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Facções cobram até R$ 300 por dia de ambulantes nas praias do Rio; faturamento com 'logística criminosa' chega a R$ 100 milhões

Após Programa de Tolerância Zero anunciado pela prefeitura, camelôs organizaram protesto em frente à sede do município

Agência O Globo - 08/07/2026
Facções cobram até R$ 300 por dia de ambulantes nas praias do Rio; faturamento com 'logística criminosa' chega a R$ 100 milhões
Facções cobram até R$ 300 por dia de ambulantes nas praias do Rio; faturamento com 'logística criminosa' chega a R$ 100 milhões - Foto: Andrew Matthews/PA via AP.

A prefeitura do Rio anunciou nesta semana a criação do Programa Tolerância Zero , para fazer frente à exploração irregular do espaço público nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, todas na Zona Sul do Rio. À medida que se deu após uma série de reportagens do GLOBO, publicada no último domingo, que mostrou a desordem presente no calçadão e na areia, além da exploração por facções criminosas tanto da venda de drogas quanto da exploração do comércio ambulante. Segundo Marcos Belchior, secretário municipal da Ordem Pública do Rio, essa atuação de criminosos foi identificada pelo poder público.

Audiência na próxima segunda-feira:

não é Unha e Carne:

— Algumas facções criminosas chegam a cobrar de R$ 200 a R$ 300 por dia por pontos de venda no calçadão da nossa orla — detalhou o secretário nesta terça-feira, durante coletiva que anunciou o programa.

Ainda segundo Belchior, que esteve ao lado do prefeito Eduardo Cavaliere e do secretário estadual de Segurança Pública, Victor Santos, a logística criminosa , que envolve também a locação de depósitos para os ambulantes e equipamentos, movimenta cerca de R$ 100 milhões por ano.

Na Avenida Brasil:

Segundo a prefeitura, o programa deve ser entregue no próximo dia 16, com atuação 24 horas por dia. Serão implementadas patrulhamento ostensivo, pontos de controle de acesso, ações preventivas, apreensão de mercadorias sem comprovação de origem e combate aos depósitos clandestinos.

Ao todo, 22 depósitos clandestinos foram identificados na região. Em decreto publicado em Diário Oficial nesta terça-feira, o município despropriou dois imóveis, um em Copacabana e outro em Ipanema, para que ali sejam instalados depósitos.

Sobre custos e gésicos:

Caixas de som nas alturas da madrugada, ocupação irregular do calçadão e comércio ilegal: esse cenário foi retratado em uma série de reportagens do GLOBO. No último domingo, O GLOBO também revelou que desmoronou o “pacto de não agressão” entre o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Comando Vermelho (CV) no calçadão e na faixa de areia do Leme e Copacabana.

O cartão-postal virou palco de brigas, perseguições, revistas em celulares e até homens armados. Em jogo, o lucro com a venda de drogas e a exploração do comércio ambulante, conforme mostrado pela GLOBO.

Greve dos ônibus:

Manifestação na porta da prefeitura

Nesta quarta-feira, uma manifestação na porta do Centro Administrativo São Sebastião, sede da prefeitura do Rio, na Cidade Nova, foi organizada pelo Movimento Unido dos Camelôs (MUCA). Com cartazes, faixas, bandeiras e até panelas, o grupo se posicionou na Avenida Presidente Vargas e chegou a se sentar no asfalto, embaixo da passarela do metrô. O trânsito é intenso na chegada ao Centro, seja pela Praça da Bandeira ou pela Leopoldina.

Segundo Maria dos Camelôs, coordenadora-geral do MUCA, o decreto se dá em meio a um período de negociação entre os ambulantes e a prefeitura. A requisição dos camelôs, segundo ela, é de regularização dos trabalhadores e fiscalização.

Retomada de:

— A prefeitura criminaliza os camelos quando diz que os camelos estão ali e compactando com o tráfico, com o roubo, com as coisas erradas que acontecem no espaço. Pegar todo o mundo e colocar no mesmo saco: a gente não vai permitir isso — observa Maria. — Dizer que no meio dos camelôs tem gente que rouba celular, se tem, não é problema nosso, é problema do Estado. Então (que o Estado) vai investigar e vai tirar (os criminosos da rua), mas não dá para colocar todo o mundo no mesmo lugar e tirar todo o mundo, dizendo que está todo mundo errado.

Ainda segundo ela, durante essa negociação iniciada neste ano, tratava-se de um mapeamento de pontos na Zona Sul em que ambulantes poderiam se instalar. Além das restrições à orla, outra reclamação dos camelôs é referente à região da Escadaria Selarón, na Lapa, ponto de concentração de turistas. O espaço passará por uma revitalização, anunciada pelo município na semana passada.

Ação repercute nas redes:

Um bom exemplo, cita Maria dos Camelôs, vem de quando a prefeitura atendeu as consultas dos ambulantes e cadastrou 198 trabalhadores que atuavam na região da Uruguaiana, no Centro. Segundo ela, 75 foram autorizados a atuar no local pelo município (número menor do que o esperado pelo MUCA).

A regularização associada à fiscalização atuante fez quem fazia cobrança semanal em cima dos ambulantes pelo uso do espaço público em Uruguaiana, completa a representante do Movimento dos Camelôs.