RJ em Foco

Saiba quem é o chefe do tráfico do Muquiço, favela onde policiais civis foram baleados

Bruno da Silva Loureiro, o Coronel do Muquiço, foi preso no mês passado, enquanto estava internado no Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari

Agência O Globo - 08/07/2026
Saiba quem é o chefe do tráfico do Muquiço, favela onde policiais civis foram baleados
Polícia Civil do Rio de Janeiro

O intenso tiroteio que fechou a Avenida Brasil e deixou dois policiais civis feridos na manhã desta quarta-feira ocorreu na comunidade do Muquiço, em Guadalupe, área dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). A região tem como principal chefia criminosa Bruno da Silva Loureiro, de 43 anos, conhecido como Coronel do Muquiço, preso no mês passado no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, onde estava internado para tratar uma infecção. Chefe do tráfico na comunidade que fica entre Guadalupe e Deodoro, ele é acusado de ordenar execuções, controlar territórios do Terceiro Comando Puro (TCP) e figura em investigações de crimes marcados pela extrema violência, entre eles o assassinato de uma jovem de 22 anos que teria sido espancada até a morte após se recusar a sair com um traficante durante um baile funk na Zona Oeste.

Entre os crimes atribuídos a ele está a morte de Sther Barroso dos Santos, de 22 anos, assassinada após se recusar a sair com um traficante durante um baile funk em Senador Camará, em agosto do ano passado.

Segundo parentes e a investigação da Polícia Civil, a jovem participava da festa quando foi abordada por um criminoso ligado ao tráfico. Após a recusa, teria sido retirada do local por traficantes, espancada e torturada. Horas depois, seu corpo foi abandonado na porta da casa onde morava, na Vila Aliança. Ela chegou a ser levada ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, mas já estava morta.

O crime provocou forte comoção. A família afirmou que Sther não tinha qualquer envolvimento com atividades criminosas e vivia um momento de conquistas pessoais. A jovem estava tirando a carteira de habilitação, planejava se mudar para um novo apartamento e sonhava em constituir família. Nas redes sociais, a irmã relatou que havia ajudado Sther a se arrumar para o baile poucas horas antes do assassinato e afirmou que a família recebeu o corpo desfigurado pelas agressões. A Polícia Civil investiga se Bruno Loureiro foi o mandante do crime.

O traficante também é apontado como responsável por determinar a execução de Vitor Lima da Cunha, morto em junho de 2022 após deixar o TCP e migrar para a facção rival Comando Vermelho. De acordo com a investigação, uma mulher foi usada para atrair a vítima para fora do Complexo da Penha e levá-la até o Recreio dos Bandeirantes, onde o homicídio foi cometido.

Foi justamente esse inquérito que levou os investigadores a identificar a participação de Michael Johnny Vianna de Azevedo, ex-assessor do deputado estadual Val Ceasa (PRD). Segundo a Polícia Civil, Michael teria realizado uma transferência bancária relacionada ao pagamento prometido pela execução. Ele foi indiciado por sequestro e cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

O nome de Bruno voltou ao centro das atenções na última quinta-feira, quando uma operação do Ministério Público do Rio (MPRJ) que apura a ligação de agentes públicos com o TCP teve como um dos alvos o deputado estadual Val Ceasa. Durante a investigação, promotores identificaram vínculos entre integrantes e ex-integrantes do gabinete do parlamentar e membros da facção criminosa.

Michael Johnny trabalhou como assessor de Val Ceasa entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025. Após deixar o gabinete, foi nomeado para um cargo na Rioluz. Preso em flagrante durante a operação do MPRJ por posse ilegal de arma de fogo, ele acabou exonerado pela Prefeitura do Rio.

Segundo a Polícia Militar, Bruno estava prestes a ser submetido a um procedimento cirúrgico quando foi preso. Paralelamente à ação, equipes do 41º BPM (Irajá) realizaram um cerco no entorno do hospital para garantir a segurança da operação.

Apontado como um dos criminosos mais procurados do estado, Bruno da Silva Loureiro acumula anotações por homicídio, tráfico de drogas, roubo, lesão corporal, receptação, porte ilegal de arma e associação criminosa, segundo as forças de segurança. A ocorrência foi registrada na 39ª DP (Pavuna), e o policiamento permaneceu reforçado nos arredores do Hospital Ronaldo Gazolla após a captura.