RJ em Foco

Colégio abre investigação interna sobre lista sexual de alunas; Polícia também apura o caso

Instituição de ensino, localizada em Jacarepaguá, emitiu um comunicado a pais e responsáveis, onde afirma que acolheu vítimas

Agência O Globo - 10/07/2026
Colégio abre investigação interna sobre lista sexual de alunas; Polícia também apura o caso
Polícia Civil - Foto: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil

A direção do Colégio Cruzeiro emitiu um comunicado aos pais e responsáveis, nesta sexta-feira, sobre o episódio envolvendo uma lista elaborada por estudantes da unidade de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. A instituição de ensino afirmou ter aberto uma diligência interna, paralelamente às investigações da Polícia Civil.

No texto, a direção lamenta o episódio e diz que ele extrapolou os muros escolares e se tornou um crime digital . "A proteção de crianças e adolescentes na internet ganhou novos contornos com a regulamentação da ECA Digital, que reforça direitos, deveres e cuidados nas redes. Em consonância com a legislação brasileira, o Colégio Cruzeiro atuou no âmbito penal. Denunciamos a ação às autoridades competentes, exigimos e obtivemos a remoção imediata do conteúdo da plataforma. No âmbito escolar, acolhemos as alunas que foram vítimas e comunicamos como famílias", afirma o comunicado.

O texto diz ainda que o colégio disponibilizou assistência jurídica para os responsáveis ​​pelas vítimas e que as famílias interessadas devem fazer contato diretamente com a direção. “Diante dos questionamentos sobre a proteção dos responsáveis, esclarecemos que, por se tratar de uma lista anônima, a autoria ainda é desconhecida”, destaca. A direção afirma ainda que colabora com as investigações, que são acompanhadas pela escola.

A direção diz que promove campanhas de conscientização sobre temas críticos da sociedade contemporânea — como misoginia, racismo, cyberbullying e homofobia, entre outros —, por meio de palestras, debates e rodas de conversa para responsáveis, alunos e colaboradores. E ainda que disponibilizou a cartilha do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital.

"Apesar de todos os nossos esforços pedagógicos, entendemos que o mundo digital é um desafio para todos nós. Precisamos enfatizar, porém, que a internet possui leis, regras e está imposta ao Código Penal. Não se trata de um território sem restrições. Acreditamos que a atuação conjunta entre escola e família é fundamental para garantir que nossas crianças e adolescentes utilizem uma tecnologia de forma consciente e segura", afirma o comunicado.

A lista em imagens elaborada pelos estudantes, à qual o site g1 teve acesso, cita pelo menos 65 meninas e tinha expressões como "Goat" — sigla em inglês para Greatest of All Time (melhor de todos os tempos), "comeria no lucro", "Bêbado vai", "Me arrependi depois" e "Nem olharia". Imagens dela circularam entre alunos antes de serem retiradas da plataforma.

O caso levou ao registro de ocorrências em delegacias da região de Jacarepaguá e resultou na abertura de um inquérito pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav). A unidade já ouviu testemunhas e pessoas ligadas ao episódio.

De acordo com a polícia, os envolvidos, todos os menores de idade, poderão responder por atos infracionais analógicos aos crimes de injúria, difamação e submissão de adolescentes a vexame e constrangimento. No entanto, outras infrações poderão ser incluídas ao longo da apuração da Dcav.