RJ em Foco
Ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, é solto no Rio
Detenção ocorreu em mais uma etapa de investigação sobre a ligação de agentes públicos com organizações criminosas
Preso por porta ilegal de arma de uso restrito, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella foi solto neste sábado. A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) do Rio de Janeiro recebeu, esta manhã, uma notificação oficial do Supremo Tribunal Federal (STF) para a liberação de Canella. O político, também pré-candidato ao Senado pelo União Brasil , com o apoio de Flávio Bolsonaro , foi alvo da Operação Unha e Carne , que visa a ligação de agentes públicos com organizações criminosas.
Audiência na próxima segunda-feira:
não é Unha e Carne:
Canella foi presa na última quarta-feira (8), flagrada com um fuzil na mala do carro. Após passar por audiência de custódia, ele foi transferido para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, unidade conhecida como Bangu 8 .
É decisão do ministro Alexandre de Moraes , do STF, tomada na noite de sexta-feira, que concederá liberdade ao político. O ex-prefeito deverá usar tornozeleira eletrônica. De acordo com a Seppen, os trâmites internos já estão sendo seguidos para sua solução.
A defesa política do político se posicionou, neste sábado, por meio de nota: “A prisão não se sustentava, uma vez que uma arma encontrada em seu veículo era legalizada e registrada em nome de sua segurança”. O advogado Pierpaolo Cruz Bottini também informou que "todos os documentos foram apresentados ao Supremo Tribunal Federal, que subsidiaram a correta decisão. Canella continua à disposição para prestar todos os esclarecimentos à investigação".
Movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões:
A sexta fase da Operação Unha e Carne visa desarticular uma quadrilha suspeita de usar postos de gasolina para lavar dinheiro. A operação teve origem em um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta uma movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por uma rede de postos. Inicialmente, Canella era apenas alvo de busca e apreensão. O delegado Marcus Amim , ex-secretário da Polícia Civil do Rio, também é investigado.
Foram cumpridos mandatos de busca e apreensão, determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em 19 endereços na capital e em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A Polícia Federal apreendeu 11 carros de luxo — entre eles, uma Mercedes-Benz avaliou em R$ 1,5 milhão. Em uma empresa em Niterói, foram encontrados cerca de R$ 800 mil em espécie. Um PM também foi preso por porte de arma na casa de um dos investigados.
Ação repercute nas redes:
Delegado também é investigado:
Os investigados poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. A Unha e Carne está no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II , iniciativa coordenada pela PF por determinação do Supremo Tribunal Federal dentro da ADPF das Favelas, a ADPF 365.
Carta dominó:
Marcus Amim ficou à frente da Polícia Civil entre 2023 e 2024. Nos bastidores, sua indicação ao cargo é atribuída a Canella e ao ex-presidente da Alerj, o deputado Rodrigo Bacellar , hoje cassado e preso. Para que Amim pudesse assumir inicialmente a secretaria, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) precisou alterar uma lei, já que ele não possuía o ritmo de carreira exigido. Antes, Amim esteve na presidência do Detran-RJ e levou vários policiais para o órgão.
Pablo Jukiá Felix Ferreira , citado na sexta fase da Unha e Carne, era um deles. Em setembro de 2024, o então governador Cláudio Castro exonerou Amim porque estaria “descontente” com o trabalho dele na Secretaria de Polícia Civil. Uma semana depois, o delegado já estava na Alerj, onde ficou como chefe de segurança até dezembro do ano passado. Segundo o Jornal Nacional, as investigações apontam que Amim seria dono de duas lojas de conveniência em postos de combustíveis.
Novo no Rio?
Bonde da milícia :
Conhecido como Pablo Russo , Pablo Jukiá Felix Ferreira integrou a equipe de Marcus Amim em diversas delegações. Hoje ele está lotado na 81ª DP (Itaipu). O rendimento líquido de quase R$ 10 mil por mês da polícia chamou a atenção da PF porque um levantamento apontou o agente como proprietário oculto de uma rede de postos de gasolina, que envolvia 80 empresas em nome de laranjas.
Outro investigado é o ex-PM Juracy Alves Prudêncio , conhecido como Jura, acusado de chefiar um grupo de milicianos na Baixada Fluminense. Preso em 2009 pela associação criminosa e homicídio, ele foi condenado a mais de 20 anos de prisão. Acusado de chefiar o Bonde do Jura , citado no relatório da CPI das Milícias (2008), o ex-policial apareceu em fotos de campanha ao lado de Daniela Carneiro , a Daniela do Waguinho, e de Canella, no período eleitoral de 2018, quando estava em regime semiaberto. Jura foi excluído da Polícia Militar em 2011.
Procuradas, as defesas de Amim, Russo e Juracy não deram retorno ou não foram localizadas. A Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que instaurou uma investigação para apurar os factos.
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