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Veja o que vai ter no novo Cine Vaz Lobo, que receberá investimento de R$ 19 milhões
Cinema, teatro e espaços para atividades culturais fazem parte do projeto para recuperar um dos maiores símbolos da Zona Norte
O histórico Cine Vaz Lobo, um dos maiores símbolos da memória cultural da Zona Norte, está prestes a iniciar uma nova fase. Fechado há décadas, o prédio será transformado em um equipamento cultural multiuso, com cinema, teatro e espaços voltados a atividades culturais e comunitárias. O anúncio foi feito na semana passada pelo prefeito Eduardo Cavaliere, durante visita ao imóvel, e prevê investimento de R$ 19 milhões na desapropriação, restauração, aquisição de mobiliário e instalação dos equipamentos.
Segundo a prefeitura, após a incorporação definitiva do imóvel ao patrimônio municipal, serão elaborados os projetos técnicos e realizados os processos de contratação para a recuperação do prédio.
Para os historiadores que acompanham a trajetória do antigo cinema e integram o Movimento Cine Vaz Lobo – Preservação, Cultura e Memória (MCVL), o anúncio representa um marco importante na história do edifício. Ao mesmo tempo, eles defendem que o futuro equipamento preserve a identidade que transformou o prédio em referência cultural da Zona Norte.
Um dos articuladores do movimento, Ronaldo Luiz Martins, afirma que a desapropriação representa a terceira grande conquista da mobilização iniciada há mais de uma década.
— Há muito tempo tínhamos a expectativa da desapropriação do Cine Vaz Lobo. Desde o início do governo Eduardo Paes existia esse compromisso, mas era necessário aguardar a aprovação dos recursos. Recebemos essa notícia como mais um passo para concretizar o projeto do Centro Cultural Cine Vaz Lobo de Artes Cênicas, Áudio e Vídeo. Antes disso, conseguimos impedir a demolição do prédio durante as obras da Transcarioca e, depois, o tombamento do imóvel como patrimônio histórico da cidade — afirma.
Segundo Martins, a expectativa é que a desapropriação seja apenas mais uma etapa para que o prédio volte a cumprir sua vocação cultural.
— Nossa expectativa é a criação do centro cultural. O projeto foi elaborado pelo movimento com assistência técnica da arquiteta e urbanista Fernanda Costa e entregue à Secretaria Municipal de Cultura em 2014. Além dele, existem pelo menos outros três projetos desenvolvidos como trabalhos de conclusão de curso da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ com o mesmo objetivo de recuperar o antigo cinema.
Integrante do movimento e do Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá (IHGBI), a historiadora Maria Celeste Ferreira explica que a proposta vai além da restauração do prédio.
— Nossa proposta é que o Cine Vaz Lobo seja um centro cultural voltado às artes cênicas e ao audiovisual. Pensamos em escola de cinema, cineclube, preservação da memória, produção cultural e promoção do cinema. Não apenas uma sala de exibição comercial, porque isso já existe nos shoppings.
O projeto apresentado pelo Movimento Cine Vaz Lobo à Secretaria Municipal de Cultura propõe a criação de um centro cultural dedicado à formação, produção e difusão cultural. A proposta prevê a recuperação do prédio para abrigar uma sala principal de cinema e teatro com capacidade para cerca de 700 espectadores, preservando elementos originais do antigo cinema, como o palco, as sancas de iluminação, o forro acústico, os camarotes e outros detalhes arquitetônicos.
Estão previstas também uma sala multiuso para 300 pessoas e duas salas adicionais, no mezanino, com capacidade para até 200 pessoas cada, destinadas a exibições, palestras, seminários e outras atividades culturais.
O projeto ainda propõe a adaptação dos antigos apartamentos para salas de cursos, estúdios de edição de áudio e vídeo, áreas administrativas e um centro de tecnologia da informação, além da transformação das antigas lojas em espaços para oficinas de dança, biblioteca, museu digital, cafeteria e atividades de formação artística.
A equipe de reportagem perguntou à prefeitura se o projeto elaborado pelo Movimento Cine Vaz Lobo servirá de base para a recuperação do imóvel ou se será desenvolvido um novo projeto. Até a publicação desta reportagem, a administração municipal não havia respondido aos questionamentos.
Para o historiador André Teixeira, que mantém um amplo acervo histórico sobre o Cine Vaz Lobo e sua relação com o bairro, a reabertura também representa uma oportunidade de fortalecer a educação patrimonial.
— O espaço pode aproximar as pessoas da história do cinema, do prédio e do próprio bairro. É importante criar visitas guiadas, preservar esse acervo e valorizar a dimensão afetiva que o Cine Vaz Lobo tem para quem viveu esse lugar e para as novas gerações.
O movimento também defende que o futuro equipamento mantenha uma ligação direta com o cinema e o audiovisual, reafirmando o uso social e cultural do edifício.
Enquanto o prédio permanecia fechado, sua história continuou sendo registrada em documentários. Há mais de uma década, o professor e documentarista Luiz Claudio Lima, fundador do Cineclube Subúrbio em Transe, pesquisa os antigos cinemas de rua da Zona Norte e produz filmes sobre a memória desses espaços.
Neste ano, Lima e Maria Celeste Ferreira lançaram o documentário Memórias do Cine Vaz Lobo, que reúne as lembranças de um antigo frequentador do cinema. Em 2025, o curta Que cinema é esse? — Cine Vaz Lobo, dirigido por Lima, foi exibido na Mostra de Tiradentes (MG). Já em 2015, o Cineclube Subúrbio em Transe, junto com diversos coletivos suburbanos, participou de um mutirão audiovisual que resultou no documentário Cine Vaz Lobo.
Ao comentar a recuperação do imóvel, o documentarista destacou a expectativa de que o prédio volte a receber atividades ligadas ao cinema.
— Esperamos ver esses filmes sendo exibidos dentro do próprio Cine Vaz Lobo, junto com todos os coletivos que participaram e participam da valorização da cultura suburbana. Que essa história tenha um final feliz para a população suburbana.
No entorno do imóvel, a proposta prevê a reurbanização da área com a criação de uma praça arborizada, equipamentos de lazer e um teatro de arena, formando um espaço público voltado à convivência, aos encontros e às manifestações culturais, sem abrir mão da preservação da fachada art déco e das principais características arquitetônicas do edifício.
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