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Observação de baleias no Rio e em Niterói terá selo em embarcações para disciplinar atividade

Parceria entre a Secretaria municipal de Turismo do Rio e a Neltur tem objetivo de garantir ao mesmo tempo a proteção do animal e a segurança de tripulantes e passageiros.

Agência O Globo - 10/07/2026
Observação de baleias no Rio e em Niterói terá selo em embarcações para disciplinar atividade
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Vindas da gélida Antártica, as baleias jubarte são uma presença marcante nas águas quentes do Brasil entre junho e novembro, período de reprodução, nascimento e amamentação dos filhotes. Com o turismo de observação da espécie cada vez mais em alta, as prefeituras do Rio e de Niterói criaram um selo para certificar as embarcações que realizam expedições desse tipo nas duas cidades. O objetivo é garantir ao mesmo tempo a proteção do animal e a segurança de tripulantes e passageiros.

Fruto de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Turismo do Rio (SMTUR) e a Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur), o projeto inclui a capacitação de mestres de embarcação e de seus proprietários, além de outros personagens da cadeia produtiva do turismo, como guias, agências e hotéis, num esforço para garantir o ordenamento e a sustentabilidade da observação da vida marinha. O treinamento é oferecido pela ONG Amigos da Jubarte. Ao final, os profissionais também são certificados.

— Há uma capacitação teórica, com foco na biologia e ecologia desses animais, conscientizando sobre a sua importância para o ecossistema marinho, para o planeta como um todo e para nós enquanto sociedade. Falamos do histórico da caça e como as baleias são impactadas negativamente pelas atividades humanas. Todo esse conteúdo é repassado durante um dia inteiro de treinamento. Posteriormente, fazemos a parte prática, com a aula de ecologia a bordo de uma embarcação — detalha o ambientalista Thiago Ferrari, diretor da ONG.

Uma das capacitações em campo vai acontecer amanhã, pela manhã. O roteiro abrange as ilhas Pai e Mãe, em Niterói; e Rasa, Redonda e Cagarras, no Rio, onde há grande ocorrência dessa espécie. O projeto de conservação da jubarte elaborou uma cartilha informativa destacando as boas práticas de navegação na observação do mamífero.

— É preciso manter a distância de cem metros da baleia, ou de duzentos metros, se ela estiver com seu filhote. Não se pode observar por mais de 30 minutos o mesmo grupo, para não estressar o animal. Recomenda-se que no máximo duas embarcações observem um mesmo grupo ao mesmo tempo. Se você estiver numa terceira embarcação, aguarde os 30 minutos, para que uma delas se afaste e você se aproxime. Jamais pratique natação ou mergulhe em área de baleia. Apesar de ser um animal muito dócil, é muito grande, pesado e pode machucar. As baleias são curiosas, então, às vezes vêm investigar o barco. A orientação é manter o motor em neutro ligado, porque ela se orienta pelo ruído, e vai se aproximar sabendo que há um objeto ali, evitando colisão. Depois que ela se afasta cinquenta metros, você segue pelo lado oposto — orienta Thiago.

Treze embarcações de Rio e Niterói já receberam o selo, que tem validade de um ano, e um adesivo com a inscrição “Certificado turismo de observação de cetáceos”. Algumas expedições feitas por esses barcos já certificados contam com um pesquisador da Amigos da Jubarte, que transmite aos turistas conceitos de educação ambiental.

Para conquistar a chancela, a embarcação deve estar homologada para transporte de passageiro pela Capitania dos Portos e dispor de itens de segurança, como botes salva-vidas, sinalizadores e radiocomunicadores. A tripulação deve estar com a documentação em dia.

— O turismo de observação de baleia é uma importante e potente ferramenta de conservação da espécie, se feito de forma sustentável e ordenada. É o momento em que conseguimos aproximar a sociedade desse verdadeiro tesouro natural que está na nossa costa. E as pessoas só preservam aquilo que elas conhecem — observa o Thiago Ferrari.

Além de Amigos da Jubarte, SMTUR e Neltur, o grupo de trabalho para a criação do selo, que fez um mapeamento da incidência da espécie, incluiu Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Capitania dos Portos.

— A Capitania, ao ver esse selo, entende que aquela embarcação foi certificada para boas práticas de navegação — explica Bruno Bento, presidente da Neltur. — Há um esforço muito grande para um ordenamento e conscientização das pessoas, a fim de que possamos desenvolver um turismo sustentável, perene, que gere emprego e renda e, mais do que isso, preservação para esses animais.

Além das embarcações motorizadas, recentemente a observação passou a ser promovida por clubes de canoa havaiana. Um próximo passo do projeto é elaborar um protocolo de segurança adaptando as boas práticas para essa modalidade. Dona do clube Dihva'a, na Praia de Botafogo, Diana Tavares, de 40 anos, passou por treinamento recente com a Amigos da Jubarte. Ela liderava um grupo a bordo de uma canoa que avistou um espécime na Baía de Guanabara, na semana passada.

— Junto com a gente havia mais umas 30 canoas. Ela nos rodeava e passava por debaixo. Como nós não temos motor, precisamos fazer barulho com o remo para ela notar nossa presença e não se chocar com a gente. Isso eu aprendi depois da capacitação. Não tinha noção do perigo. A única sensação foi de encantamento. Vamos trabalhar para uma interação mais consciente, evitando estressar o animal e nos colocar em risco — conta Diana.