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Quem é a 'mulher da mala' que sacou R$ 3 milhões em dinheiro no esquema do Instituto Rio Metrópole, segundo o MP

Caroline Soares Barros foi flagrada com R$ 500 mil em espécie sob escolta armada, episódio que deu origem à investigação

Agência O Globo - 09/07/2026
Quem é a 'mulher da mala' que sacou R$ 3 milhões em dinheiro no esquema do Instituto Rio Metrópole, segundo o MP
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: OpenAI (GPT Image)

A investigação que culminou na operação desta quinta-feira contra uma autarquia do governo do estado começou com uma abordagem policial a Caroline Soares Barros . Em 9 de janeiro deste ano, ela foi flagrada transportando R$ 500 mil em espécie, dinheiro sacado de uma agência bancária em Teresópolis e levado sob escolta armada de vigilantes privados. A partir da apreensão do dinheiro, da quebra de sigilo e da análise do computador da investigada, o Ministério Público afirma ter desvendado uma organização criminosa que fraudava licitações, direcionava contratos públicos e lavava recursos desviados do instituto.

Instituto Rio Metrópole:

Em nota, o Governo do Estado informou que a operação desta quinta-feira teve origem em auditorias da Controladoria-Geral do Estado (CGE) e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) , que apontaram declarações de irregularidades em contratos do Instituto Rio Metrópole (IRM). O governo afirmou que encaminhou os relatórios ao Ministério Público e destacou que a atual diretoria do instituto foi nomeada na gestão de Cláudio Castro, com mandato até dezembro de 2026.

Para o Ministério Público, Caroline é uma das personagens centrais do esquema e recebe o apelido de "a mulher da mala" . Segundo os promotores, cabia a ela retirar os recursos do sistema financeiro. A acusação sustenta que ela presidia o Instituto Brasileiro de Orgânicos (Instituto BIO) , entidade que recebeu repasses de empresas contratadas pelo IRM, transferia quase todo o dinheiro para sua conta pessoal, realizou saques em espécie e transportou os valores para destino desconhecido, dificultando o rastreamento de recursos públicos.

Comunidade do Muquiço:

Presa na operação desta quinta-feira ao lado do presidente do IRM, Davi Perini Vermelho , do diretor Franquis Dias Nepomuceno e de outros membros da cúpula da autarquia, Caroline é apontada pelo Ministério Público como membro da organização criminosa que teria fraudado licitações, contratos públicos direcionados, aditivos inflados e lavado por meio de empresas privadas e de uma entidade sem estrutura operacional.

Segundo a investigação, entre maio de 2025 e janeiro de 2026, Caroline realizou 13 saques , totalizando R$ 3.025 milhões em dinheiro vivo. Duas retiradas chegaram a R$ 500 mil cada. Para os promotores, a retirada sistemática do dinheiro vivo era uma forma de dificultar seu rastreamento.

Petição:

A denúncia sustenta que Caroline ocupava uma posição estratégica porque acumulava cargos. Desde 2022, ela exerceu carga comissionada no Instituto Rio Metrópole e foi fiscal dos contratos firmados com as empresas Engeconsult e R. Peotta , justamente da mesma forma que, segundo o MP, posteriormente transferiam recursos para o Instituto BIO, entidade presidida por ela. Para o investigador, quem deveria fiscalizar a execução dos contratos era, ao mesmo tempo, responsável pela instituição que recebia parte do dinheiro pago às contratadas.

Na avaliação do Ministério Público, o Instituto BIO funcionava como uma entidade de fachada . A denúncia afirma que a instituição não possuía funcionários registrados e não apresentava estrutura compatível com os milhões de reais que recebeu em contratos de consultoria.

Governador em exercício:

Outro elemento considerado relevante pelo pesquisador foi o material encontrado no computador de Caroline durante as buscas. Segundo a denúncia, havia arquivos editáveis ​​de relatórios apresentados pelas empresas contratadas ao IRM, documentos internos de processos administrativos da autarquia e propostas técnicas utilizadas nas licitações. Para o Ministério Público, o conteúdo reforça a tese de que os membros do grupo compartilhavam documentos que deveriam permanecer separados entre contratantes e contratadas.

Ao descrever a função exercida por Caroline, os promotores afirmam que ela era o elo entre o dinheiro público desviado e seu destino final.

Preso em flagrante:

O GLOBO está tentando contato com a defesa de Caroline e ainda não conseguiu retorno.