeira escuta e orientação, o fortalecimento da articulação com órgãos públicos de proteção às mulheres e o apoio ao aperfeiçoamento de mecanismos de monitoramento de agressores, como o uso de tornozeleiras eletrônicas nos casos previstos na lei.

A reunião conta com representantes da Igreja Católica, de igrejas evangélicas, do espiritismo, judaísmo, islamismo, fé bahá'í, Hare Krishna, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, umbanda, religiões de matriz africana, xamanismo e tradição de Ifá. Também participaram representantes do Ministério Público, da Polícia Civil, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de instituições ligadas à defesa dos direitos das mulheres.

Segundo a Arquidiocese, dom Orani afirmou que a defesa da vida e da dignidade da mulher "exige união entre instituições públicas, comunidades de fé e sociedade civil" , e destacou que as religiões podem contribuir para a promoção da cultura da paz, a prevenção da violência e o acolhimento às vítimas.

Ainda conforme a nota, ao fim do encontro, os participantes "reafirmaram o compromisso de construir uma campanha permanente" e anunciaram que a próxima etapa será a consolidação das equipes temáticas e o lançamento das primeiras ações públicas da iniciativa.